<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320</id><updated>2011-11-27T15:14:51.380-08:00</updated><title type='text'>Estórias de CURIAPEBA</title><subtitle type='html'>Estórias de CURIAPEBA é o nome que se dá às Estórias que se&lt;br&gt;
passam na fictícia CURIAPEBA, cidade criada pelo escritor,&lt;br&gt;
jornalista e crítico literário, Aristides Theodoro e que tem a sua&lt;br&gt;
localização na Chapada Diamantina Baiana.&amp;nbsp;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>30</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1233376239784343715</id><published>2007-10-29T10:34:00.000-07:00</published><updated>2007-10-29T10:54:13.545-07:00</updated><title type='text'>O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO OBTEM ÊXITO NO SEU TRABALHO SUTIL DE INVESTIGAÇÃO E MORRE EM SEGUIDA</title><content type='html'>&lt;h1 style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;Participe da Comunidade Literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO&lt;br /&gt;OBTEM ÊXITO NO SEU TRABALHO  SUTIL DE INVESTIGAÇÃO&lt;br /&gt;E MORRE EM SEGUIDA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; font-style: italic;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ilustração Inista de &lt;a href="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=827401358012276520"&gt;Neli Maria Vieira&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:78%;" &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Para Samuel Duarte)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; "...acreditava nas armas,principalmente para resolver questões de honra"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:8;"&gt;&lt;span style=";font-size:78%;" &gt;&lt;br /&gt;                                                                                                                                              &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:78%;" &gt;                                                                                                                      &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Agatha Cristie&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;        &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;&lt;span style="font-size:8;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O Coronel Dromedário Carmelinho,após eliminar, através dos seus agentes secretos, os comerciantes Albino Seabra, da firma Tesuko Nukuda &amp;amp; Seabra, de Miguel Calmon, Nahum Maliff, de Pilão Arcado e o italiano Gino Scalabronni , recém chegado ao Brasil, instalado em Catinga do Moura, não se dando por satisfeito, após tirr os três fora de circulação, segundo ele, culpados pelos seus prejuízos e morte dos tropeiros Pinininho da Silva Dourado e Teodorico Pindé , em uma emboscada preparada por Resuko Nukuda, um homem vivo, ambicioso, acostumado a safar-se de emboscadas que abandonou Miguel Calmon, logo ao saber da morte do sócio, Albino Seabra numa fazenda ali perto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;O Coronel, velha raposa, não ficando atrás de seu ninguém, quando se tratava de estratégia de guerra, acionou seus homens de confiança, espalhados por várias partes do sertão. Epecialmente entre Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Pernambuco, onde sabia que Tesuko Nukuda possuía negócios ou gente disposta a lhe dar guarida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Os espiões do General Dromedário Carmelinho se espalharam rapidamente mundo afora, procurando novas casas comerciais, onde provavelmente o negociante poderia se esconder, disfarçadamente. E assim, colocou três espiões &lt;st1:personname productid="em Miguel Calmon" st="on"&gt;em Miguel Calmon&lt;/st1:personname&gt;, vigiando dia e noite o momento &lt;st1:personname productid="em que Tesuko Nukuda" st="on"&gt;em  que Tesuko Nukuda&lt;/st1:personname&gt; retirasse a mercadoria da loja, fechada já por seis meses. Até que um dia, ao cair da noite, um caminhão entrou porta a dentro, fechando a imediatamente e retirando-se o caminhão pela madrugadinha, antes do nascer do sol, carregado de mercadorias. O carro não tinha placas e dirigiu-se aa todo vapor para os lados de Minas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;O motorista de um jipe e dois sicários do Coronel colocaram-se na trilha do caminhão. Sempre a distância, como quem nada quer. Os homens do caminhão e os do jipe chegaram a almoçar juntos em um restaurante de beira de estrada, onde um dos jipeiros reconheceu o ajudante do caminhão, antigo empregado da Tesuko Nukuda &amp;amp; Seabra, disfarçado por trás de uma barba grisalha, um enorme chapéu de couro de mateiro e óculos escuros a lhe encobrir os olhos e o deixando mais velho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;O motorista era desconhecido e os cabras do Coronel fizeram que nada tinham a ver com eles e deixaram que os mesmos saíssem primeiro do restaurante e os seguiram de longe, afim de não serem notados. E assim, viajaram por dois dia e duas noites, até chegarem à cidade de Grão Mogol, no Estado de Minas, onde o caminhão fora descarregado em uma loja suntuosa e viram um oriental barbado, tudo indicando tratar-se de Tesuko Nukuda, de óculos escuros, conferindo a mercadoria. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Os homens anotaram o endereço e retornaram à Curiapeba, contando tudo o que viram ao Coronel, que os despachou, com suas missões cumpridas e pagando-lhe os merecidos soldos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;O Coronel Dromedário Carmelinho foi a Brotas de Macaúbas e por lá contratou o matador Bramantino Galego, um sujeito frio, terros do luga, que tinha orgulho em dizer , nas suas poucas conversas, nunca ter errado um tiro. Era capaz de acertar uma bala na boca de uma garrafa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Tesuko Nukuda, homem de mais ou menos 45 anos. Um metro e sessenta de altura, moreno, de procedência oriental,,ligeiramente gago, possuía uma orelha acabanada.Sinais muito lembrados pelo velho Coronel, a fim de evitar equívocos por parte do seu futuro matador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Bramantino Galego deveria, após certificar-se da orelha acabanada da vítima, ouvir-lhe a voz e após fazer o serviço, se possível, cortar-lhe a mesma orelha e leva-la como prova do dever cumprido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Dito e feito. Bramantino, ao chegar a cidade de Graão Mogol, escondeu o seu cavalo numa estrebaria de ponta de rua e foi, como quem nada quer, à loja Nagóia de Minas, onde se interessou por uma capa boiadeira. A princípio, achou-a muito cara e sugeriu ao vendedor consultar seu chefe, a fim de que fizesse um abatimento. Se aceitasse, poderia levar outras mercadorias. O vendedor foi consultar o patrão, que um tanto desconfiado, foi falar com Brmantino, que ao nota a orelha acabanada do homem, não teve dúvidas : tratava-se de Tesuko Nukuda em carne e osso. Esse foi logo dizendo, com palavras gaguejadas, não poder fazer todo aquele desconto pedido, mas se o a homem levasse outros produtos, quem sabe, surgisse probabilidade de negócios.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Bramantino Galego, além da capa, escolheu um chapelão de couro, um par de botas, um par de esporas chilenas, um cantil e, por fim , pediu para ver uma garrucha exposta na vitrine. Mandou somar a conta e na hora de pagar, com Tesuko Nukuda a sorrir e a presentear-lhe com uma caixa de balas, ao abaixar para apanhar o lápis caído no chão, recebeu três tiros o primeiro atingindo-lhe o coração,o segundo a cabeça e o último a boca. O homem esvaia-se em sangue, enquanto seus funcionários,desesperados, aos gritos, e trombando uns nos outros , desapareciam pelas portas dos fundos. Bramantino, friamente decepa-lhe a orelha, limpa a faca suja de sangue em um fardo de tecidos, acende um Yolanda Azul, sopra a fumaça de encontro ao céu e deixa o lugar do crime, bem como as mercadorias em cima do balcão. Esgueira-se de mansinho, como sede nada soubesse, por um beco pré-consultado, que o levaria até ao seu cavalo, de onde saiu a galopar em direção á estrada principal.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Prevendo a fúria da polícia, escondeu-se no mato, deixando a poeira baixar e depois, monta na sua alimária e abandona a região por veredas e caminhos ínvios do sertão,onde nunca seria avistado pelos policiais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Depois de atravessar algumas vilas, fazendas, fazendas, matas, serrados e carrascais, entre Minas Gerais e Bahia, trocar por duas vezes de montaria, chegou à Curiapeba, logo se dirigindo à fazenda Ouricuri do Norte, onde o velho Coronel Dromedário, em pleno meio-dia, à sombra da sua casa-casa do engenho Trepiá, refestelado na sua cadeira de balanço, após lauto almoço, ao ser anunciada a presença de Bramantino, muito alegre, se preparou para recebe-lo em alto estilo, juntamente com as novas que este traia a respeito de Tesuko Nukuda. Na hora da no notícia,sentiu uma leve pontada no peito. Mas como nunca tinha sentido nada de grave durante os seus 88 anos bem vividos, não deu a mínima importância ao leve mal estar e ao avistar-se com o matador, foi logo perguntando, com euforia :&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;- Então, seu Bamantino, o que me contas de novo. Foi tudo bem,como esperávamos ?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Bramantino friamente mete a mão no bolso do paletó, puxa um pacotinho e entrega o ao Coronel, que ao abri-lo deparou-se com a orelha troncha de Tesuko Nukuda, seca, desidratada, parecendo uma castanha de caju. O velho olha o matador com um sorriso aparvalhado e diz com voz pastosa e um início de tosse :&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;- Seu Bramantino Gaalego, você é um danado e está de parabéns por isso !... Gostei de sua eficiência e, como lhe prometi, serás bem recompensado por tanto. Ouviu, meu rapaz ?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;Nisso espicha as canelas compridas, geme, põe a mão direita em cima do peito,tomba a cabeça pesadamente no espaldar da espreguiçadeira e solta o último suspiro,entregando a alma ao Criador e deixando os familiares em polvorosa.&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Toca Filosófica, 28/08/2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; *     *     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;Participe da Comunidade Literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1233376239784343715?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1233376239784343715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1233376239784343715' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1233376239784343715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1233376239784343715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-coronel-dromedrio-carmelinho-obtem.html' title='O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO OBTEM ÊXITO NO SEU TRABALHO SUTIL DE INVESTIGAÇÃO E MORRE EM SEGUIDA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-9010261713736717077</id><published>2007-10-27T05:43:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T06:27:04.640-07:00</updated><title type='text'>CURIAPEBA, SEUS MODOS E SUA GENTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;div style="text-align: center;"&gt;   &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;   CURIAPEBA, SEUS MODOS E SUA GENTE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(Homenagem à obra literária de Aristides Theodoro – criador da fictícia Curiapeba)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM4kVERVXI/AAAAAAAAALM/4Spa9p53XxU/s1600-h/b001.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM4kVERVXI/AAAAAAAAALM/4Spa9p53XxU/s320/b001.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126002997659260274" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;font-size:85%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;font-size:78%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;I&lt;br /&gt;Curiapeba é boi de laço,&lt;br /&gt;É chiado morto, escuridão,&lt;br /&gt;É coité quebrado e é cangaço,&lt;br /&gt;Terra pisada no bagaço,&lt;br /&gt;E a vida feita de sertão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave agourenta na chapada,&lt;br /&gt;Cascavel de tocaia no capim,&lt;br /&gt;É rês mugindo esfomeada,&lt;br /&gt;Xaxado, xote e enxurrada,&lt;br /&gt;Galope, morte, vida e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É gole d'água, é mão vazia,&lt;br /&gt;Cacimba seca, vem e vai...&lt;br /&gt;É noite quieta e cantoria,&lt;br /&gt;Macuco afoito, mata fria,&lt;br /&gt;Chuva distante que não cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;É carrapicho, unha de gato,&lt;br /&gt;É casa velha e desalento,&lt;br /&gt;Peleja incerta, medo e mato,&lt;br /&gt;Donzela aflita e beato,&lt;br /&gt;E um bocado de ungüento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cabra macho, é rezador,&lt;br /&gt;Faca de ponta, correnteza,&lt;br /&gt;É benzedeira, é cantador,&lt;br /&gt;Marruá na canga, lenhador,&lt;br /&gt;Preá que bole na represa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É rapazote que gagueja&lt;br /&gt;Um verso bobo que escreveu,&lt;br /&gt;É um tropeiro e uma peleja,&lt;br /&gt;E bode velho que bodeja,&lt;br /&gt;A mesma coisa que comeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;É caititu, marrã que berra,&lt;br /&gt;Água que banha o vilarejo,&lt;br /&gt;Gibão surrado, pé de serra,&lt;br /&gt;Gamela cocha, sol e terra,&lt;br /&gt;De onde brota o sertanejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É carne de sol, tigela, angu,&lt;br /&gt;Sabiá que canta na gaiola,&lt;br /&gt;Canavieira, grota, umbu,&lt;br /&gt;Fogão de lenha e mulungu,&lt;br /&gt;É moita brava e mariola,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cafundó, terno de linho,&lt;br /&gt;Foice afiada, binga e fumo,&lt;br /&gt;Feijão de corda e pelourinho,&lt;br /&gt;Pedra que move no moinho&lt;br /&gt;E bota a vida no seu rumo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM4u1ERVYI/AAAAAAAAALU/e6ZQBv3WSGo/s1600-h/b002.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM4u1ERVYI/AAAAAAAAALU/e6ZQBv3WSGo/s320/b002.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126003178047886722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;IV&lt;br /&gt;É o carcará desapontado,&lt;br /&gt;Jagunço morto na estiada,&lt;br /&gt;É um zumbido, é um piado,&lt;br /&gt;É um tiroteio começado,&lt;br /&gt;Poeira e pó virando estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um remelexo, é mexerico,&lt;br /&gt;É seiva, é dor, é jeito e ginga,&lt;br /&gt;Ema, sapé, graveto, angico,&lt;br /&gt;É cangaceiro e é milico,&lt;br /&gt;No seu amor pela caatinga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dor de quengo sem melhora,&lt;br /&gt;Bornal socado e um cantil,&lt;br /&gt;É tamarindo, arreio, espora,&lt;br /&gt;E a juriti que canta e chora&lt;br /&gt;O Tudo quanto ela já viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;É a baraúna ameaçada,&lt;br /&gt;Fazenda antiga e prataria;&lt;br /&gt;Carro de boi, encruzilhada,&lt;br /&gt;Chuva que cai na madrugada,&lt;br /&gt;Como goteira na bacia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É lenço e palha na algibeira,&lt;br /&gt;É destemor que nada abala,&lt;br /&gt;Um fogo aceso sem fogueira,&lt;br /&gt;É leite azedo na porteira&lt;br /&gt;E antiga história de senzala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É galalau engravatado,&lt;br /&gt;Garrucha, jipe e baioneta,&lt;br /&gt;Algum tostão e pão fiado&lt;br /&gt;Um sonho velho amarelado,&lt;br /&gt;Feito retrato na gaveta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;É gravatá, arnica, espinho,&lt;br /&gt;Boneca de milho já nascendo,&lt;br /&gt;É malquerença de vizinho,&lt;br /&gt;É cruz fincada no caminho,&lt;br /&gt;E casca velha apodrecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um tropeiro ensimesmado,&lt;br /&gt;Espinha de peixe na goela,&lt;br /&gt;É nó de tripa mal curado,&lt;br /&gt;Tabaréu que vê desconfiado,&lt;br /&gt;Tudo que passa na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sanfoneiro, é cão sarnento,&lt;br /&gt;É um desafio na embolada,&lt;br /&gt;Uma tarimba e um jumento,&lt;br /&gt;Moço que dorme no relento,&lt;br /&gt;Pra cortejar a sua amada.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM42VERVZI/AAAAAAAAALc/ak5YHog7ALM/s1600-h/b003.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM42VERVZI/AAAAAAAAALc/ak5YHog7ALM/s320/b003.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5126003306896905618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;VII&lt;br /&gt;É pó de mico, água de cheiro,&lt;br /&gt;Café torrado e procissão,&lt;br /&gt;É catilóia e sanfoneiro,&lt;br /&gt;Um estrupício alcoviteiro,&lt;br /&gt;Colher de pau, mão de pilão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um casebre pau-a-pique&lt;br /&gt;D’uma bondade sem fundura,&lt;br /&gt;Uma candonga, um chilique&lt;br /&gt;Raspa de tacho e alambique,&lt;br /&gt;Garapa, cana e rapadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É taquarussu, é boi-bumbá ,&lt;br /&gt;Luar minguado no açude,&lt;br /&gt;Sabão de soda, mungunzá,&lt;br /&gt;Juá, jiló, jequitibá,&lt;br /&gt;E um povo nobre que se ilude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;É a praça quieta tão igual,&lt;br /&gt;Cerca, cipó, galo de rinha,&lt;br /&gt;Roupa quarando no varal,&lt;br /&gt;Um dia branco como a cal,&lt;br /&gt;Que veste o teto da igrejinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anzol de linha ribanceira,&lt;br /&gt;Rangido surdo no assoalho,&lt;br /&gt;Fubá que dança na peneira,&lt;br /&gt;Cajá, sapé, maxixe, esteira,&lt;br /&gt;E uma colcha de retalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É onça parda e emboscada&lt;br /&gt;Carvão aceso, luz de vela.&lt;br /&gt;É um estouro de boiada,&lt;br /&gt;É uma tapera barreada,&lt;br /&gt;Riacho morto sem pinguela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IX&lt;br /&gt;É um Barbatão desenxabido&lt;br /&gt;E um perrengue da sinhazinha,&lt;br /&gt;É um quase tudo esquecido&lt;br /&gt;Em alguma brenha, escondido,&lt;br /&gt;Que pouca gente adivinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também é a coisa rara&lt;br /&gt;Que, inexplicavelmente, afinal,&lt;br /&gt;Como uma moita de taquara&lt;br /&gt;Ao dividir-se em cada vara&lt;br /&gt;Semeia nesta um taquaral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é finalmente uma porção&lt;br /&gt;De qualquer coisa emudecida&lt;br /&gt;E se o dize-la é apenas vão&lt;br /&gt;Calar seria a supressão&lt;br /&gt;De tudo quanto deu-lhe vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(Este é um pq reconhecimento e homenagem ao escritor Aristides Theodoro e a sua obra)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;Poesia de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=6034003120671467349"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 204);"&gt;Ozanã Torquato Velho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ilustração de &lt;/span&gt;&lt;a style="font-style: italic;" href="http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=827401358012276520"&gt;Neli Vieira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;font-size:78%;" &gt;*     *     *&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-9010261713736717077?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/9010261713736717077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=9010261713736717077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/9010261713736717077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/9010261713736717077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/curiapeba-seus-modos-e-sua-gente.html' title='CURIAPEBA, SEUS MODOS E SUA GENTE'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyM4kVERVXI/AAAAAAAAALM/4Spa9p53XxU/s72-c/b001.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1160531892444198672</id><published>2007-10-27T05:15:00.000-07:00</published><updated>2008-02-02T08:10:53.571-08:00</updated><title type='text'>DE COMO TITICA ADQUIRIU, DE MANEIRA NÃO MUITO CORRETA, O CANÁRIO DE TUBI DO ARIÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 63.8pt;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;DE COMO TITICA ADQUIRIU,   DE MANEIRA NÃO MUITO CORRETA,   O CANÁRIO DE TUBI DO ARIÃO&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 63.8pt;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 63.8pt; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;Ilustração Inista de Neli Maria Vieira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 63.8pt; font-style: italic;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;“... inimigo de enxada e foice, só atento à negociações, barganhas, espertezas.”                                                                                                                             Monteiro Lobato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Titica chegou a Curiapeba ainda meninote. Juntamente com os pais: ela (mãe), Santa Maria Pinta a Nina e ale (pai), Melquisedeque de Jesus Cristo da Costa, não se sabendo ao certo da onde vieram. Uns diziam, que da Paraíba e outros professoravam que os mesmos vieram de São Paulo, por intermédio do pastor Genocídio Geronso Garrafino.  Ambos pertenciam à igreja Jesus Virá, Aleluia!... Santa Maria Pinta e Nina, era uma mulher branca, alta, de olhos verdes, seios bem feitos, fornidos, cabelão preto, batendo nas ancas, vestida quase sempre com roupas negras, compridas, que cobriam-lhe as pernas cabeludas e bem torneadas.  Se não fosse o mal ajambramento da sua indumentária (talvez proposital), era uma mulher para causar frenesi entre os homens. Vivia sempre cantando hinos da igreja protestante. Houve um que causou repulsa na rua onde morava, cantado sempre com voz. da taquara rachada, que dizia mais ou menos assim: - "Vejo a tormenta, ouço o mar intenso/o seu poder em manifestação./Então minh’alma canta a ti Senhor/Grandioso és tu, grandioso és tu.". Santa Maria Pinta e Nina só falava em termos religiosos, tais como salvação da alma, curas mirabolantes, línguas estranhas, dízimos, vida eterna, pecado, paraíso, demônios, abstinências, morte, etc.  O marido, Melquisedeque de Jesus Cristo da Costa, ara um tipo alto, bem apessoado, branco, de olhos azuis, falastrão, que nem sempre tinha os temas religio­sos como ponto de partida. Comerciante sagaz, assim que chegou à cidade, começou a comprar peles, couros de boi, porco e caças, os quais revendia para curtumes da redondeza, isso após sondar quem melhor pagava.  Não demorou muito, diziam as más línguas, com a ajuda do pastor Genocídio, montar o seu próprio curtume, às margens do rio da Onça, onde curtia os seus couros s os vendia para outros centros comerciais. Tais como Salvador, Recife e Aracaju.  Era um mulherengo incorrigível e por várias vezes, fora visto, chumbregando com as rameiras no baixo meretrício, atrás de cemitério. Quando interrogado por irmãos, sobre o seu procedimento, dizia que a mulher, excessivamente dominada pela religião, não lhe satisfazia sexualmente, forçando-o a se completar fora do matrimônio. A mulher, interrogada pelas, senhoras dorcas da igreja, que queriam por tudo salvar o casamento, dizia, por sua vez, "que o Senhor recrimina­va o sexo e que preferia que o marido se abrasasse fora do lar, a fazer qualquer coisa que desagradasse ao Senhor".  Titioa crescera ouvindo a palavra de Deus e vendo essas desavenças dentro de casa. E, como a mãe era muito rígida, impertinente, passou a detestá-la muito cedo e a achegar-se mais ao pai, que percebendo o apoio incondicional do filho, passou a agradá-lo e a dar-lhe dinheiro, sempre que vendia uma partida de sola. Titica, um menino vivo, falastrão, inteligente, com o pouco dinheiro que recebia, tratou de fazer os seus primeiros negócios. Comprou algumas caixas de en­graxate e distribuía as mesmas junto a outros moleques pobres da sua rua, que pagavam lhe Uma taxa sobre aquilo que fosse ganho durante o dia. Saiu-se bem e com pouco tempo, era uma espécie de empresário mirim bem sucedido.  Como havia visto o acúmulo de apostas nas brigas da galos e canários-da-terra, na rinha de seu Wagney Carmusin, o garoto passou a comprar canários de bri­ga e a fazer apostas pelos cantos das praças. Primeiro chamando a atenção da garotada, que apostava entre si castanhas de caju, piões, bolinhas de gude, dados de bogoiós, cavalos de pau e tantos outros brinquedos e frutas. Só que Titica não estava nada satisfeito com essas apostas, que não lhe rendiam nenhum vintém e resolveu convidar os mesmos homens que apostavam nos canários de seu Wagney Carmusin, na maior parte, turistas do Sul, que visitavam a cidade e que apostavam dinheiro grosso, onde lhes sobravam alguns trocados.  Titica. passou a ser um. forte, concorrente de.Wagney Carmusin, comprando todos canários de briga da redondeza, dos quais tomava conhecimento, até que soube de um na fazenda Seu Mané, às margens do rio Canjica, ali no sopé da serra do Itiúba, onde morava um certo. Tubi do Arião, que tinha um canário, espécie de terror do lugar. Brigador sem igual, que nunca tinha perdido uma briga pra, seu ninguém.  Sabedor disso, foi Titioa à fazenda e encontrou-se com o dono, o negro Tubi do Arião, um semi-bárbaro, quase nu, que vivia de pequenos biscates, uma rocinha de mandioca, melancia, abóbora, milho e bananeiras; venda de passarinhos, caças e pescas. Diziam mesmo que chegava a conversar com as onças. Titica ao ver o canário cantar e corrochiar, ficou possesso e jurou a si mesmo, pagar a quantia que o negro lhe pedisse por ele.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;        A princípio, notou que o tipo quase não conhecia dinheiro e pensou: "esse está no papo". Vou ter o melhor canário de briga da região e vou desbancar até mesmo o grande Zé da Roça, de seu Wagney Carmusin, o ban-ban-bam de Curiapeba, o chamado papa apostas.  Propôs-lhe negócios, porém o negro, fechado em si mesmo, fez corpo mole. Demonstrando pouco interesse em negociar com o rapazinho vivo, falastrão da cidade.  Insistiu Titica, com um homem quase mudo, sem palavras, sempre de cabeça baixa e roendo as unhas, que não se decidia se queria ou não vender o passarinho. Até que depois de muita perseverança por parte de Titica, o negro disse, num gunguno quase inaudível, que não tinha farinha e que se fosse para desfazer-se do seu canário, o trocaria por alguns litros. Só que Titica não conseguia saber quanto do precioso alimento o negro queria em troca do pássaro. Diante do pouco palavreado do capiau e, sem negócio à vista, voltou Titica para casa muito aborrecido e a jurar que um dia aquela ave aguerrida seria sua.   Uma semana depois, voltou à palhoça do negro e propôs-lhe uma nova negociação. Recebendo o mesmo silêncio como resposta. Titica, mordido de ansiedade, ao ver o canário cantar e corrochiar, ofereceu em troca do passarinho, 10 litros de farinha. O negro riu-se de maneira desconfiada e não disse nem sim nem não. Por fim, guardou silêncio de uma vez por todas. Titica não desanimou e prometeu mesmo assim, trazer a farinha no dia seguinte.  O rapazinho, fervendo de ansiedade não conseguiu dormir naquela noite e no dia seguinte, mediu os 10 litros da mais alva e torrada farinha de Utinga, colocou-a num saco e dirigiu-se para a fazenda Seu Mane, onde ao chegar, encontrou o rancho fechado. Esperou por várias horas pelo negro, debaixo de um pé de massaranduba e, como nada do homem aparecer, resolveu abrir a porta, deixar a farinha em cima da tarimba onde o homem dormia e carregar o canário.  O negro, ao voltar da roça, à boquinha da noite e não encontrar o canário, ficou fulo da vida e disse de si para si: - “vou pegar aquele amarelinho safado e dar-lhe uns corretivos de criar bicho, pra ele saber com quantos paus se faz uma cangalha... Molequinho escroto." No dia seguinte, um sábado, dia de feira em Curiapeba, pegou o saco com a farinha e dirigiu-se para a cidade a qual pouco conhecia. Havia ido lá uma ou duas vezes. Tinha medo do burburinho das ruas, vergonha dos seus trajes e da sua linguagem emperrada. Porém não poderia deixar passar em branco uma safadeza de tamanho calibre.                        Chegando à cidade, deparou-se com a grande feira, onde os feirantes apregoavam aos berros, os seus produtos. Com dificuldade, procurou entre elas, a se informar a respeito do molequinho amarelo, que lhe havia roubado o canário. Ninguém sabia o que o negro queria dizer, como também não poderiam lhe informar a respeito de um ser do qual não sabiam nem mesmo nome ou onde morava, etc. Depois de muitas investidas sem sucesso, com um grande nó na garganta, voltou para o seu rancho, cheio de revoltas e pensou em levar o caso ao pai Ambrósio, velho macumbeiro, seu ami­go e vizinho, afim de que ele fizesse um ebó para Exú, com a finalidade de que seu canário escapasse da gaiola do amarelinho safado e retornasse para o seu rancho, afim de alegrar a sua triste vida. E foi assim, que o negro Tubi do Arião, pela primeira vez na vida, deitou na sua tarimba e não conseguiu dormir, pensando na rasteira que o amarelinho falastrão da cidade acabara de lhe aplicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Toca Filosófica, 05/09/2007&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:78%;"  &gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;  &lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1160531892444198672?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1160531892444198672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1160531892444198672' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1160531892444198672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1160531892444198672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/de-como-titica-adquiriu-de-maneira-no.html' title='DE COMO TITICA ADQUIRIU, DE MANEIRA NÃO MUITO CORRETA, O CANÁRIO DE TUBI DO ARIÃO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-5190558155753927042</id><published>2007-10-27T05:09:00.000-07:00</published><updated>2008-02-02T09:38:47.678-08:00</updated><title type='text'>MACHÃO CURIAPEBANO DOBRADO PELA FORÇA DA PSICANÁLISE</title><content type='html'>Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;br&gt;&lt;br /&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;MACHÃO CURIAPEBANO DOBRADO PELA FORÇA DA PSICANÁLISE&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;"Amansa o corcel inflamado”&lt;br&gt;&lt;br /&gt;William Blake&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nasci em Curiapeba e minha mãe sempre dizia que ficou muito&lt;br /&gt;contente, quando ouviu o meu primeiro choro e Salumbilina, velha&lt;br /&gt;parteira da região, com seu sorriso de gengivas encarnadas olhar para&lt;br /&gt;ela e dizer&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;- É minino home, de saco roxo, má fia!..&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Cresci num ambiente rude, ouvindo berros de vacas, relinchos&lt;br /&gt;de éguas no cio, latidos de cães danados, brigas de galos e&lt;br /&gt;canários-da-terra e o meu pai dizer, com insistência:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;- Homem que é homem não chora!..&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;De inicio, nunca chorei. Aprendi no dia-a-dia que naquelas&lt;br /&gt;brenhas medonhas era preciso de muita macheza, para empurrar a vida.&lt;br /&gt;Quantas vezes, não tive de enfrentar vacas brabas a pontapés, a fim de&lt;br /&gt;curar o umbigo dos seus filhotes. Amansar burros chucros a unha. Outras&lt;br /&gt;vezes, de jacaré na cintura e lazarina em punho, cheinhazinha de balas,&lt;br /&gt;deparar-me frente a frente com canguçu faminta, a mirar um no olho do&lt;br /&gt;outro e a bicha piscar primeiro, lamber os bigodes, miar fininho, que&lt;br /&gt;nem gato e se esgueirar, temendo a dureza do meu olhar e as balas da&lt;br /&gt;minha lazarina. Nunca fui de temer valentões de feira, os quais botava&lt;br /&gt;pra correr, no grito, com a força dos meus pulmões. Até que um dia,&lt;br /&gt;cansei-me daquela vidinha besta do interior, botei alguns cobres na&lt;br /&gt;algibeira, abotoei a fivela do matulão, tomei um trem de ferro em&lt;br /&gt;Itiúba e fui dar um pulo no São Paulo, onde, ao chegar, insinuado por&lt;br /&gt;um primo, matriculei-me num curso, do qual ele falava muito bem. Se me&lt;br /&gt;perguntarem o nome do tal curso, não saberei dizer. Só sei que a&lt;br /&gt;professorinha era uma figura simpática, muito culta, um desses tipos de&lt;br /&gt;mulé macho, que convence o vivente com a força da sua argumentação e&lt;br /&gt;que colocava fora das suas aulas, sempre no grito, penetras enxeridos e&lt;br /&gt;metidos a engraçadinhos, que apenas queriam tumultuar. Fiz bons amigos&lt;br /&gt;por ali. Especialmente entre as mulheres. Nunca fui de gostar de&lt;br /&gt;homens. Até mesmo quando os cumprimentava, não gostava de estender-lhes&lt;br /&gt;a mão. Isso por não saber onde o infeliz andou colocando a mesma. Até&lt;br /&gt;que um dia, a mestra, que convém dizer, chama-se Munique, acho que seus&lt;br /&gt;pais se inspirarem na velha cidade alemã, quando a batizaram; imbuída&lt;br /&gt;de teorias literárias, passou a citar uns tais de Herman Hesse,&lt;br /&gt;Nietzche, Cervantes e Tolstói (vejam vocês, nenhum brasileiro) e&lt;br /&gt;fez-nos embriagar de Jung e de um francesinho metido a arroz com casca&lt;br /&gt;e muita coceira no fiofó.Um tal de Bachelard, que criara umas teorias&lt;br /&gt;malucas que trata do “ânimo" e da "ânima", o que quer dizer, macho e&lt;br /&gt;fêmea na mesma pessoa. A princípio, choquei-me com os argumentos&lt;br /&gt;apregoados por Munique e pensava comigo mesmo: "Se vê cada uma neste&lt;br /&gt;São Paulo!... Comigo não, violão!... Eu sou é homem com H. Nasci homem&lt;br /&gt;e morrerei homem. Nada de frescuras pra cima de mim. Não. Mas, de tanto&lt;br /&gt;insistir a professora e as colegas, tentando mostar-me o meu lado&lt;br /&gt;feminino, ou melhor, de "ânima”, uma noite, após ouvir a leitura de um&lt;br /&gt;texto afrescalhado do tal de Bachelard, sobre o assunto, que diz assim:&lt;br /&gt;“Um único corpo dominado por duas cabeças coroadas. Belo símbolo da&lt;br /&gt;dupla exaltação da androginia. A androginia não se oculta numa&lt;br /&gt;animalidade indistinta, nas orígens obscuras da vida. Ela é uma&lt;br /&gt;dialética do apogeu. Mostra, vindo de um mesmo ser, a exaltação do&lt;br /&gt;animus e da anima. Prepara os devaneios associados do supermasculino e&lt;br /&gt;do superfeminino.”&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;As minhas colegas Nélia Maria Fernandes, Águida Sarmiento e a&lt;br /&gt;Nega Fulô, no barzinho do China Pau, na hora do intervalo, argumentaram&lt;br /&gt;e tentaram mostrar-me que a mestra estava certa e que todos nós temos&lt;br /&gt;porções imensas do "ânimo" e da "ânima" escondidos no mais recôndito&lt;br /&gt;dos nossos seres. Voltei pra casa abestalhado, com aquilo no quengo. E&lt;br /&gt;perguntei de mim para comigo: “Mas como, logo eu, Osmundino Carriega&lt;br /&gt;Soromenho de Jesus Malhado, que sempre fui homem com H, chegar na&lt;br /&gt;cidade grande e receber de cara urna dose dupla de baitolagem?... Não e&lt;br /&gt;não. Continuarei a ser homem com H maiúsculo, sem me deixar levar por&lt;br /&gt;essa conversa mole desses cabras frescos da capital."&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No dia seguinte, Osmundino Carriega Soromenho de Jesus&lt;br /&gt;Malhado, que nunca fora dado às leituras, entrou numa livraria, talvez&lt;br /&gt;pela primeira vez e saiu dela sobraçando alguns livros de Jung e "A&lt;br /&gt;Poética do Devaneio", do Bachelard, tão enaltecida por Munique. Foi pra&lt;br /&gt;casa e mergulhou na leitura das teorias psicanalistas e chegou a se&lt;br /&gt;convencer com a força dos argumentos e passou a se auto-analisar e a&lt;br /&gt;concordar que realmente possuía as duas partes iguais do "ânimo" e da&lt;br /&gt;"ânima" dentro de si. Ligou para Nélia Maria Fernandes, falaram por&lt;br /&gt;quase uma hora sobre o assunto e, desse dia em diante, teve de mudar o&lt;br /&gt;seu comportamento, como também o seu guarda-roupas. Comprou calças&lt;br /&gt;coloridas, vermelhas, verdes, lilases, rosas; sapatos brancos,&lt;br /&gt;vermelhos, cinzas e um dia, após tomar banho e se olhar demoradamente,&lt;br /&gt;nu, nuelo, no espelho, notou que os peitos, antigamente atrofiados,&lt;br /&gt;cheios de pelos duros em volta dos bicos negros, começavam a se&lt;br /&gt;desenvolver. Foi aí que teve vontade de ser penetrado, como as&lt;br /&gt;mulheres. Pensou consigo mesmo: "Que meu pai, lá do céu ou do inferno,&lt;br /&gt;onde estiver, não tenha notícias destes meus pensamentos. Caso&lt;br /&gt;contrário, corro sérios riscos de ser jogado da cama no chão, durante o&lt;br /&gt;sono, pelo espírito revoltado do velho, que, por certo, argumentaria&lt;br /&gt;que não colocou filho no mundo para andar por aí, vestindo calças&lt;br /&gt;coloridas, coladinhas ao corpo e a se sacodir, feito baitola,&lt;br /&gt;macho-franga, viado. Como se diz no sertão.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O certo é que o machão curiapebano, que sempre foi, e não&lt;br /&gt;perdia um segundo sem pensar em mulheres, de preferência na horizontal,&lt;br /&gt;arrefeceu o seu apetite e passou a sonhar com uma relação onde pudesse&lt;br /&gt;fazer o papel de fêmea. Era assim a "ânima" se manifestando dentro do&lt;br /&gt;homem rude dos sertões. Voltou a pensar no pai e rogou insistentemente&lt;br /&gt;a Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo, que não permitisse que o espírito do&lt;br /&gt;progenitor, Macedônio Carriega Soromenho de Jesus Malhado, lá de onde&lt;br /&gt;estivesse ficasse sabendo das suas vontades. Senão seria capaz de&lt;br /&gt;revirar céus e infernos afim de dar-lhe umas bordoadas corretivas e pôr&lt;br /&gt;o seu fedelho nos trilhos, antes que fosse tarde demais. Pois, segundo&lt;br /&gt;as leis do sertão, homem que nasce homem morre homem.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;br&gt;&lt;br /&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-5190558155753927042?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/5190558155753927042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=5190558155753927042' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5190558155753927042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5190558155753927042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/macho-curiapebano-dobrado-pela-fora-da.html' title='MACHÃO CURIAPEBANO DOBRADO PELA FORÇA DA PSICANÁLISE'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1011064892187835914</id><published>2007-10-27T05:00:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T05:09:33.016-07:00</updated><title type='text'>JUSTINIANO CABORÉ RETORNA À TERRA NATAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;JUSTINIANO CABORÉ RETORNA  À TERRA NATAL&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;         &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;    Depois de muitas lutas, sofrimentos mil, aprendizagens, amores frustrados, muita falta de dinheiro, exposições e glórias em várias partes do mundo, já pintando os primeiros fios de cabelos brancos nas têmporas e na barba, Justiniano Caboré retornou em definitivo para Curiapeba, sua terra natal, que segundo disse alguém, para onde jamais se volta, “pois ela não existe a não ser nas nafetalinas da memória”, onde após morar por alguns meses no Hotel Toco Preto &amp;amp; Barinova, adquiriu uma velha casa na praça das Boiadas, número 27, ali pertinho da barbearia Sol à Pino, de Anacleto Pereira Sampaio, reformando – a à seu gosto e se instalando nela, de mala e cuia, com seu atelier. Fazendo logo amizade com outros pintores sulistas, radicados em Curiapeba, tais como o João Alberto Tessarini e Cecília Verdemate Beatrix Alighieri e Baipendi, apaixonados pela cultura sertaneja. Ambos vindos de São Paulo, porém perfeitamente adaptados aos modos simples e às vezes rudes dos sertões baianos, os quais copiavam nas suas telas de grandes reverberâncias, que eram disputadíssimas pelos marchands e galerias do Sul do País e do exterior.  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Justiniano Caboré, que fora discípulo de Carybé e de quem se percebia grande influência em suas telas, a princípio percorrera todo o Brasil em busca de reconhecimento para sua arte, inutilmente, até que se mudou para a Europa, primeiro para Barcelona, depois para Paris, onde conhecera grandes mestres das Artes, tais como o pernambucano Cícero Dias e o cearense Antônio Bandeira, por quem tinha grandes considerações e relembrava sempre dos seus dias de boêmia,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;intensa, na Rive Gauche, junto a outros tantos latinos-americanos em busca de glórias. Se tornara amigo de Picasso, Miró e outros com os quais se enfronhara. Por lá, mostrara os seus trabalhos lambecados de verde e amarelo, cheios de sol e exotismo. Seus cangaceiros, suas flores tropicais, de múltipla coloração, seus cactos, ossadas de animais tombados pela seca, urubus, mandacarus, paus – de – arara, retirantes, etc. Vendera muitos quadros na Europa, inclusive um para a rainha da Inglaterra, que lhe tecera elogios, elogios estes, que lhe rendera divisas, comentário nas gazetas e muitos dólares na conta bancária. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Caboré era um apaixonado pelo “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, e esboçava seus personagens plásticos, arrancando – os quase que diretamente das páginas trágicas do grande “Livro Vingador” da literatura nacional. Alguns desses quadros se acham espalhados pelos grandes museus do mundo, tais como o Jeu de Paume, d`Orsay, ambos de Paris, o Museu de Arte Moderna, de Nova Yorque, Museu de Arte de Filadélfia, Museu de Arte Moderna, do México, ao lado de Siqueiros, Orozco e Diego Rivera. Outros estão pendurados em paredes do Museu de Arte Moderna, de Barcelona, juntinhos com os belos quadros de Ramón Casas, entre outros museus do mundo e quase que desconhecidos entre nós brasileiros. A não ser em algumas coleções particulares, de ricassos que o conheceram na Europa, como o coronel Jorge Tigre, de Curiapeba, fazendeiro de bom gosto, que patrocinava as artes na região. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Justiniano Caboré, assim que se instalou na cidade, num período de quaresma, viu pelas ruas uma procissão do Senhor Morto, que lhe marcou muito e mais que depressa, obedecendo à inspiração, se pôs a trabalhar em uma espécie de Santa Ceia Cabocla, constituída de vários quadros, que totalizariam os traços da via – crucis e onde o personagem central era um Cristo preto, de olhos vermelhos, beiços proeminentes, musculatura de aço e cabelos pixaim, que as vezes se travestia de cangaceiro, Zumbi e outras, como na cena da crucifixão vestindo uma decotadíssima calçola de mulher, rosa – choque, enfeitada de debruns, que lhe deixava o corpo cheio de curvas efeminadas e duas borboletas azuis, graciosamente pousadas nos bicos dos seios protuberantes, por cima do califon. Ao serem expostos estes quadros no salão Lavras Diamantina, da cidade (com a presença do Prefeito Perfídio Brotoeja Codorniz, do Presidente da Câmara, vereador João Kusowisky, do padre Joaquim Torres Barrada, do Pastor Genocídio Geronso Garrafino, do jornalista Aristarco Vieira de Melo, da escritora Maninha de Matos Sampaio, dos advogados Antonio Polissílabo Saraiva, Walcírio Toneleiros Waluá, Wasculatório Toneleiros Waluá, do compositor, poeta, historiador e sanfoneiro Talinho Malino de Menezes e até dos caribenhos Artúrio Quiroga y Orozco e sua mulher, Dona Berenice Orozco Villas, que aparentemente vieram prestigiar o desconhecido pintor recém – chegado. Os quadros de Justiniano Caboré começaram a causar mal – estar desde o primeiro dia, quando o presidente da Câmara, vereador João Kusowisky, que pertencia à cúpula da igreja Jesus Virá, Aleluia!..., de cenho franzido aproxima – se do pintor, que dava uma entrevista coletiva e pergunta: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Seu Justiniano Caboré (que nome, hein?...Se vê cada uma!...) como é que o senhor se dá ao luxo de exibir uma obra tão sacrílega como essa, em ambiente público, e além do mais, em uma cidade extremamente religiosa como Curiapeba?...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Justiniano Caboré, um pouco assustado, encara o homem e diz, rematando a gozação em cima do seu nome:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;- Pois é, vereador, em matéria de nomes esquisitos estamos empatados. Veja que o seu nome também não é uma belezura, soletrou pausadamente: Ku so wis ky... Sim sinhô... Quanto à minha pintura não vejo nada de mais nela, que a desabone, nobre vereador.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- O senhor ainda diz não ver nada nela que a desabone, seu Caboré?... Seus quadros beiram ao deboche, ao acinte. São trabalhos indignos de serem expostos neste ambiente público da mais alta reputação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Não os vejo assim, senhor Kusowisky. Tenho exposto meus quadros em várias partes do mundo. Reconheço que sou dono de um estilo forte, irreverente, mas mesmo assim nunca tive o privilégio de ser censurado. Pelo contrário, os meus trabalhos tem provocado os mais calorosos elogios e ganhado&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;prêmios mundo afora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Vejo que o senhor, que saiu daqui pequeno, ainda não se deu conta que, esta cidade, extremamente religiosa, não compartilha com as suas pornografias, de extremo mau gosto. Vou solicitar ao prefeito Perfídio Brotoeja Codorniz, em nome dos bons costumes e da moral, que providencie a retirada da sua exposição deste lugar. A fim de resguardarmos a pureza e inocência da nossa gente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-align: justify;"&gt;Disse isto e virou as costas, não esperando a réplica, por parte do pintor. Indo à tarde ao gabinete do prefeito, onde expôs seus pontos de vistas, que não foram levados à sério pelo alcaide, que disse não ver subversão nenhuma ou pornografia na obra de Justiniano Caboré. A seu ver, motivo de honra e orgulho para a cidade, que em parte, vive do turismo, e o pintor atraíria muita gente endinheirada, sedenta por arte e pessoas famosas. O que não convenceu o vereador, que tratou de se encontrar com outros colegas de partido, como o Dr. Athanázio Valovelho Clepaúva, Bombardino Pitomba e Panflório Obvilaqua Valovelho Clepaúva (todos da bancada da UDN). À noite foi a igreja Jesus Virá, Aleluia!... e num culto fervoroso, aleluiado, e carregado de fogos do inferno, (pondo em prática os conselhos do Dr. Athanázio), conclamou a sua gente a se revoltar numa cruzada evangélica a fim de destruir o diabo que estava ali na cidade, na pessoa do tal pintor. Isso poderia ser feito com a depredação dos trabalhos de Justiniano Caboré, expostos no salão Lavras Diamantina, que poderiam ser queimados em praça pública pelos fiéis, que no dia seguinte, quando Caboré dava uma entrevista, arrodeado de jornalistas e curiosos, invadiram o salão e como uma avalanche medonha, começaram a destruir quadros, móveis, instalações e armados com a bíblia e hinários, atacaram o pintor, batendo – lhe na cara, na barriga, nos braços e na cabeça. Os irmãos, dominados por um frenesi coletivo, berravam:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Sai daqui, espírito maligno, enviado do diabo, e vai para as profundezas do inferno, que é o teu lugar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- O sangue do Senhor tem poder!... – gritava insistentemente, uma senhora, toda vestida de preto e cabelos esvoaçantes, maltratados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Outros, mais agressivos, brandiam a bíblia na cara do pintor e se esgoelavam, como se tomados por uma força estranha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 57.15pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;!--[if !supportLists]--&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style=""&gt;-&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;Retira – te desta cidade, espírito imundo. Aqui reina o Senhor!...&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;-&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;A coisa quase fora de controle só não ficou pior, porque os guardas da Prefeitura, ao vêem o pintor apanhando, entraram em cena, evacuando o salão e levando o artista para outra dependência. Diante dessa ameaça exemplar, que fora contemplada, por vários jornalistas, Justiniano Caboré, passou a ser entrevistado com assiduidade. Virou notícia dos mais diversos jornais nacionais e estrangeiros. Seus quadros, até ali desconhecidos, tornaram – se popularíssimos, e o pintor, de uma hora para outra, se tornou uma celebridade e um dos mais famosos homens de Curiapeba, em todos os tempos, e o vereador João Kusowisky, que não se reelegeu, mudou – se da cidade, a fim de não presenciar a glória do pintor ateu, que em matéria de arte, passou a ditar as ordens, País afora.&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;font-size:85%;" &gt;Toca Filosófica, 27/11/2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman;font-size:78%;" &gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1011064892187835914?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1011064892187835914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1011064892187835914' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1011064892187835914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1011064892187835914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/justiniano-cabor-retorna-terra-natal.html' title='JUSTINIANO CABORÉ RETORNA À TERRA NATAL'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-4881538604680973578</id><published>2007-10-27T04:54:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:59:06.525-07:00</updated><title type='text'>ARISTIDES THEODORO VISTO PELA CRÍTICA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARISTIDES THEODORO VISTO PELA CRÍTICA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;            Ontem, em minha escrivaninha, visitei o Nordeste Brasileiro, “atraída pela beleza da região diamantífera baiana”. Estive em Curiapeba, a fim de visitar uma igreja muito curiosa, a de “Jesus Virá, Aleluia!...” Não sei se você conhece, fica ali na Praça das Boiadas. Enfim, gente curiosa essa de Curiapeba. Diverti-me demais com o João Xexéu “&lt;i style=""&gt;martelando seu Luiz XV&lt;/i&gt;” pelas ruas, rumo ao sertão alto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Tem de tudo naquela cidade, mas senti falta de alguém, amigo. Não encontrei você. Andei por todas as ruas, praças e cantos. Perguntei aos moradores, aos personagens (não deixei de passar em frente da venda da negra Ostoporina Suspirova, para ouvir os desaforos do papagaio falador, é claro). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Que distração a minha. Depois de tanto andar, percebi que você, meu caro Aristides Theodoro, estava sim, lá. Não em um canto apenas, mas em todos os lugares, nos personagens, nas situações e nas brigas de jagunços, que a toda hora acontecem naquela cidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Guardei você na estante da minha escrivaninha. Certa de que, toda vez que estiver à procura de bons causos sertanejos e estórias gostosas de ler, preciso apenas ir até lá e contar com você. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Jô Barranova (Por e-mail)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;“Aristides Theodoro tem excelente verve como contista”&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Zanoto - Correio do Sul - Varginha, 12/07/2005&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;“Seu texto é bem humorado, mesmo quando ácido. Devido sua sinceridade, Aristides Theodoro tem criado alguns inimigos, mas ele parece não levar isso em consideração” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Hildebrando Pafundi - A Voz de Mauá, 14 de agosto de 2003&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;... “a obra de Aristides Theodoro é boa, competente, merece ser lida, debatida e criticada (no melhor sentido do termo)” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Gilberto Tadeu de Lima - A Voz de Mauá, 15 de maio de 2003&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Aprecio o estilo simples, despojado, com que você conta causos de grande interesse humano, ambientados no velho sertão de guerra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Manoel Onofre Júnior – Natal - RN&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O seu cangaceiro está me encantando, ao contrário do que me solicitou, que não me assuste. Curiapeba está entrando, em definitivo, para o mapa do meu mundo imaginário, que é o único verdadeiro. O resto é ilusão de fantoches. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Nelson Hoffmann – Roque Gonzáles – RS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Você esta dando rumo certo para a temática curiapebana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;A Igreja Jesus Virá, Aleluia!..., o pastor Genocídio Geronso Garrafino, o Bernardo Tremembé formam uma trempe e o fogo atiçado pelo Aristides deu um colorido especial ao conto que merece ser lido e ser aprovada sua publicação pelos representantes do Santo Ofício.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Valdecírio Teles Veras – Santo André - SP&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Th, saúde, paz e tudo mais que um Curiapebano desejar pode. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Jô Barranova disse (&lt;i&gt;A Voz de Mauá, 16/12/05&lt;/i&gt;) pura verdade. Curiapeba existe além da ficção de Th. Se nada mais justificar a tua presença na ficção nacional – penso ao contrário – Curiapeba permanecerá, a exemplo de Macondo, Antares, etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;O pessoal de lá têm consciência disso. Em caso afirmativo, já é hora de alguns vereadores irem cuidando de apresentar uma proposta mudando o nome de Utinga para Curiapeba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Felizes festas e novo ano com disposição... E também tesão... Para criação literária, oxente! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;Abraços do Possy.&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;  &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:78%;" &gt;Antonio Possidonio Sampaio – Santo André – SP&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;   &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-4881538604680973578?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/4881538604680973578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=4881538604680973578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4881538604680973578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4881538604680973578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/aristides-theodoro-visto-pela-crtica.html' title='ARISTIDES THEODORO VISTO PELA CRÍTICA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-6229227705332707667</id><published>2007-10-27T04:50:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:53:49.972-07:00</updated><title type='text'>AI, JESUS, ARRASOU!...</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;AI, JESUS, ARRASOU!...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;      Para meu irmão Juvenal Teodoro&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Véspera de Natal. A pequena Curiapeba regurgitava de gente. Os filhos dos coronéis do sisal voltavam de Salvador e de Aracaju, para as merecidas férias de fim de ano. Os turistas do Sul, em visitação ao Nordeste, atraídos pela beleza da região diamantífera baiana, queriam tudo ver. Maninha de Matos Sampaio, que já havia feito um trabalho de pesquisa e relevo sobre as religiões do Brasil, coletando vasta documentação em Curiapeba, agora escarafunchava todos os becos em busca de Centro Espírita, Mesa Branca, Casa de Xangô e o Diabo-a-quatro. Sempre acompanhada por uns tipinhos barbudinhos, mal vestidos, temperamentais, da USP. O certo é que Curiapeba ficava muito agitada durante esses meses de fim de ano. Tudo era visto, fotografado, esmiuçado. Uns tais de brasilianistas, que se encantaram pelas festas populares do sertão, queriam saber tudo a respeito das catiras, dos fandangos, dos baiões e dos reisados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um certo Bill William, da Universidade de Nevada, resolveu protelar a sua estadia na cidade até o início do ano novo, a fim de ver o reisado, que teria início no dia 6 de janeiro. Bill, com seu português estropiado, entoava trechos da música de folia de reis, sempre comendo frases inteiras da letra:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;"Oh de casa, oh de fora, Santo Reis aqui chegou, ai, ai, meu Deus! Santo Reis aqui chegou, ai, ai!..."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Isso tudo para chalaça dos curiapebanos, que não perdiam a oportunidade para imitar o passo desengonçado e a voz ridícula do gringo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os padres Cosmorâmico Canindé e João Tracajá se desdobravam nas suas atividades paroquiais, pedindo donativos para as festanças que se aproximavam. Walcírio Toneleiros Waluá, um dos melhores prefeitos de todos os tempos, transformava e promovia Curiapeba em uma das cidades mais promissoras do Estado, seguindo os passos do seu antecessor, Antonio Políssilabo Saraiva, que deu início à nova era em Curiapeba. O certo é que tudo crescia e prosperava a olhos vistos e cada morador se orgulhava de sua cidade, mesmo aqueles que fizeram campanha contra a candidatura de Walcírio Toneleiros Waluá, caso do jornalista Aristarco Vieira de Melo, de "Os Sertões", que aos poucos, por não ser um sectário, um dono da verdade ainda reticente, já via com bons olhos a administração do novo alcaide.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Foi numa dessas manhãs de domingo, festiva e ensolarada, que João Xexéu, recém convertido à Igreja &lt;i style=""&gt;Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;, após assistir a um culto fervoroso e aleluiado, dito pelo pastor Genocídio Geronso Garrafino, foi ao banheiro (infelizmente, ao masculino) retocou a pintura, o rímel dos olhos, arrumou a bolsinha inseparável, segurou a "Palavra de Deus" graciosamente entre a ponta do fura bolo e o mata piolho e saiu do templo do Senhor, queimado de fé, com seus passinhos graciosos, que até fazia lembrar uma dama da alta sociedade. Xexéu era uma graça na sua calça preta de laicra coladinha ao corpo, sua blusinha amarela fosforescente, de generoso decote e os sapatos Luiz XV, um arraso para o lugar. Aprendeu esses sestros quando estivera em São Paulo, onde vivera por alguns tempos numa pensão barata de bichas. João Xexéu era de família tradicional de Curiapeba. Por parte de pai, descendia dos Cambaxirra, que dera gente do naipe do velho Clitério Cambaxirra de Jesus Malhado, o famoso Cu-de-Fogo, e por parte da mãe, vinha dos Justiniano Martelete, ramos que já havia fornecido juízes, advogados e políticos carismáticos, de voz redonda, para a glória de Curiapeba. O certo é que João Xexéu, após retornar do Sul, com seu comportamento, foi rejeitado pelos parentes e, daí por diante, passou a fazer de um tudo para desmoralizá-los em praça pública. Tornou-se um revoltado gratuitamente e fazia os maiores escândalos por dá-cá-aquela-palha. Até que um dia, ao passar pela Praça das Boiadas e ouvir a gritaria dos fiéis no templo da &lt;i style=""&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;, resolveu entrar, com a finalidade de provocar um banzé memorável, e, se possível, cuspir na cara do pastor, que exortava, seus fiéis com palavras duras, carregadas de fim de mundo, de fogo do Inferno; isto entre um aleluia! e um apelo para angariar dinheiro, animais e terreno. Xexéu, a exemplo de Santo Agostinho, em Roma, ao ver Santo Ambrósio, ao topar o pastor Genocídio Geronso Garrafino converteu-se ali mesmo e tornou-se, a partir de então, um verdadeiro fanático religioso. Só que não abandonou seus velhos hábitos e trejeitos aprendidos em São Paulo. Por mais que o pastor Genocídio Geronso Garrafino o aconselhasse, não abria mão dos trejeitos; gostava um bocado das suas calças efeminadas, da pintura, do rímel (não sabia viver sem rímel). Afinal, não seria por essas pequeninas insignificância que "Deus Nosso Senhor Jesus Cristo" iria lhe fechar as portas do céu na cara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Nesse domingo, como já foi dito, após tomar a Rua Rumo do Sertão Alto, onde morava, num sitiozinho dos pais, ouviu uma gritaria medonha ao seu lado e ao voltar-se para ver de que se tratava, deparou-se com um velho caminhão, carregado de jogadores, que gritavam em coro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Bicha! Bicha! Bicha!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Outros mais atrevidos e com vocabulário mais vasto, se esgoelavam:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Aí, xibungão! Baitola! Boneca deslumbrada! Macho-franga!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;João Xexéu, sem perder a pose efeminada, sempre nos seus passinhos bem cadenciados, deu um toque na vasta cabeleira negra, suspendeu a "palavra de Deus" de encontro aos incréus e gritou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O sangue de Jesus tem poder!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Nisso, o motorista, um galalau espadaúdo e um dos mais empenhados em desmoralizar Xexéu, (afinal era seu primo), perdeu a direção do carro e foi chocar-se contra um poste da rua, esmagando a frente do velho Ford cara branca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Aí foi a glória para Xexéu, que pondo as mãos para o céu, num gesto de agradecimento ao Senhor, pulou e gritou com voz esganiçada e estridente satisfação:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ai, Jesus, arrasou!... Ai, Jesus, arrasou!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;      Em seguida, olha os jogadores com piedoso desprezo e sai com seus passinhos miúdos, cadenciados, martelando com seu Luiz XV as pedras mal lapidadas do calçamento, em rumo do Sertão Alto, onde ao chegar em casa, dobraria os joelhos em terra e agradeceria ao senhor pela vitória.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;  &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-6229227705332707667?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/6229227705332707667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=6229227705332707667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6229227705332707667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6229227705332707667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/ai-jesus-arrasou.html' title='AI, JESUS, ARRASOU!...'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-6576821467386600961</id><published>2007-10-27T04:48:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:50:25.981-07:00</updated><title type='text'>GENTE DE CURIAPEBA</title><content type='html'>&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;GENTE DE CURIAPEBA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Ovadia de Jesus Jambeiro, filha caçula do velho Clitério Cambaxirra de Jesus Malhado, o Cu de Fogo, e sua mulher Dona Marieta de Jesus Malhado e Hortelã Verde, gente pobre, porém decente, de Curiapeba, trabalhava na Pharmacia Simpatia, de seu Tolentino Novaes, em plena praça das Boiadas, que fica ali, ao lado do templo da &lt;i style=""&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!.., &lt;/i&gt;em frente a outra igreja, a de Senhora Sant'Ana e namorava o jovem advogado Wasculatório Toneleiros Waluá, irmão do conceituado advogado e contista Walcírio Toneleiros Waluá, dos escritórios Polissílabo &amp;amp; Waluá Advogados. Wasculatório, muito católico e recém-chegado do Piauí, onde sua família se entregava ao criame de gado zebu, era um sujeitinho melancólico, desgracioso, amarelinho, metido à moralista e extremamente religioso, que não aceitava brincadeiras de mau gosto e não permanecia por muito tempo ao lado da gentinha desbocada, fedorenta e futriqueira do lugar. Sempre detestou o povinho de Curiapeba. A seu ver, a fina flor da canalha humana, que só sabe falar mal da vida alheia, da maldita guerra de Canudos de seu cismático líder religioso, para os quais o tal não passava de um santo, do qual falavam por horas e horas, quase que em êxtase, viviam enfiados nas macumbas, que proliferavam pelos sopés dos morros, no espiritismo, e em tantos outros passatempos, que ao ver de Wasculatório, não passavam de coisas que só servem para o embrutecimento do espírito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Wasculatório conhecera Ovadia de Jesus Jambeiro, assim que chegou a Curiapeba, num dia de grande caganeira, após comer à tripa solta, em companhia do poeta andreense João Emílio Krauser, uma buchada de bode, na casa do padre Joaquim Torres Barrada (espanhol glutão, que se apaixonou perdidamente pelos guisados e docerias regionais). O rapaz foi à farmácia Simpatia, comprar um remédio e topou com a linda moça, que o olhou com enternecimento. Daí por diante, foi um passo e os dois começaram a se gostar. Achou a menina muito bonita: alta, morena clara, cabelos compridos, rosto bem delineado, olhos negros, rasgados, sonhadores, fartos seios e um traseiro (ai, delícia!) invejável... as más línguas professoravam, quando se referiam ao causídico recém chegado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Vejam só, o coroinha do padre Cosmorâmico Canindé até que sabe escolher mulher, apesar da feiúra e do seu beatismo. Olhem o rabo invejável da sua namorada!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ovadia, todas as manhas, quando ia para o trabalho, ao passar diante da venda da negra Ostoporina Suspirova, coçava a cabeça de um papagaio falador (terror da cidade), que a negra possuía e que ficava empoleirado em um pau, preso à parede e dizia, insultando a ave faladora:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Papagaio! Pa pa gai o do cu pelado. Dá o pé, papagaio do cu pelado, dá o pé!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O papagaio revirava os olhos, arrepiava-se todo e não dizia nada. As vezes, olhava a moça com olhos pidões e ficava muito excitado, num verdadeiro estado de êxtase, como que a agradecer a "Deus Nosso Senhor Jesus Cristo", por tanta atenção vinda de uma verdadeira formosura como aquela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um domingo, ao saírem da missa das 9, todos em roupa domingueira: Ovadia ao lado de Wasculatório, Dr. Walcírio ao lado de sua esposa, Dona Délia (uma caboverdeana muito viva, muito culta, agitadora cultural e política do lugar), Dr. Antonio Polissílabo Saraiva ao lado de Dona Clotilde e do filho Tavinho que, por sinal, ciceroneavam uma talzinha de Maninha de Matos Sampaio, socióloga arrogante, emproada e sabichona, que nessa época andava às voltas com uma pesquisa de mestrado que versava sobre o fenômeno das religiões no Brasil e o poeta Moisés Amaro Dalva, recém convertido ao catolicismo, que a convite de Wasculatório, foi conhecer Curiapeba, acompanhavam os grandes da terra, que se dirigiam para o centro da praça, ao lado do coreto, onde batiam um ligeiro papo e em seguida cada qual tomava a sua direção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao passarem defronte da venda de Ostoporina Suspirova, Ovadia de Jesus Jambeiro, numa atitude arrebatadora, soltou-se do braço do namorado, caminhou com passos graciosos de mulher bonita ao encontro do papagaio que fazia suas acrobacias virando e revirando-se no pau da gaiola; bateu palmas, como que a chamar atenção de todos para a sua intimidade com o louro e disse, numa entonação acentuada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Papagaio! Papagaio. Dá o pé, dá o pé, loro!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O bicho, que durante anos, nunca respondeu às indagações da moça, virou os olhinhos fosforescentes e perguntou, entortando graciosamente a cabeça para um lado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– E o cu pelado?... E o cu pelado?...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Deixando a moça em palpos de aranha e os presentes, uns rindo-se à bandeira despregada e outros, caso do poeta Moisés Amaro Dalva, a se benzerem, diante da atitude pouco dócil e imoral da ave pornográfica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Wasculatório, por sua vez, ficou que não sabia onde enfiar a cara e ao se informar a respeito da intimidade de sua namorada com o passarinho, pôs um ponto final no namoro, pois, como bom filho de "Maria, Mãe de Deus nosso senhor Jesus Cristo" e devoto fervoroso de Senhora Sant’Ana, não iria se casar com uma devassa, uma depravada como aquelazinha, que andava de bem e a manter diálogos pornográficos com uma ave tão chula, tão nojenta como aquela da negra Ostoporina Suspirova, que vivia ali na praça pública, na maior gandaia, acintosamente a insultar, a escandalizar, a enlamear toda a gente de bem, que por ali passava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-6576821467386600961?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/6576821467386600961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=6576821467386600961' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6576821467386600961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6576821467386600961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/gente-de-curiapeba.html' title='GENTE DE CURIAPEBA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-4705819610376882380</id><published>2007-10-27T04:46:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:48:40.654-07:00</updated><title type='text'>UMA GAROTA LIBERAL E SEU AMANTE CIUMENTO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; font-style: italic;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;UMA GAROTA LIBERAL   E SEU AMANTE CIUMENTO&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Oscoliosa Madeira Borborinho, de ancestral família portuguesa, chegada à Bahia em 1549, por ocasião do desembarque de Tomé de Sousa, fazendo parte daquelas 1000 pessoas destinadas à construção da cidade e cúmplice também pela fundação de Curiapeba, no século XVII, quando avançavam as boiadas pelas terras devolutas do sertão. Após o primário, ginásio e colegial, bem feitos na cidade natal, nos ginásios Castro Alves e Gregório de Matos, pretendia cursar Direito, em Salvador, influenciada que fora pelo Dr. Antonio Polissílabo Saraiva, ex-prefeito e advogado bem sucedido, por sinal, seu vizinho, ali na Rua Gonçalo Alves. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Oscoliosa era bonita e desde tenra idade desejou ser uma mulher diferente de suas conterrâneas. Sempre teve admiração pelas mulheres voluntariosas, gostava um bocado da mitológica Safo, da velha Grécia, de quem aprendera, no ginásio, fragmentos de seus poemas. Lera com sofreguidão alguns romances de George Sand, Adan Bede, de George Eliot em inglês e alguns poemas de Emily Dickinson, autoras de sua predileção, e não queria, de forma alguma, ser mais uma submissa, como sua mãe, a velha Maria Verônica Madeira Borborinho e tantas outras mulheres que viviam oprimidas por seus maridos. Tinha uma certa admiração por Maninha de Matos Sampaio, embora com reservas. Achava a autora de “&lt;i&gt;Sertão: com destaque ao pássaro Sofrê e outros bichos vertebrados e invertebrados da Chapada Diamantina baiana&lt;/i&gt;”, muito conservadora, por que não dizer, mesmo quadrarona, que só se ocupava com as belezas da região, escrever seus livros caretas, com motivos regionais, viagens e seu casamento com Zito Borborema. Com ela, Oscoliosa Madeira Borborinho, não e não violão. Isso estava definitivamente fora de suas conjecturas. Queria formar-se em Direito e ser uma mulher livre, dona do seu nariz, sem que ninguém se imiscuísse em sua vida. E foi assim que começou a colecionar namorados a esmo, sem se preocupar com posição social, cor da pele e mesmo beleza. Queria apenas que o dito cujo fosse macho e bom de cama. Namorou vários coleguinhas de classe, bem como outros rapazes da cidade. Até que se enrabichou por Mirinho Boca de Fogo, irmão caçula de Tuntunca Muquirana, músico ligado à turma de Talinho Malino de Menezes e da porto-riquenha Berenice Orozco Villas, que tentou ditar normas no âmbito cultural de Curiapeba, o que a levou a se atritar por várias vezes com o rombudo Aristarco Vieira de Melo, majorengo enfezado, que tinha “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;” como trincheira, de onde vomitava seu veneno mortal, sendo admirado até à medula por uns e detestado mortalmente por outros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O namoro de Oscoliosa com Mirinho Boca de Fogo fora a gota d’água e a família, de há muito escandalizada com as presepadas da filha, mais que depressa providenciou a ida da fulaninha para Salvador, isso após matricular a mesma na faculdade de Direito e arrumar acomodações na pensão de Madame Frufru Vailant, ali na Baixa dos Sapateiros, num velho casarão reformado e pintado com as cores da bandeira francesa (isso sem esquecer o indefectível galo gaulês estampado na fachada). Madame Frufru era metida (embora que decadente) e não aceitava (ou fingia) qualquer um no seu estabelecimento. Dava preferência às pessoas &lt;i style=""&gt;de fino trato&lt;/i&gt;, que pelo menos balbuciassem algumas palavras na “peregrina língua” de Voltaire (1694-1778) e Balzac (1799-1859). Não se cansava de dizer que “naquela noite dormira com Balzac nos braços”. A seu ver, eram os dois maiores escritores do mundo, bem maiores do que Ovídio, Dante, Cervantes, Tolstoi e tantos outros grandes, a quem dizia haver lido. Foi nesse ambiente que Oscoliosa passou os primeiros meses em Salvador. Até que, injuriada com Madame Frufru, por não lhe permitir dormir com seu namorado na pensão, bateu-se em retirada, indo morar numa república, perto da faculdade. Chegou a provocar, por essa época, os maiores tendepás entre os rapazes, que se atracavam no murro e na pernada, em disputas ferozes, como cães danados, pala posse da fêmea fatal. Oscoliosa achava uma tremenda graça em tudo aquilo. Sentia-se poderosa, vendo-se como objeto de disputa entre os homens que gostavam de mulher. Logo que passou a morar na república, a cada noite dormia com um homem diferente. Os pais, quando souberam do que vinha acontecendo, foram a Salvador e tentaram dissuadi-la daquela promiscuidade, inutilmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Em umas férias, voltou a Curiapeba e convenceu os pais a dobrarem-lhe a mesada e, ao retornar às aulas, na capital, levou consigo o namoradinho sertanejo, Mirinho Boca de Fogo (o apelido veio pelo rapaz ter os lábios fouveiros), para uma casinha previamente alugada, na periferia de Salvador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os primeiros dias de casa nova e amante correram às mil maravilhas, mas como Oscoliosa nunca respeitara namorado algum, assim que voltou a estudar, passava as noites com Mirinho na cama e as tardes, após os deveres da faculdade, saía com outros rapazes pelas ruas, aos beijos e abraços, isto quando não terminavam em um quarto de hotel barato do cais do porto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Mirinho, sertanejo desconfiado, logo percebeu que os modos da moça não lhe agradavam. A coisa ficou mais palpável quando teve de se ausentar por um dia e, ao retornar, antes do tempo previsto, para sua surpresa, encontrou a amante com um certo Pederewiski, colega de faculdade, por quem Mirinho já havia notado ter ela, uma certa queda no que era correpondida. Boca de Fogo, desse dia em diante, passou a vigiar mais de perto os passos da moça e, por ocasião de uma festinha na república, percebeu que a estudante só dançava com o tal de Pederewiski, sempre de rostos coladinhos e a se beijarem, sem nem mesmo respeitarem a sua presença, Mirinho, muito queimado com o que estava acontecendo, chamou a atenção de Oscoliosa, que ignorou os protestos do rapaz. Engoliu no balcão uma dose dupla de vermute e abandonou a festa, arrastando o novo namorado pela mão, em direção ao cais do porto, sem dar a mínima satisfação ao sertanejo, que os acompanhou de longe e viu quando os dois entraram num hotel de terceira categoria. Mirinho aguardou os amantes por mais de duas horas, até que os dois, com ar de saciedade, desceram as escadas e seguiram a orla marítima, abraçados e a se beijarem, quem sabe, prelibando a separação, onde cada qual tomaria direção oposta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Mirinho Boca de Fogo, munido de um porrete apanhado num monte de lenha de uma padaria, esperou que o casal tomasse distância do hotel e, no momento aprazado, atingiu Pederewiski com uma cacetada monumental, arrebentando-lhe dois dentes e quebrando-lhe um braço e o pau da venta. O Apolo baiano ficou irreconhecível, em petição de miséria, lavadinho em sangue, e Oscoliosa, por sua vez, apanhou a ponto de não levantar e, quando acordou, já dia alto, com a ajuda da polícia, tinha o olho direito vazado e parte do rosto e do ventre cheios de hematomas. Mirinho, por sua vez, entrou clandestinamente num velho cargueiro panamenho, que zarpava do cais da Bahia, só reaparecendo em Curiapeba vinte anos depois, já de cabelos brancos, cheio de tatuagens nos braços, nas pernas, nas costas, e com várias histórias marítimas a contar. Por essa época os pais de Oscoliosa haviam morrido e a fortuna da família, após ruidoso arrolamento e dívidas astronômicas a pagar, evaporou-se, e a ex-moça fogosa (agora totalmente desmoralizada), que despedaçava corações masculinos, não terminando a faculdade, era uma mulher feia, envelhecida precocemente e com o olho direito vazado, nada mais lembrando aquela beldade do passado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 07/02/2006&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-4705819610376882380?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/4705819610376882380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=4705819610376882380' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4705819610376882380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4705819610376882380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/uma-garota-liberal-e-seu-amante.html' title='UMA GAROTA LIBERAL E SEU AMANTE CIUMENTO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-8886652017003130235</id><published>2007-10-27T04:42:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:46:10.815-07:00</updated><title type='text'>O VAQUEIRO E O DIABO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;O VAQUEIRO E O DIABO&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 1cm;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 3pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Foi o pé do diabo! o diabo andou por aqui!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;                                                  Álvares de Azevedo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Zé Coco chegou na feira de Curiapeba logo pela manhã. Comprou os trens que a mulher lhe havia encomendado, colocou-os no alforje, amarrou-o atrás da sela, na garupa do cavalo que ficou na entrada da cidade, e voltou para a feira, precisamente para a venda de Olegário Doca, para comer água, juntamente com outros colegas, amantes da branquinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao entrar na venda, encontrou-se com Cosme Theodoro, Toroco e Felipe Cana Doce. Tomaram a princípio, algumas lapadas de chica-boa e vinho de jurubeba. Cosme Theodoro comprou um litro de querosene, café em grãos, sal, sabão, anil, alguns metros de bulgariana e retirou-se, acompanhado por Toroco e Lunguinho Frajola, debaixo de protesto dos amigos, que diziam:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Véi Cosme, é cedo ainda, home, vamo come água. Num vai agora, não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Felipe Cana Doce e Zé Coco que estavam já calibrados, viram Timóteo Morubichumbo, Zé Pevide e João Cachorro, todos já altamente alcoolizados e redobraram as doses de chica-boa, agora misturadas com rabo-de-galo, conhaque e outros destilados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;João Cachorro, que era muito arreliento, logo começou a dizer:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Aqui, nessa cabeça-de-porco não tem homem, pois se tivesse pulava em mim, pra ver com quantos paus se faz uma cangalha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Zé Coço, arrogante, forte e soberbo que nem uma mula, tomou a provocação na unha e deu um trompaço tão grenado em João Cachorro, que o colocou por terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Aí, se pôs a contar garganta e a desacatar tudo e todos. Em pouco tempo estava sozinho, os amigos fugiram antes de serem envolvidos em suas arengas. Zé Coco batia na tábua dos peitos e dizia com toda arrogância do mundo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;— Aqui nessa desgraça não tem homem que enfrente Zé Coco. Zé Coco é macho e não maxixe. Do modo que estou enfrento até o capeta, se ele quiser ver que apareça. Vem capeta, se é que você existe. Vem, vem!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A Nega Valei-me tinha uma barraca de comida na feira e se encarregou de dar uma xícara de café sem açúcar ao valentão que, após sorver o amargoso líquido, melhorou um pouco. Sentou-se num banco que havia debaixo de um pé de umbuzeiro da praça, descansou um bom tempo, montou no seu cavalo e seguiu viagem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;No lusco-fusco da tarde, precisamente ao se aproximar de uma encruzilhada, perto do Rio das Voltas, pois ia para Malhadinha, começou a sentir um forte odor de enxofre queimando e logo em seguida o tropel de um animal em disparada. O capiau ficou atento e logo apareceu à sua frente um homem branco, de olhos azuis, muito bem apessoado e puxou conversa. Falava bem e após algumas palavras, retesou-se todo, passou a soltar fogo pelas ventas e perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Você sabe quem sou eu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Sei não, sinhô - disse Zé Coco acovardado, num verdadeiro cagaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Pois fique sabendo que sou o diabo, a quem você chamou há pouco, na feira de Curiapeba.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Tesconjuro — disse o matuto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;O diabo fez uma careta para o sertanejo, deu um peido, acompanhado de uma gaitada debochada e evaporou-se mata adentro, juntamente com seu cavalo negro, deixando o vaqueiro perto de um ataque de nervos e ao mesmo tempo imaginando que o diabo não é tão feio como se diz.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt; *     *     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-8886652017003130235?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/8886652017003130235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=8886652017003130235' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8886652017003130235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8886652017003130235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-vaqueiro-e-o-diabo.html' title='O VAQUEIRO E O DIABO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-3479497581618123265</id><published>2007-10-27T04:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:41:51.508-07:00</updated><title type='text'>COMO SÃO ROQUE SE TORNOU PADROEIRO DE CURIAPEBA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;COMO SÃO ROQUE SE TORNOU PADROEIRO DE CURIAPEBA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;(de uma estória popular)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Contam os mais velhos moradores de Curiapeba, que em 1897, quando ainda reboavam nos contrafortes da Serra de Itiúba os estrondos dos canhões do General Artur Oscar, destruidores do povoado de Canudos, que o padre Giracino Bembém de Arruda Real, filho de tradicional família fundadora da cidade, juntamente com o prefeito Ciríaco Fernandes Sobrinho, também de cepa abastada da redondeza, famosa pelos latifúndios e o farto criame de gado zebu, resolveram escolher para padroeiro da cidade, São Roque, pois, além de prestarem uma homenagem ao pai do prefeito, era, segundo os dois, um santo milagreiro e muito sério.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Assim munidos de tamanho ideal patriótico, enfeitaram a cidade para o evento, aproximante. Pintaram e embandeiraram a Praça Gregório de Matos, onde fica a igreja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ciríaco Sobrinho, muito católico, anteviu naquela cerimónia festeira um meio de recuperar o tempo perdido e se promover junto aos munícipes e a outras cidades vizinhas: afinal se aproximava o término do seu governo inexpressivo e o alcaide sonhava se eleger deputado, pelo seu Estado, nas futuras eleições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Após discutirem o plano no Salão Dois de Julho da prefeitura, ficou acertado que depois dos panegíricos do prefeito e do juiz, seria a vez de o padre Ciracino derramar a sua oratória barroca em cima dos fiéis. Teria de fazer um discurso comovente, político e não se esquecer de mencionar por várias vezes o nome do santo padroeiro, a fim de ficar indelevelmente gravado na mente de cada fiel. Ciríaco Sobrinho temendo que o padre, mesmo sendo homem da sua confiança, não enfatizasse como deveria o nome do santo, propôs-lhe que cada vez que o nome fosse pronunciado, o vigário ganharia a importância de cinco mil-réis. O padre, ao despedir-se do alcaide, foi para casa com aquele dinheirame na cabeça e passou a pensar o discurso que teria de ser improvisado, na melhor maneira baiana, como era do seu costume. Na hora H, após o discurso vibrante, inflamado e patriótico de Ciríaco Sobrinho e do meritíssimo Dr. Armandino Cattelão da Silva Dourado, o padre todo paramentado, subiu ao púlpito, fez uma mesura, temperou a guela, esfregou as mãos e suspendeu a direita em forma de bom declamador e irrompeu com seu vozeirão rouco e pausado:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– &lt;span style=""&gt;Meus filhos, bom povo de Curiapeba, como todos nós sabemos, hoje é dia de São Roque (pensou consigo mesmo, pingou cincão no meu bolso) e assim sendo, aqui estamos nesta manhã maravilhosa, para inaugurarmos a igreja de nossa cidade, cujo patrono é o milagroso São Roque (mais cinco = dez). São Roque andou com São José e Maria, mãe do Menino Jesus pelas terras da Palestina e cada vez que o nosso São Roque pegava no serrote, para aparar uma tábua ou uma viga, se ouvia o serrote de São Roque fazer: roque, roque, roque, roque!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;E assim prosseguiu o padre Giracino Bembém de Arruda Real na sua oratória redundante e repetitiva até que o prefeito Ciríaco Fernandes Sobrinho, já vendendo azeite às canadas e ao mesmo tempo assustado com a fertilidade inventiva do vigário, levantou a mão a fim de que ele parasse o discurso que já estava se tornando quilométrico e caro em demasia para os dilapidados cofres públicos da pobre Curiapeba.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-3479497581618123265?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/3479497581618123265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=3479497581618123265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3479497581618123265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3479497581618123265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/como-so-roque-se-tornou-padroeiro-de.html' title='COMO SÃO ROQUE SE TORNOU PADROEIRO DE CURIAPEBA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-7666636116652905466</id><published>2007-10-27T04:35:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:37:58.728-07:00</updated><title type='text'>O HOMEM QUE LIQÜIDOU UM TROVÃO A TIRO DE CLAVINOTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;O HOMEM QUE LIQÜIDOU UM TROVÃO  A TIRO DE CLAVINOTE&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Delorido da Silva, uma espécie de capataz da Fazenda Ouricuri do Norte, num sábado, após a feira de Curiapeba, montou sua burra cardã e seguiu viagem rumo à fazenda. Após alguns goles de catilóia, deixou a cidade já ao anoitecer, com o brilho estranho, fantasmagórico, de uma meia-lua mofina, que anunciava chuva dentro de alguns instantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O tabaréu vestiu a capa boiadeira, que trazia na garupa da cela, a fim de proteger da chuva o clavinote que carregava para o caso de uma emergência. Já havia cortado muito sertão, quando uma chuva torrencial, com muitos ventos, raios, relâmpagos e trovões desabou sobre a terra, deixando o viajante apreensivo. A certo ponto da estrada, após um relâmpago incendiário ter cortado o céu de norte a sul, avistou a sua frente duas montanhas em forma de bola de neve - uma monumental, grandalhona, estúpida, e outra menorzinha - que tomavam quase toda a totalidade da estrada. O homem, ao se aproximar das inusitadas bolas, teve a impressão de não haver condição de passagem, pois a bola grande tomava mais da metade do caminho, e a menorzinha, por sua vez, não lhe permitia esgueirar-se pelo lado direito do terreno, que era esconso, despenhoso. Delorido da Silva, muito assustado, indagou, como se interrogasse uma pessoa:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Quem vem lá? É de paz?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Nenhuma resposta. Mas, a seu ver, as bolas passaram a se mover em sua direção. Teve mesmo a sensação de ter ouvido estas palavras saídas da boca de uma delas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Pega ele, pega ele!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;        Delorido da Silva, que há muito já estava de cabelos arrepiados, não vacilou um só minuto, puxou o clavinote de debaixo da capa e atirou na bola menor, que produziu um forte estrondo, acompanhado de uma luz azulada, que jogou o homem, juntamente com a alimária, a alguns metros de distância, em cima de uns pés de unha-de-gato. Em seguida, após levantar-se todo enlameado por um barro vermelho, pegajento, apanhou a espingarda e cautelosamente aproximou-se da segunda bola, onde constatou, segundo suas conjecturas de matuto, tratar-se de um trovão caído e não explodido, que ao ser ferido pelas balas do clavinote sofreu a desintegração, deixando o homem horrorizado e ao mesmo tempo agradecido a São Roque e Senhora Sant'Ana, padroeiros do lugar, por não ter ele atirado logo de cara no trovão maior, de explosão fulminante, que por certo lhe teria acabado de uma vez por todas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-7666636116652905466?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/7666636116652905466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=7666636116652905466' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7666636116652905466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7666636116652905466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-homem-que-liqidou-um-trovo-tiro-de.html' title='O HOMEM QUE LIQÜIDOU UM TROVÃO A TIRO DE CLAVINOTE'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-8079860870456376432</id><published>2007-10-27T04:32:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:34:43.140-07:00</updated><title type='text'>O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO E O BARBEIRO ANACLETO PEREIRA SAMPAIO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO  E O BARBEIRO ANACLETO PEREIRA SAMPAIO&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;O coronel Dromedário Carmelinho, homem temido em toda a Curiapeba, fazia a barba, todas as manhãs, ali no número 11 da Praça das Boiadas, na Barbearia Sol a Pino, com Anacleto Pereira Sampaio, que era um dos melhores barbeiros da cidade. Freqüentava o seu estabelecimento há mais de cinco anos. Era freguês exigente, não respeitando ordem de chegada e queria sempre uma barba bem feita, que lhe deixasse a pele lisinha, sem a menor sombra de irritação. Anacleto se detinha um tempão sem fim, escanhoando aquela barba cinzenta, duríssima e muito serrada, daquele carão vermelho, balofo, que, diga-se de passagem, não lhe pagava tão bem assim, para o que exigia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Num fim de ano, véspera de Natal, com a cidade abarrotada de gente, filhos dos coronéis do sisal e do diamante, que estudavam em Salvador, Feira de Santana, São Paulo e Rio de Janeiro, sem contar os turistas de outros estados e as vezes mesmo do exterior, que, devido às belezas da região. enchiam a cidade a qualquer época do ano, chovesse ou fizesse sol. Sempre ciceroneados por Maninha de Matos Sampaio, que aproveitava a oportunidade para fazer propaganda do seu novo livro: 'Sertão: com destaque ao pássaro Sofre e outros bichos vertebrados e invertebrados da Chapada Diamantina baiana, e aqueles barbudinhos temperamentais, enxeridos, de calcas frouxas e óculos fundo de garrafa da USP, que se metiam em tudo, com uma curiosidade visguenta, procurando registrar nos seus caderninhos ensebados, as coisas mais banais deste mundo. tais como urro de jegue, berro de vaca, trepada de cães, brigas de galos e canários da terra, pescaria de munzuá e cobós nas locas de pedra e tantas outras besteiras, características de gente que não conhece o interior. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Numa manhã ensolarada de sábado, logo no início da feira, chegou o coronel Dromedário Carmelinho, todo vestido de linho branco, o melhor “Cima”, um verdadeiro HJ inglês, coisa de gente da alta, confeccionados quando em Salvador, com Nania Porongatu, ou em Aracaju, com o mestre Afonso Vicente, alfaiates de sua preferência. Ao entrar na barbearia, notou que Anacleto escanhoava a barba vermelha de um gringão de olhos azuis, norueguês, dinamarquês, como é que vou saber?... O velho coronel mira o gringo com rabo de olho, sem nem mesmo se dignar ver que existiam mais duas pessoas sentadas, aguardando sua vez e diz, de maneira brusca, para o barbeiro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;- Anacleto, vou dar uma voltinha e logo venho para você me fazer a barba. Vê se desinfeta essa navalha e pincel. Não quero pegar lepra desses gringos nojentos, não!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Pois não, coronel. Tem apenas duas pessoas esperando, logo que termine esses aí, espero que o senhor esteja presente para ser barbeado. Quanto à navalha e pincel, os seus estão guardados. São exclusivos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O coronel saiu vendendo azeite às canadas e pensando consigo mesmo: 'nunca esperei por ninguém em minha vida. Porque esse sujeitinho insolente quer agora que eu espere para ser atendido... O certo é que voltou dali a, meia hora e ao entrar, viu que o Dr. Antonio Polissílabo Saraiva estava sendo atendido por Anacleto. Não podia dizer que não gostasse do Dr. Antonio. Afinal era uma pessoa que só sabia fazer o bem. Mas também não lhe era simpático. Esse advogadozinho andava defendendo causas dessa gentalha de merda e desmascarando de vez em quando poderosos da cidade. Lembrou-se do ruidoso processo envolvendo o pastor Genocídio Geronso Garrafino, não fazia muito e a família do velho Traumaturgo Alcandorado Varonil, quando o pastor tentou ludibriar os filhos do velho fanático religioso, e ficar com seu terreno, na Praça das Boiadas, onde tencionava construir a sede da igreja “&lt;i style=""&gt;Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;” Cumprimentou o Dr. Antonio e fez Anacleto ver que a sua paciência estava chegando ao fim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Anacleto, meu nego, quando é que você poderá fazer a minha barba?... Veja que já vim aqui duas vezes e você está sempre ocupado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Sente-se aí, coronel e logo que terminar de fazer a barba do Dr. Antonio, faço a sua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Anacleto, como você está careca de saber, não gosto de esperar nem mesmo para receber dinheiro, quanto mais para ser barbeado. Vou dar mais uma volta e ao retornar, quero que você faça a minha barba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Assim que o coronel se retirou, entra o velho Dunga Rindidunga Polissílabo Saraiva, cumprimenta o barbeiro e o primo, Dr. Antonio. Senta-se e aguarda sua vez, trocando alguns dedos de prosa sobre política e a péssima administração do novo alcaide, Luiz Ignóbil Suíno dos Ovos Sujos, um desastrado, que levava a cidade ao caos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Anacleto, temeroso do que o coronel seria capaz de aprontar, foi logo avisando ao velho Dunga:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Seu Dunga, o coronel Dromedário já veio aqui duas vezes, se porventura ele chegar antes de terminara barba do Dr. Antonio, vou cortar a dele antes da sua. Posso?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Ora, ora, Anacleto, tudo bem... Conosco não tem enrosco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Terminando a barba do Dr. Antonio e como nada do coronel, pediu que Dunga se sentasse na cadeira e começou a ensaboar a barba, quando entra o coronel, inimigo figadal de Dunga e vai logo dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Anacleto, você quer vender a barbearia?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Por que, coronel?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Sempre que venho aqui você está ocupado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Se o senhor tivesse aguardado, já tinha chegado a sua vez, coronel. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Vamos, faça preço nesta bilosca!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Minha barbearia não está a venda, coronel. Só tenho isto de onde posso tirar o pão de cada dia para meus filhos, homem de Deus. Como é que vou vender?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Se você fosse vender, quanto pediria por ela?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Anacleto pára de escanhoar a barba do velho Dunga Rindidunga Polissílabo Saraiva, encara o coronel, enquanto amola a navalha e diz uma cifra astronômica para a época:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Vinte mil réis, coronel. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O coronel, que tinha uma pequena maleta de couro de anta na mão, abre-a, puxa algumas pelegas emboloradas, encara o barbeiro, encolerizado e diz:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Seu Anacleto, aqui estão cinqüenta mil réis. Portanto, uma vez e meia a mais do que você pediu por ela. De hoje em diante a barbearia é minha e não se fala mais nisso. Espero ser atendido aqui quando bem quiser, sem ter de aguardar por a ou b. Depois de mim, você poderá atender os seus clientes normais, de maneira que o lucro seja dividido ao meio. Ouviu?... Pense bem, nisso, meu rapaz... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Senta-se na cadeira, apalpa o revólver no coldre, fecha os olhos e entrega o pescoço à navalha do barbeiro, que desse dia em diante, mesmo contra a sua vontade, passa a ser barbeiro oficial do poderoso coronel Dromedário Carmelinho.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 12/02/2006&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-8079860870456376432?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/8079860870456376432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=8079860870456376432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8079860870456376432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8079860870456376432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-coronel-dromedrio-carmelinho-e-o.html' title='O CORONEL DROMEDÁRIO CARMELINHO E O BARBEIRO ANACLETO PEREIRA SAMPAIO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-7355258196309868776</id><published>2007-10-27T04:28:00.000-07:00</published><updated>2007-10-30T04:43:35.711-07:00</updated><title type='text'>ESPINAFRINDA PEIXE D’ÁGUA VOLTA À CURIAPEBA, SUA TERRA NATAL, APÓS FORMAR-SE EM MESTRA-ESCOLA EM FACULDADES DO SUL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;*     &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;ESPINAFRINDA PEIXE D’ÁGUA VOLTA&lt;br /&gt;À CURIAPEBA, SUA TERRA NATAL,&lt;br /&gt;APÓS FORMAR-SE EM MESTRA-ESCOLA&lt;br /&gt;EM FACULDADES DO SUL&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;É o gado morrendo de fome e de sede&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                                                                                                     &lt;/span&gt;Judas Isgorogota&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Após a seca periódica que constantemente assola o Nordeste brasileiro haver dizimado os roçados, secado os barreiros, matado o gado, os cabritos, os porcos, os cavalos e emagrecido assustadoramente os cães, gatos e homens. Chico Peixe d’Água passou a fazendinha Serrado nos cobres, isto é, vendeu-a para seu Lúcio Butinove a preço de banana, comprou malas, arrumou os trens e, num dia de sábado ensolarado, juntamente com a família numerosa, tomou um trem-de-ferro em Itiúba e se mandou para São Paulo. Espinafrinda Peixe d’Água, nessa, época, tinha apenas seis anos de idade e conservou para sempre um pedaço do seu chão de infância dentro de si. Sempre que os pais saudosos falavam de Curiapeba, a filha querida, na maioria das vezes, com lágrimas nos olhos, lembrava-se das galinhas, da cachorra Mimosa, dos pés de losna e cróton, que a mãe possuía numa gamela velha; do papagaio Tataco, dos bois mortos, das pessoas a se mudarem em direção a paragens melhores, onde as chuvas fossem mais abundantes. O certo é que a menina sempre dizia, fazendo coro ao restante dos familiares, que, um dia, quando Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo mandasse chuvas constantes para o sertão, voltariam definitivamente, todos, numa arribação, se não para a mesma fazendinha, hoje nas mãos de seu Lúcio Butinove, pelo menos para paragens por ali, de maneira que pudessem beber a água da terra natal e irem à feira de Curiapeba aos sábados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A família a princípio fora morar num bairro pobre de São Paulo, onde logo todos passaram a trabalhar, primeiro os rapazes e o velho Chico, em uma construção. Com o passar do tempo, arrumaram coisa melhor em fábricas. Chico, foi contratado como cobrador de bonde da CMTC, onde se aposentou e, os três rapazes, um se tornou militar e os outros dois, Chico Filho e Zelão, conseguiram emprego no grande conglomerado Francisco Matarazzo. Na fabricação de cerâmica, em São Caetano do Sul. Quanto à menina, dedicou-se aos estudos. Excelente aluna, nunca repetiu um ano e, após concluir o colegial, no Grupo Saint-Hilaire, começou a trabalhar e a cursar a faculdade à noite e assim, com muito esforço e boa vontade, dentro de alguns anos estava formada e obtendo uma cadeira na mesma escola onde estudara. Espinafrinda era uma das professoras mais dedicadas da escola e não foi difícil conquistar o alto posto de diretora, posto esse que a enchia de orgulho. Pensava ela: “não cheguei aqui gratuitamente, afinal não passo de uma retirante que, se venceu na vida, foi à custa dos seus esforços”. Após a morte dos pais e a aposentadoria, como tinha se casado já há algum tempo com um rapaz também de Curiapeba, muito trabalhador, e com os dois filhos já senhores dos seus narizes, tendo algumas reservas na poupança, após 50 anos de São Paulo, resolveu ir a passeio à terra natal. Ficaram deslumbrados ao rever Curiapeba, que continuava quase a mesma. O mesmo povinho atrasado, futriqueiro de sempre, que se detinha por horas e horas a contar estórias da guerra de Canudos, de Lampião, Padim Ciço; sonhos mirabolantes, pescarias, caçadas de onça, etc. A pracinha vivia cheia de moleques barrigudos, amarelinhos, lombriguentos; sempre disputando peladas, outras vezes de gaiolas nas mãos aconchavando brigas de canários-da-terra, banhos nos rios e outras diversões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O prefeito Luiz Ignóbil Suíno dos Ovos Sujos, um homenzinho medíocre, um verdadeiro bufão, nada fazia em prol do seu povo, pelo contrário, extorquia a precária verba pública em benefício próprio e de seus apaniguados. Enriquecera de um dia para outro, sendo dono das melhores fazendas da região, perdendo apenas para uns poucos privilegiados, que já nasceram em berço de ouro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Curiapeba, após o implante do Serviço de Colonização peio Governo Federal, que irrigou a região e a transformou em um pólo agrícola, distribuidor das melhores uvas do Brasil e hortifrutigranjeiros por Salvador, Feira de Santana, Aracaju e outras cidades do sertão, teve um certo destaque econômico, destaque esse que pouco contribuiu para uma maior evolução civilizatória do povo. Mesmo assim, Espinafrinda não vacilou em adquirir uma fazendinha, que estava à venda, nas margens do rio Canjica. Queria contribuir, a seu modo, com o seu quinhão para o desenvolvimento de sua terra e de sua gente. Adquiriu ainda um terreno no povoado de Comercinho, onde construiu uma ótima casa. A princípio, com seu exemplo, tentou mudar os costumes primitivos do povo. Suas roças serviam de modelo, eram as melhores; passou a estimular o povo a melhorar de vida, dentro dos seus próprios recursos. Ensinou a adubação orgânica, aproveitando o bagaço de cana dos engenhos e o farto esterco animal que se perdia pelos currais. Forçou o prefeito Luiz Ignóbil Suíno dos Ovos Sujos a limpar o mato que cobria toda a praça do Comercinho, onde o povo defecava a céu aberto. Induziu-o a consertar as pontes do rio e as cercas do cemitério que serviam de combustão para as fogueiras das festas juninas. Enfim, com seus modos agressivos, porém educacionais, mudou substancialmente a cara do vilarejo. Seu nome chegou mesmo a ser cogitado para disputar uma cadeira na Câmara de Curiapeba &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"  style="font-size:85%;"&gt;nas próximas eleições. Espinafrinda brigava por melhorias para a sua vila e foi dessa forma que conseguiu, junto aos poderes públicos, construir banheiros na pracinha do Comercinho, a fim de que o povo usasse os mesmos e não continuasse a contaminar as águas do rio Canjica com fezes e outros detritos nocivos à saúde. Isto fora o pomo da discordia que fez com que os moradores se revoltassem contra Espinafrinda, não aceitando os banheiros públicos, que eram depredados durante a noite. Preferiam defecar no mato. A mulher, com seu ar de líder, enfrentou os desobedientes, aconselhando-os sobre os malefícios dos detritos que contaminavam as águas, a lavoura, etc. O certo é que o povo se uniu contra ela, movendo uma guerra surda, carregada de ironias, risinhos e chacotas, ditos indiretamente. Espinafrinda era evitada por todos. A mulher sentia, pelas costas, sempre um sorriso de mofa. Todos os engenhos que a princípio lhe deram de graça o bagaço de cana e o esterco dos currais, passaram a negar-lhe, nem mesmo vender aceitavam. Voltaram a incinerá-los, como faziam no pas­sado, antes da chegada de Espinafrinda. A mulher, ao notar a reação do povo contra ela, começou a definhar e a sofrer com a ignorância dos seus conterrâneos a quem só procurou fazer o bem. Ficou tão desmoralizada, a ponto de não conseguir comprador para seus produtos agrícolas, antes disputadíssimos por todos. Agora os comprado­res fugiam dela como o diabo da cruz. Até que um dia, após o jantar, sentou-se no sofá da sala e derreteu-se em copiosas lágrimas. Daí por diante, passou a sofrer intensamente, vivia sempre chorando, perdeu a vontade de viver, não se alimentava e sofria de uma fraqueza brutal. Fizera vários exames com renomados médicos de Salvador, Jacobina, Miguel Calmon e Aracaju, que não descobriam nenhuma anomalia em seu estado de saúde. Mesmo assim Espinafrinda definhava a olhos vistos e, às portas da morte, consultau-se com uma pisicóloga em Salvador, que lhe aconselhou a retornar a São Paulo. Segundo a psicóloga, tratava-se de banzo, sim, banzo. Aquela mesma doença que dizimava os negros dos navios negreiros, no período da colonização do Brasil. A mulher mais que depressa vendeu o que possuía em Curiapeba por menos do que valia e retornou a São Paulo, onde, dentro de poucos meses, sempre acompanhada por bons médicos, recuperou as forças e passou a gozar a vida em toda a sua plenitude, como no passado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 50%; text-align: right; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;"  lang="PT"&gt;Toca Filosófica, 10/06/200&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  lang="PT" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:11;"  lang="PT" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-7355258196309868776?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/7355258196309868776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=7355258196309868776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7355258196309868776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7355258196309868776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/participe-da-comunidade-literria.html' title='ESPINAFRINDA PEIXE D’ÁGUA VOLTA À CURIAPEBA, SUA TERRA NATAL, APÓS FORMAR-SE EM MESTRA-ESCOLA EM FACULDADES DO SUL'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-2335058178329955059</id><published>2007-10-27T04:25:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:28:13.331-07:00</updated><title type='text'>A FATÍDICA NOTÍCIA LEVADA POR JOÃO CACHORRO...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;A FATÍDICA NOTÍCIA  LEVADA POR JOÃO CACHORRO&lt;br /&gt; DEIXA OS COLEGAS DE VÉI CORME  THEOBALDO&lt;br /&gt; PROSTRADOS NA FEIRA DE CURIAPEBA&lt;br /&gt;(OU O NOVO LIVRO  DE MANINHA DE MATOS SAMPAIO)&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 3pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-right: 3.35pt; text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;“Cachaça é moça bonita”&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;             &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;Folclore mineiro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;João Cachorro foi quem levou a fatídica notícia, naquela tarde ensolarada de dezembro, aos amigos Zé Coco, Felipe Cana Doce, Lunguinho Frajola, Tibada e Zé Pevide, no fim da feira de Curiapeba, num sábado, isso após as arengas do prefeito Walcírio Toneleiros Waluá, que pedia votos, quase que num corpo-a-corpo, para os seus candidatos, Antonio Polissílabo Saraiva e Wasculatório Toneleiros Waluá (vice). Após uns anos fora da política, Antonio Polissílabo Saraiva pretendia voltar ao cargo de prefeito, segundo ele, para dar continuidade às obras espetaculares que o atual alcaide levava a cabo em Curiapeba. Os turistas do sul espalhavam-se por toda a cidade (para terror dos curiapebanos), sempre guiados por Maninha de Matos Sampaio, a maior propagandista das belezas da Chapada Diamantina baiana, fotografando exaustivamente todos os moradores, relevos e casarões assombrados da região. Maninha se encarregava de arrumar dados novos para o seu próximo livro. Dessa vez, a socióloga emproada e sabichona procurava informar-se sobre pássaros (em especial o pássaro sofrê), borboletas, batráquios, aranhas, rodoleiros, peixes, morcegos, tanajuras e outros bichos vertebrados e invertebrados da redondeza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um barbudinho temperamental, de calça frouxa, fedendo a suor e de óculos fundo de garrafa, da USP, caminhava apressado pelas vielas estreitas e morros próximos à cidade. Queria ver tudo e tudo anotar no seu caderninho ensebado. Pagava bom preço a quem lhe desse informações de um beija-flor do lugar que, segundo notícia que teria sido ventilada pelo historiador Roniwalter Jatobá, com base em dados de uma Universidade Londrina, só existe na Chapada Diamantina, precisamente em Morro do Chapéu, às margens do rio Ferro Doido. Outro, esse um grandalhão desengonçado, com cara de holandês, dinamarquês ou sueco (como é que vou saber sua procedência), queria conhecer mais e mais a respeito do verdadeiro oásis composto por trinta e oito quilômetros quadrados, que se esparrama ao deus-dará, pelos sertões baianos, cobertos por múltiplos verdes, corredeiras, cachoeiras, cânions, montes, serras e vales imensos, cobertos de flores, pássaros e animais de todas as vicidades, onde ficam o famoso Poço Encantado e a tão cobiçada Cachoeira da Fumaça. Maninha de Matos Sampaio, velha conhecedora da região, não parava de falar, gesticular, fumar e enaltecer as belezas da terra. Chegou mesmo a dizer, sem a menor cerimônia desse mundo, que a Chapada Diamantina baiana era a região mais bonita e bem aquinhoada por Deus em todo o território nacional. - menos, Maninha, bem menos!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Como eu ia dizendo, a cabroeira estava sentada no Bar do João Emílio Krauser, ali na Praça das Boiadas, perto da Igreja de Senhora Sant’Ana, e engoliam alentados tragos de chica-boa, amansa-corno, catilóia e outros destilados, sempre acompanhados de tira-gosto, como torresmo, carne assada, grão de galo (receita levada do Bar Diana, de Santo André), ou fumegantes cumbucas de sarapatel, especialidade da casa (gostosura!...), servidos por João Emílio Krauser, Dona Patroa e Samanta. Foi aí, que entrou João Cachorro com ar compungido e foi logo dizendo, com voz fina, esganiçada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Boa tarde, minha gente!... Vocês sabem quem está nas últimas?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Quem!... Quem!... – perguntou assustado Felipe Cana Doce. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Véi Corme Theobaldo – disse João Cachorro, com ar de mistério. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Mas como?... Logo Véi Corme Theobaldo?... – murmurou Ti Bada&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Véi Corme agora é crente – emendou Lunguinho Frajola. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Sim. Ele agora pertence à “&lt;i&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;” do pastor Genocídio Geronso Garrafino – exclamou Zé Coco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Pois é, continuou João Cachorro, de uma hora para outra o homem começou a sentir-se mal. Levaram ele até ao médico e o mesmo disse tratar-se de ferrugem nos ossos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Como?... Ferrugem nos ossos?... – inquiriu Felipe Cana Doce, ingerindo um resto de catilóia que sobrara no copo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Pois é, continuou João Cachorro. Eu também fiquei pasmo com a notícia. Segundo me falou sua nora, Ritinha Cambuquira Saruá, o homem começou a sentir dores por todo o corpo, isso ao deixar a bebida e se entregar de corpo inteiro a Jesus. Quando não mais suportava a leseira, foi ao médico de quem ouviu tratar-se de ferrugem nos ossos, apanhada depois que Véi Corme deixou de beber cachaça e passou a beber apenas água, leite de cabra e a “&lt;i&gt;palavra de Deus&lt;/i&gt;”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Deus me livre de beber água, leite e especialmente a “&lt;i&gt;palavra de Deus&lt;/i&gt;” – disse Lunguinho Frajola, fazendo o sinal da cruz. Eu bem que aconselhei Véi Corme a não entrar pro diabo daquela igreja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Taí, argumentou Zé Pevide. Onde está agora o Deus da “&lt;i&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;”, que não limpa os ossos de Véi Corme?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O médico falou que ele só ficará bom de verdade se voltar a beber. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Eu acho que é o melhor que ele deveria fazer, se escapar dessa – disse Zé Pevide. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– E o que ele pensa?... – interrogou Zé Coco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Ora, ora, o fanatismo do homem é tanto, que prefere morrer a abandonar Jesus – argumentou João Cachorro, baseando-se na notícia dada por Ritinha Cambuquira Saruá. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Então que morra e vá pro inferno o mais rápido possível, levando consigo Jesus e toda a cabroeira do pastor Genocídio Geronso Garrafino – arrematou, colérico, Zé Pevide, que fora acompanhado pelo resto dos presentes em coro: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Morra, Véi Corme!... Morra, Véi Corme!... Morra, Véi Corme!... E vá pro inferno com sua igreja e seus pastores. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 02/08/2004 (Inverno)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153); font-size: 100%;"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-2335058178329955059?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/2335058178329955059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=2335058178329955059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/2335058178329955059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/2335058178329955059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/fatdica-notcia-levada-por-joo-cachorro.html' title='A FATÍDICA NOTÍCIA LEVADA POR JOÃO CACHORRO...'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-6326875722798792280</id><published>2007-10-27T04:19:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:24:19.942-07:00</updated><title type='text'>A CASA ASSOMBRADA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;A CASA ASSOMBRADA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O homem viajou todo o dia por uma estrada poeirenta e às vezes deserta, onde só se ouvia o ruído dos seus próprios passos e o grito dos passarinhos. De vez em quando topava com uma ou outra casinha de beira de estrada, algumas fazendas, tropas de burros; carros de bois, etc. O homem era magro, muito magro, ossudo, de cara pardavasca e brocada de bexiga. Chamava-se Davino Ventania e se dirigia para os garimpos do Gentil do Ouro, em busca de dias melhores, pois a seca inclemente lhe havia torrado os roçados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Saiu da fazenda Rabo-de-Peixe, no extremo leste de Curiapeba e já caminhava há dez dias. Achava-se enfadado e tinha vontade de deitar, descansar o corpo moído do estradar. Ao pôr do sol, deparou-se com uma velha casa abandonada na beira de um rio. Tinha um aspecto senhorial, em que não era difícil perceber os traços de nobreza, de fidalguia do seu passado. Ao lado, os vestígios da senzala e de um engenho, alguns velhos coqueiros, mangueiras, frutas-pão, abacateiros, jaqueiras e outras plantas da região. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O homem entrou na residência por uma porta arrombada. Como estava com muita fome, fez um fogo no desativado fogão de lenha, assou carne, comeu, bebeu água, pitou um bom cigarro de palha, armou a rede e deitou-se pensando em ficar por ali alguns dias. Tomar banho no rio, lavar a camisa, colher algumas frutas e, após um bom descanso, seguir viagem. No meio destes pensamentos, caiu no sono. Um sono pesado, que o apagou imediatamente. O homem roncava, de boca aberta, num sono profundo, reparador, quando foi despertado por um grito sinistro, apavorante, que se fez ecoar na vastidão silenciosa da casa. O homem acordou sobressaltado, sem saber a princípio onde estava e com o coração aos baques. Após pensar um pouco, orientou-se e saiu às apalpadelas em direção ao fogão, a fim de avivar o fogo, porém as brasas se achavam apagadas e o fogão cheio de poças d’água, como se houvesse chovido por ali. Davino Ventania, que não era um covarde, voltou para a rede e tentou pegar no soro. Nisso, ouve gritos do lado de fora, ao lado da casa, abre a janela e nada vê, porém as vozes continuam ouvidas embora não entendidas. Um cão latia e uivava na porta da cozinha, uma rês agoniada berrava ao longe e uma porca com uma manada de bacorinhos passou por dentro da casa, aos seus pés, deixando um pestilento cheiro de azedo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMfFVERVVI/AAAAAAAAAK8/UoUrotbRbcQ/s1600-h/Casa+Assaombrada.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMfFVERVVI/AAAAAAAAAK8/UoUrotbRbcQ/s320/Casa+Assaombrada.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125974977292621138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os cabelos de Davino se arrepiaram e aí o homem passou a ouvir um rumor de sinos tocando finados e um desesperado arrastar de correntes, que dava voltas à casa, e uma voz autoritária, com forte sotaque lisboeta que dizia, de maneira colérica:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Vamos, negros desgraçados, puxem esta almanjarra, moam estas canas!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Cruz credo!... – disse Davino desarmando a rede, apanhando os trens e abandonando a casa imediatamente. Ao sair no terreiro, vê à sua frente uma procissão de pessoas vestidas de branco, todas com tochas acesas, que engrolavam uma espécie de oração que não era entendida por Davino. Na cancela, uma cachorra preta, acompanhada de alguns filhotes, investiu contra o homem, quase lhe abocanhando o traseiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O estradeiro, quase a correr, abandonou a fazenda e viajou por uma estrada deserta, escura e silenciosa, onde só se ouvia o grito dos curiangos: “Curiango!... Curiango!...” – e outros viventes noturnos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;        No dia seguinte, muito esfalfado, ao chegar a uma fazenda e relatar o acontecido ao fazendeiro, ficou sabendo que a tal fazenda pertencia a um português do tempo da colonização, homem mau, que mandava judiar de seus escravos até a morte e que, após ser ele assassinado por um negro numa emboscada, a fazenda tornou-se um sítio mal-assombrado, onde não ficava ninguém e aconteciam as mais incríveis estripulias e, bem por isso, era evitada pelos moradores da região, mesmo durante o dia, com o sol a pino.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-6326875722798792280?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/6326875722798792280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=6326875722798792280' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6326875722798792280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6326875722798792280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/casa-assombrada.html' title='A CASA ASSOMBRADA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMfFVERVVI/AAAAAAAAAK8/UoUrotbRbcQ/s72-c/Casa+Assaombrada.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-8521666979328566257</id><published>2007-10-27T04:11:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:17:35.481-07:00</updated><title type='text'>O VELHO E O CÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;O VELHO E O CÃO&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Bithu nascera nos arredores de Curiapeba, filho de pequeno pecuarista e desde os verdes anos ajudara o pai, o velho Nestor de Jesus Malhado, nas lidas diárias. Ora enchiqueirando as cabras, ora pastoreando o gado, ora plantando sisal, feijão, milho, melancia e tantos outros produtos para o sustento da família. Parte dessa lavoura, como o sisal e a cana caiana, era vendida para os usineiros da redondeza e o restante se destinava a feira de Curiapeba, aos sábados. O certo é que Bithu, que vinha dos Jesus Malhado, velha família de há muito radicada na Chapada Diamantina baiana, com alguns mortos na Guerra de Canudos, era um homem queridíssimo no lugar, cumpridor dos seus deveres. Após criar uma família numerosa, resolveu aposentar-se por conta própria, sem nenhuma remuneração por parte do governo. Com todo o tempo a seu favor, morando perto da cidade, ia sempre à praça, ver os amigos, disputar as ruidosas partidas de dados, brigas de galos, de canários-da-terra, corridas de jegues, etc. Dali, foi um passo e logo começou a freqüentar o Cabaçú, lugar de mulheres da vida, que fica ali, atrás do Cemitério e perto do Bar do João Emílio Krauser, na Praça das Boiadas, onde embarafustava-se com políticos e cachaceiros inveterados, como João Cachorro e Felipe Cana Doce. Foi ali que jogou alguns papos fora com o prefeito Antonio Polissílabo Saraiva, que também engolia de vez em quando umas doses de catilóia e era um excelente papo, sem aquela empáfia medonha do seu vice Wasculatório Toneleiros Waluá, catolicão inveterado, metido a besta, que não se misturava com a gentinha do lugar e de quem diziam as más línguas que, depois de ter terminado o namoro com Ovadia de Jesus Jambeiro, passou a se esfregar com garotões, só que em Salvador, para onde se deslocava quase que em todos os fins de semana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Na época, Maninha de Matos Sampaio já vivia às voltas com seus livros e já deixava antever a figura de proa que iria se tornar, não só como escritora, bem como política. O nome de Maninha mais tarde se tornaria uma legenda, conhecido não somente em Curiapeba e adjacências, como também em Salvador e São Paulo, onde estudara e conhecera o seu futuro marido, Zito Borborema, como também no restante ao Brasil e do mundo. Basta dizer que depois do lançamento de “&lt;i&gt;Sertão: Com Destaque ao Pássaro Sofrê e Outros Bichos Vertebrados e Invertebrados da Chapada Diamantina Baiana&lt;/i&gt;”, traduzido para mais de 20 línguas, passou a ser solicitada para lançamentos de suas obras em Roma, Nova Iorque, Tóquio, Madri, Lisboa e tantas outras cidades importantes do mundo. Mesmo assim, Maninha, que aparentemente era um tanto emproada, nunca perdeu o contato com a sua gente e sua terra, de onde arrancava o embasamento para os seus escritos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Bithu, ao se aposentar e passar a freqüentar esses lugares, começou a degenerar-se, isso para espanto da família, que se via em palpos de aranha com as presepadas que o homem aprontava. Jorginho, filho do meio, perdera a conta de quantas vezes fora buscar o pai bêbado, no seu ronceiro carro de bois, isso após aprontar memoráveis banzés pela cidade. A velha Mercedes, que era cardíaca, de tantos desgostos, num dia de Reis, após a visita dos Magos, começou a sentir-se mal, com falta de ar, pôs a mão direita em cima do peito flácido e, num grunhido tenebroso, entregou a alma a Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo, isso após presenciar um ato de grosseria praticado pelo marido, contra Peixotinho, Alferes da Folia de Reis que segundo o velho, espichara os olhos gulosos em cima dos dois peitinhos da sua caçula, Marinice, que se tornava mocinha e era o ai-jesus do velho Bithu, que sempre lhe fazia os gostos e lhe trazia da rua o mais gostosos dos pés-de-moleque ou o mais alvo e suculento docinho de coco baiano, tudo para a sua filha do coração. Bithu, conforme o tempo passava, aprendia novas presepadas na rua, nos puteiros, nas rinhas de galo, no Bar do João Emílio Krauser e não fazia a menor cerimônia em deixar vazar em casa e mesmo na boca do povo todo esse arsenal de safadezas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMdV1ERVUI/AAAAAAAAAK0/X6TzmhXLeiY/s1600-h/Galos1_2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMdV1ERVUI/AAAAAAAAAK0/X6TzmhXLeiY/s320/Galos1_2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125973061737207106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Toda a Curiapeba só falava nos desmandos de Bithu, que caíra em desgraça junto à molecada, que lhe azucrinava sempre que o via. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Tinha a família um grande cachorro preto, Navio, muito manso, que não suportava ver o dono bêbado e logo partia contra ele, com ferocidade de lobo. Parece que chegava a adivinhar quando Bithu estava de porre e se punha a uivar, rosnar e ladrar com violência. A princípio, apenas não aceitava os seus agrados como no passado, porém, com o passar do tempo, conforme aumentavam os porres, o cachorro passou a atacá-lo de verdade e, por mais de duas vezes, chegou a morder-lhe o braço quando se movia em sua direção. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Bithu, para agravar a situação, passou a andar com um grande punhal cangaceiro. O subdelegado Bundinha Trombetas sabia de tudo, mas como Bithu era seu contraparente e o julgava inofensivo, nunca o abordara com o pressuposto de tirar-lhe a arma. Mesmo porque outros cabras também andavam armados em plena luz do dia e por toda a Curiapeba. Até mesmo em dia de feira, quando os soldados tentavam pôr um pouco de ordem no lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;        Num sábado, ao chegar à casa, já tarde da noite, quando todos já estavam dormindo, foi recebido por Navio que, ao sentir o cheiro da catilóia exalado do velho, investiu contra ele com ferocidade nunca vista. A principio, rasgou-lhe as calças, a camisa, os braços, depois passou a investir em direção ao rosto do homem. Bithu, vendo a coisa feia, travou uma luta mortal com o cachorro. Navio apoiou as pernas traseiras no chão e pulou de encontro ao rosto do velho, num visível sinal de quem pretendia esganá-lo através de violentas bocanhadas na carótida. Nisso, Bithu puxou do punhal e esfaqueou a barriga do animal com golpes mortais, levando o cachorro a desistir do seu intento e cair esvaindo-se em sangue. Bithu, por sua vez, também banhado em sangue, tombou exausto, para dar por si no dia seguinte, quando uma nesga de sol esquentava-lhe a cara desfigurada.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-8521666979328566257?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/8521666979328566257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=8521666979328566257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8521666979328566257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8521666979328566257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-velho-e-o-co.html' title='O VELHO E O CÃO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMdV1ERVUI/AAAAAAAAAK0/X6TzmhXLeiY/s72-c/Galos1_2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-4028636149081797360</id><published>2007-10-27T04:06:00.001-07:00</published><updated>2007-10-27T04:10:39.659-07:00</updated><title type='text'>CLAVICÓRDIO TENÓRIO SUÍNO DOS OVOS SUJOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;CLAVICÓRDIO TENÓRIO  SUÍNO DOS OVOS SUJOS&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Clavicórdio Tenório Suíno dos Ovos Sujos, homem branco, de perfil alongado e nariz adunco feito ave de rapina, era alto, de pouca fala, olhos verdes, frios como uma chapa de mar remansoso. Diziam as más línguas que seus ancestrais surgiram na região de Curiapeba, por ocasião dos últimos ribombos dos canhões do General Artur Oscar, destruidores do povoado de Canudos, lá pelos idos de 1897, vindos da Paraíba, de onde fugiram após assassinarem premeditadamente, num dia de feira em Campina Grande, uma família inteira de matutos seus vizinhos, tudo por causa de um infamante apelido, que eles mesmos não sabiam da origem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Clavicórdio nasceu numa Curiapeba ainda marcada pelos estigmas do Conselheiro e sua cabroeira medonha. Seu pai começou, depois das chacinas do povoado beato, como vaqueiro da Fazenda Surucucu. Com o tempo, demonstrando seu bom comportamento, casou-se com Ana Tintol, filha única do patrão, seu Jubelino Tintol, e aos poucos foi tomando a frente da fazenda. Após a morte do sogro, torna-se dono absoluto daquele mundão de terras às margens do Rio Canjica. Quando Clavicórdio nasceu, já encontrou o velho muito rico e tratado pelos vizinhos de Coronel Sidraque. À boca pequena, tinha aqueles que acrescentavam: Sidraque Tenório Suíno dos Ovos Sujos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Clavicórdio, homem sábio e diferente dos seus ancestrais violentos, em vez de matar e morrer por causa de um apelido, fez o contrário. Foi à Paraíba, informou-se a respeito do apodo e, ao chegar a Curiapeba, passou a alardear pelos quatro cantos da redondeza o inusitado do seu nome. Mandou imprimir na Bahia alguns cartões vistosos, onde se via um couro de bode encimando o cartão e o seu nome em letras gordas, retorcidas, feito chifres de pai-de-chiqueiro, com os seguintes dizeres:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMb3FERVTI/AAAAAAAAAKs/3ls11vPCKEI/s1600-h/Clavic%C3%B3rdio.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMb3FERVTI/AAAAAAAAAKs/3ls11vPCKEI/s320/Clavic%C3%B3rdio.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125971433944601906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;E assim a origem sanguinária do passado, que provocou muitas mortes e desavenças em boa parte do sertão, se tornou conhecida até no estrangeiro, graças à tenacidade de Clavicórdio como criador de bode e curtidor de couro. Foi aí que adquiriu outras terras, a partir da Fazenda Tuiuiu, Bodirama e Moquifo, e as encheu de cabras de todas as raças, das quais aproveitava, o leite para o queijo e a pele preciosa para exportação, sem contar a carne deliciosa, que fornecia para açougues da região, até Salvador e Aracaju. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 04/03/1996&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-4028636149081797360?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/4028636149081797360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=4028636149081797360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4028636149081797360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/4028636149081797360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/clavicrdio-tenrio-suno-dos-ovos-sujos.html' title='CLAVICÓRDIO TENÓRIO SUÍNO DOS OVOS SUJOS'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMb3FERVTI/AAAAAAAAAKs/3ls11vPCKEI/s72-c/Clavic%C3%B3rdio.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-3227766268432428368</id><published>2007-10-27T04:00:00.000-07:00</published><updated>2007-10-27T04:05:03.784-07:00</updated><title type='text'>UM FAZENDEIRO NA CAPITAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);font-size:100%;" &gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;UM FAZENDEIRO NA CAPITAL&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Lúcio Butinove, ricaço da região, possuidor de fazendas e mais fazendas na redondeza de Curiapeba e adjacências, onde se dava ao criame de gado zebu, caprinos, suínos e cavalos. Era um homem simplório, que muito mal assinava o nome, embora possuísse um faro assombroso para os negócios. Negociante sagaz, sabia comprar barato e na hora certa, e vender a bom preço, quando bem lhe conviesse. Foi assim que adquiriu a maioria das suas fazendas, comprando-as em período de secas, quando as estiagens medonhas empurravam os pequenos fazendeiros em busca de dias melhores em outras paragens. Lúcio Butinove, muito vivo, assim que adquiria as propriedades a preço de banana, fazia pequenos açudes nas várzeas e quando as chuvas chegavam e enchiam os logradouros, aqueles desertos do passado se transformavam em verdadeiros oásis, onde o. fazendeiro plantava capim-açu. Na época certa, contava-o e enterrava-o no chão, em lugares altos, longe das enxurradas, numa técnica toda especial que conservava a forragem por muito tempo, fresca e apetitosa para os animais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Butinove, já dissemos, era um homem de pouquíssimas instruções e, tirando de Curiapeba, conhecia apenas uma fazenda próxima à Feira de Santana onde, de quando em quando, juntamente com seus vaqueiros, seguia o passo moroso da boiada, a fim de entregar o gadame ao frigorífico. Sempre voltava dali mesmo, nunca se arriscando a entrar na grande cidade, famosa pelo seu comércio de gado, mesmo com a insistência do seu compadre Walcírio Toneleiros Waluá, que lhe franqueara hospedagem na sua mansão, em Feira, onde administrava, juntamente com a filha mais velha, Dra. Coralina Waluá de Jesus Malhado, uma filial da &lt;i&gt;Polissílabo &amp;amp; Waluá Advogados&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Com o rolar dos janeiros, Lúcio Butinove passou a se queixar de várias macacoas. Consultou-se com o Dr. Arlindo Canoeiro Gesteiras, em Curiapeba, que o aconselhou a procurar com urgência um especialista em Salvador, o que lhe causou um verdadeiro calafrio. Acontece que o matuto nunca estivera em Salvador e, devido a isso, relutou em empreender a tal viagem. Em primeiro lugar, achava que os sintomas o abandonariam com o passar do tempo. Como as coisas cada vez mais se agravavam, o fazendeiro, um dia, após muitos padecimentos, encheu a burra de dinheiro, tomou um trem em Itiúba e se mandou para Salvador, onde, a pedido do Dr. Arlindo Canoeiro Gesteiras, deveria consultar-se com um certo Dr. José Veloso Vinhais, cirurgião de renome internacional e dono de fazendas em Curiapeba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao chegar à velha cidade da Bahia, numa tarde de sábado, procurou um hotel, que lhe fora recomendado por seu amigo, Dr. Antonio Polissílabo Saraiva, onde achou tudo muito estranho. Nunca tinha visto tanta gente em sua vida. Tanta luz, tantas mulheres bonitas, tanto luxo. A grandiosidade do mar-oceano e a malandragem do homem da cidade grande. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao jantar no hotel, foi-lhe servida uma tal de maionese, a qual o fazendeiro devorou com sofreguidão. (Era um grande comilão e, na sede da sua fazenda, na Boca da Onça, em companhia do poeta João Emílio Krauser, recém-chegado de São Paulo, e que acabara de adquirir a fazenda Pinhé, à margem direita do Rio das Voltas, traçavam semanalmente saborosos pratos de leitoa assada, buchada de bode, galinha ao molho pardo, capote à moda do sertão e gordos cobós pescados no rio. Tudo isso acompanhado de umbuzada e da mais fina e saborosa cachaça da terra ou deliciosos licores de jenipapo, guabiraba, jambo, ou jabuticaba). Nunca tinha comido coisa tão boa assim. Só conhecia maionese através da falação de seu novo amigo paulista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Assim que voltou para o quarto percebeu que a barriga começava a roncar e, em seguida, foi acometido por um enorme desarranjo intestinal, com muita cólica e vontade de defecar. O fazendeiro, contorcendo-se de dor, olhou para o pátio do casarão e, não vendo nenhum capão de mato, onde pudesse obrar, contorcendo-se todo e, não sabendo o que era banheiro, que por sua vez estava ali, à sua frente, porém de porta fechada, não se deu ao luxo de procurar onde deveria fazer as necessidades fisiológicas. Afinal, não queria passar por ignorante. E assim, no auge da agonia intestinal, foi à mala onde estavam as roupas, apanhou uma meia, desceu as calças grossas de mescla azul, abaixou-se num canto de parede, soltando o barro dentro da meia, a qual pretendia jogar pela janela, no meio do pátio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Após ter se aliviado, amarrou a boca da meia e rodou-a, atirando-a no meio do pátio, mas, como a mesma estava furada, ao ser arremessada no ar, borrifou de excremento todas as paredes, teto, móveis e assoalho do hotel, que em poucos minutos exalavam um forte almíscar de excremento, contaminando as outras dependências do hotel. Em seguida, os funcionários do estabelecimento descobriram de onde emanava o odor e Lúcio Butinove, após narrar a sua versão para o caso, foi expulso do ambiente, que foi lavado e desinfetado, a fim de dar lugar a outro hospede.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;Toca Filosófica, 12/05/2003&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMal1ERVSI/AAAAAAAAAKk/uPMPSllojmY/s1600-h/Advogados.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMal1ERVSI/AAAAAAAAAKk/uPMPSllojmY/s320/Advogados.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125970038080230690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-3227766268432428368?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/3227766268432428368/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=3227766268432428368' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3227766268432428368'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3227766268432428368'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/um-fazendeiro-na-capital.html' title='UM FAZENDEIRO NA CAPITAL'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyMal1ERVSI/AAAAAAAAAKk/uPMPSllojmY/s72-c/Advogados.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-6529055701547694780</id><published>2007-10-26T11:40:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:43:04.052-07:00</updated><title type='text'>MILAGRE EM CURIAPEBA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;MILAGRE EM CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Aquela semana quente do mês de dezembro, vésperas de Natal em Curiapeba, fora dedicada às orações pelos membros da “&lt;i&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;” O templo ali na Praça das Boiadas, em frente a imponente Igreja de Senhora Sant’Ana, pertinho do Bar do João Emílio Krauser (ambiente onde aconteciam quase todos os agitos culturais da cidade), permaneceu aberto todos os dias, desde as seis até as vinte e quatro horas, com seus fiéis fortemente armados com “&lt;i&gt;a palavra de Deus&lt;/i&gt;” e seus pastores escovadinhos, bem penteados, com cabelos engomados com creme de ovo e pomada glostora. Vestindo camisas branquíssimas, sorrisos afivelados e palavras fáceis, comandados pelo pastor Genocídio Geronso Garrafino. Orador tremendo, que praticava curas mirabolantes e tinha poder para expulsar castas de demônios. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Para essa semana de orações, afluíra gente das cidades vizinhas e mesmo de Salvador e Aracaju. Os moradores mais velhos diziam que a quantidade de pessoas na cidade lembrava os dias turbulentos da antiga Canudos do Conselheiro, quando este arengava nas suas prédicas “&lt;i style=""&gt;que o sertão iria virar mar e o mar virar sertão”&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Curiapeba ficou uma semana cheia de pessoas graves, sempre vestindo terno e gravata. As mulheres usando vestidos compridíssimos (quase sempre pretos), sem pintura, decote ou outros adereços que as deixassem mais bonitas, mais jovens ou mais sensuais. Cabelos longos, desgrenhados, e ar sempre triste. Esses viventes estranhos enchiam os becos, pensões e mesmo casas de famílias, que cediam locações a fim de colaborar com os irmãos. Tudo dentro da velha e boa hospitalidade sertaneja. (Foi aí que Jô Barranova, empresária paulista, em visitação à Chapada Diamantina baiana, em sociedade com seu amigo Totonhão Toco Preto Sampaio, pensaram em construir o primeiro hotel em Curiapeba.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os “&lt;i&gt;crentes&lt;/i&gt;” por dá-cá-aquela-palha, abriam a boca no mundo, gritando a todos pulmões, de onde se encontrassem:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O sangue de Jesus tem poder!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Outros se cumprimentavam em voz alta, nas praças:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Paz de Senhor, irmão!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Paz de Senhor!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Amém. Oh! Glória a Deus!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Curiapeba, de tradição católica, ficou chocada com o avanço dos &lt;i style=""&gt;gravatinhas&lt;/i&gt;, como eram conhecidos pejorativamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os oradores se revezavam durante o dia e boa parte da noite, numa gritaria descomunal, provocando reações as mais diversas na população. Uns contra, outros a favor. O padre Alfredo, percebendo que poderia perder uma avultada parcela do seu rebanho, convocou os padres Cosmorâmico Canindé, Giracino Bembém de Arruda Real (já bem velhinho), Barbalino Medrado Trombetas, Joaquim Torres Barrada e o novato Totó Papa Anjo (alcunha adquirida na adolescência, quando despertou no tinhoso moleque uma forte atração por seus colegas de classe, até que fora descoberto, primeiro pelos professores e depois pelos pais, que o levaram imediatamente para um internato em Salvador, de onde saíra bem mais tarde, arrependidíssimo até à medula e vestindo hábitos religiosos) em conciliábulo tupiniquim inesperado, a fim de tratarem com urgência urgentíssima de um plano para barrar o avanço dos protestantes que, como formiga de correição, se alastravam pela cidade. Nessa reunião ficou acertado que os fiéis seriam convidados para as missas que, a partir daquele dia, seriam realizadas com uma maior freqüência, mesmo fora de dias e horas propicias, a fim de fazer frente às “doutrinas espúrias” apregoadas pelos invasores. O padre Joaquim Torres Barrada, com seu sotaque galego, deixou por algum tempo os seus experimentos na cozinha, onde às vezes, em companhia do poeta João Emílio Krauser, se esmerava no preparo de doceria e bebidas regionais, tais como, licor de jenipapo, guabiraba, sapoti, umbuzada, queijo de coalho, galinha à cabidela, leitoa assada (delícias!...); e tantas outras gostosuras da culinária sertaneja. E abria o peito no mundo, todas as manhãs, no púlpito da Igreja Senhora Sant’Ana, advertindo os fiéis contra os perigos do Anticristo, dos falsos profetas, dos fogos do inferno, etc. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os protestantes, por serem muitos, mais disciplinados e com maior veemência, dominavam com seus aleluias, seus glórias a Deus, suas línguas estranhas. Isso quando se punham a exorcizar demônios. Os pastores não se esqueciam de cobrar os dízimos e as ofertas em altos brados, começando pedindo quantias astronômicas, para em seguida diminuir a dosagem e terminar com pedidos irrisórios, de forma que atingissem a todos os presentes que, de forma alguma, poderiam escapar da grande rede coletora:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Meus irmãos, só podemos receber as graças do nosso Deus dando a maior quantidade daquilo que possuímos para a sua obra! Dai e recebei. Dai e sereis abençoados, como diz a santa bíblia. Faziam uma pausa muito bem estudada, liam com voz dramática outros versículos e voltavam a enfatizar que Deus exige, de todos, sacrifícios. Sem sacrifícios não se pode agradar a Deus – sentenciavam enfáticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Amém!... Nós te adoramos, Jesus!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Outros mais exaltados falavam em línguas estranhas e diziam mais ou menos assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Cucute, cucute, cucute, cucute!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O que era entremeado de outras vozes que entoavam em coro: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O sangue de Jesus tem poder!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O Senhor é nosso pai!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os pobres da “&lt;i style=""&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;” cada vez ficavam mais pobres, pois seus poucos haveres eram doados para a causa do Senhor. O padeiro Bernardo Tremembé de Jesus Malhado, ao passar certa manhã, entregando seu pão e leite por Cipoal do Meio, bairro pobre da cidade, ouviu de alguns moradores devotos que, ajoelhados, de olhos fechados, rogavam nas suas preces matutinas que o Senhor lhes enviasse pão para aquele momento, pois ainda não haviam comido nada desde o dia anterior. O padeiro, por sua vez, devoto de Senhora Sant’Ana, ao ouvir as preces se comoveu até às lágrimas, pegou alguns pães do seu balaio, aproximou-se da casa e colocou-os de modo estratégico, a fim de que dessem a impressão que os mesmos haviam caído do céu. Os religiosos, ao presenciarem o milagre, saíram aos berros, espalhando por toda a cidade o ocorrido. Que o Senhor havia ouvido suas preces e como na lenda do maná bíblico derramara uma chuva de pães, a fim de saciar a fome dos seus filhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 28.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Em pouco tempo a notícia se espalhou pelos quatro cantas da cidade e até hoje ainda corre a história do milagre sem se darem conta que os pães ali aparecidos foram deixados pelo bom padeiro Bernardo Tremembé de Jesus Malhado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 2l/12/2005&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-6529055701547694780?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/6529055701547694780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=6529055701547694780' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6529055701547694780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/6529055701547694780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/milagre-em-curiapeba.html' title='MILAGRE EM CURIAPEBA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-8043448851460010923</id><published>2007-10-26T11:34:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:37:23.903-07:00</updated><title type='text'>CATARINA DE MÉDICIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;*     *     *&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;CATARINA DE MÉDICIS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Catarina de Médicis! É isso mesmo, teve esse nome devido ao pai ser dado às leituras dos romances pseudo-históricos de Honoré de Balzac, pedidos pelo Correio em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Toda Curiapeba, por causa dos livros, tinha Seleto da Costa na conta de abilolado, meio gira, virado da bola. Ao nascer a sua primogênita, não teve dúvidas, arrumou os padrinhos (Athanázio Valovelho Clepaúva e sua esposa Medievalina Bilac Valovelho) e levou a menina à igreja de São Roque, na Praça das Aroeiras, a fim de ser batizada. O padre Giracino Bembém de Arruda Real, célebre pela sua oposição aos nomes esdrúxulos, foi logo se opondo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Seleto da Costa, meu filho, basta de esdrúxulo o teu nome. Você sabe quem foi Catarina de Médicis?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Seu padre, só quero que a minha filha se chame Catarina de Médicis. O resto não me interessa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O padre Giracino Bembém de Arruda Real tentou dissuadi-lo, porém o homem, que não estava para conversa mole, foi ameaçando:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Quando é para bater na minha porta em busca de auxílio para sua igreja o senhor sabe fazer, mas na hora de mostrar serviço, fica com exigências. Ou o senhor batiza ela com o nome que eu escolhi ou levo-a para Jacobina e em seguida fecho a tampa da minha burra para a sua igreja. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O padre, de crista caída, temendo cair em desgraça junto ao poderoso ricaço, não teve outra alternativa a não ser batizar a infante com o extravagante nome que o pai ditara-lhe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Catarina de Médicis cresceu bem nutrida e totalmente analfabeta, embora rica e bonita. Sempre dizia Seleto da Costa, com sua ranzinzice matuta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Mulher não precisa aprender a ler. Precisa é de um bom casamento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;E assim Catarina de Médicis casou-se cedo e, após a morte do patriarca e o inventário ruidoso, cheio de disputas jurídicas, que encheram os bolsos dos advogados Antonio Polissílabo Saraiva e Walcírio Toneleiros Waluá, os poderosos da Costa empobreceram dum dia para a noite. Catarina de Médicis, que sofria de prolapso retal e padecia muito com a doença, foi consultar um médico em Salvador, que lhe receitou alguns medicamentos. Ao voltar à Curiapeba, achou que os remédios do clínico eram bobagens e procurou um curandeiro famoso da região, Francinaldo Silveira, que atendia no nº 6-b, da rua Tenente Cel Antônio Tupi Ferreira Caldas, no bairro do Putumuju, que lhe receitou algumas garrafadas e uns banhos de assento, tiro e queda na cura de tais padecimentos e que tinha os seguintes ingredientes: uns três litros de água de tanque apanhada em moringa virgem, na primeira noite de lua minguante, uma barra de sabão de dicuada, uma mão cheia de fumo de rolo desfiado, meia garrafa de catilóia, duas pimentas malagueta tamanho grande, cinco dentes de alho roxo, uma colher de sal grosso, outra colher de vinagre de banana de São Tomé e cinco ramos de urtiga branca. Cozinhar tudo por algum tempo, coar, deixar esfriar e tomar um banho de assento com a água ainda morna. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Catarina de Médicis fez o que o catimbozeiro lhe mandou e ficou em estado deplorável, mesmo às portas da morte, não fossem os cuidados do abnegado Dr. Arlindo Canoeiro Gesteiras, que foi chamado às pressas a fim de aliviá-la do ardor cruel, acompanhado de febre altíssima que lhe incendiava os países baixos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 27pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica 09\05\1996&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;*    *    *&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-8043448851460010923?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/8043448851460010923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=8043448851460010923' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8043448851460010923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/8043448851460010923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/catarina-de-mdicis.html' title='CATARINA DE MÉDICIS'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-3640634933175821820</id><published>2007-10-26T11:30:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:33:29.543-07:00</updated><title type='text'>A CHEGADA DA IGREJA “JESUS VIRÁ, ALELUIA!...” À CURIAPEBA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*    *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;A CHEGADA DA IGREJA  “JESUS VIRÁ, ALELUIA!...” À CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Quando os missionários da igreja “&lt;i style=""&gt;Jesus Virá, Aleluia!..&lt;/i&gt;.” apareceram em Curiapeba, causaram muitos rumores e polêmicas, primeiro por ser a região católica, devota de São Roque e Senhora Sant’Ana; a batalha foi renhida. Os padres Cosmorâmico Canindé e Navalhondo Rodovalho advertiram os fiéis sobre o Anticristo, os falsos profetas. Só que o proselitismo dos missionários protestantes era mais intenso, mais eficiente e falava com mais ênfase a respeito dos castigos do céu e do fogo do inferno, fora as curas mirabolantes efetuadas pelos pastores, destacando-se entre eles o pastor Genocídio Geronso Garrafino, homem bonito, falante, chegado diretamente de São Paulo, que era um orador fogoso, arrebatado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Em pouco tempo, construíram um dos templos mais bonitos de Curiapeba, na Praça das Boiadas, onde adquiriram um grande terreno de esquina, pertencente à família Dromedário Carmelinho e, em casa própria, desenvolveram um grande trabalho de evangelização e arrecadação, a fim de recuperar o que gastaram na construção do templo do Senhor, em tempo recorde. Os pregadores revezavam-se nos cultos por todo o dia e boa parte da noite. Era uma gritaria dos diabos, que servia de chacota para os incrédulos, os inimigos da palavra de Deus, que logo os apelidaram de “bodes”, “terninhos”, “gravatinhas”, etc. Os missionários, em geral, rapazes bem apessoados, bem vestidos, sempre de ternos, gravatas e camisas branquíssimas. Falavam bem e eram mestres na arte de convencer. Ou melhor dizendo, eram exímios vendedores da fé. Nos cultos, pediam dinheiro, animais e carros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O velho Traumaturgo Alcandorado Varonil, homem culto e quase pobre, quando soube dos pastores, a princípio fez mofa. Proclamou-se ateu de carteirinha, vacinado contra qualquer doutrina, porém, com o passar do tempo, foi dar uma espiadinha. “Ver os charlatães”, como disse de início. O certo é que se convenceu que ali estava a verdade e em pouco tempo tornou-se fanático a ponto de brigar com a família, que não estava de acordo com seus novos pontos de vista. Tinha um grande terreno, onde estava a casa. Quando o primeiro filho casou-se, quis construir ao lado, sendo desautorizado pelo velho, que argumentou ter outros planos para aquele terreno. O rapaz desistiu da idéia, alugando uma casa em outra vila, onde construiu o seu lar. Em seguida, a filha mais nova, Barbantina da Luz, casou-se e teve a mesma resposta, quando pretendeu construir no terreno. Por fim, um dia, o velho reuniu a família e argumentou num rompante patriarcal:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Chamei vocês aqui para comunicar que, de hoje em diante, este terreno passará a pertencer à igreja “Jesus Vira, Aleluia!...” O pastor Genocídio vai fazer aí mais uma igreja para adoração do nosso Deus. Aristarco, filho mais velho se opôs dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Meu pai, como é isso? Veja que este terreno também nos pertence. O senhor não permitiu que eu construísse aí e agora vai dar o terreno para a igreja, que não precisa. Como vamos ficar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Caso encerrado! – Quem canta aqui ainda é o galo! – disse o velho irado, com cara de quem tudo pode.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Barbantina da Luz com outros irmãos quiseram argumentar apoiando Aristarco, porém foram silenciados por um “não quero mais saber dessa conversa. Caso encerrado. O terreno pertence à igreja e não se fala mais nisto” – dito pelo velho, que em seguida levantou-se, possuído por todos os demônios e abandonou a sala.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O pastor Genocídio Geronso Garrafino, em pouco tempo, contratou um engenheiro da Prefeitura, e foram medir o terreno, fazer o esquadrejamento e cuidar da planta a fim de construir o novo templo do Senhor, o mais breve possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Aristarco com Mirinho, Amélia e Barbantina da Luz, ao tentarem convencer o pastor de que eram os legítimos herdeiros daquele terreno, tiveram como resposta as seguintes palavras:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Meus simpáticos rapazes, senhora e senhorita, seu pai, o irmão Traumaturgo Alcandorado Varonil (que lindo nome, meu Deus), está em pleno domínio das suas faculdades mentais e acha que a obra de Deus precisa mais deste terreno do que vocês que, por certo, ao tomarem conta disso, acabarão vendendo a preço de banana, para gastarem o dinheiro com coisas ilícitas. Aleluia, Jesus!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Alguns seguidores do pastor fecharam os olhos e gritaram quase em êxtase, com vozes estridentes:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Aleluia, Jesus! Glória a Deus!...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;E, diante da maluquice do velho, com setenta e cinco anos de idade, e o firme propósito do pastor Genocídio Geronso Garrafino de se apossar da terra, não restou outra alternativa aos filhos do velho Traumaturgo Alcandorado Varonil senão recorrer aos serviços dos doutores Antonio Polissílabo Saraiva e Walcírio Toneleiros Waluá, brilhantes advogados da cidade que, após ruidoso processo, obtiveram ganho de causa para seus legítimos donos, deixando assim o pastor Genocídio Geronso Garrafino desapontado com a idéia de construir mais um templo da igreja “Jesus Vira, Aleluia!...” em tão privilegiada Praça de Curiapeba. Acredito que nessa hora, no céu ou no inferno, o velho Traumaturgo Alcandorado Varonil esteja pelejando, com as autoridades competentes; a volta do seu terreno para a tutela do pastor Genocídio Geronso Garrafino e para as glórias de Jesus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: times new roman; font-size: 100%;"&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-3640634933175821820?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/3640634933175821820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=3640634933175821820' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3640634933175821820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/3640634933175821820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/chegada-da-igreja-jesus-vir-aleluia.html' title='A CHEGADA DA IGREJA “JESUS VIRÁ, ALELUIA!...” À CURIAPEBA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-2465022019953495714</id><published>2007-10-26T11:19:00.001-07:00</published><updated>2007-10-26T11:29:20.091-07:00</updated><title type='text'>TALINHO MALINO DE MENEZES E ARISTARCO...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;TALINHO MALINO DE MENEZES E  ARISTARCO VIEIRA DE MELO  MEDEM FORÇAS EM CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Talinho Malino de Menezes e Aristarco Vieira de Melo nunca se deram bem. Talinho detestava o jornalista que, a seu ver, metia o bico onde não lhe era permitido. Aristarco, por sua vez, não era injusto, mas só se referia a Talinho Malino de Menezes no seu jornal “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;” com reservas. Mesmo assim, chegou a ser simpático a algumas de suas composições. Viu mesmo qualidades nos seus primeiros baiões, passando a espinafrá-lo quando o músico, insuflado por um certo Artúrio Quiroga y Orozco e sua mulher, Berenice Orozco Villas, naturais de Porto Rico, levaram alguns intelectuais baianos a se interessarem pelo que havia de mais rebarbativo produzido na América Central. Foi aí que Talinho Malino de Menezes e até mesmo a experiente e sempre louvada Maninha de Matos Sampaio aderiram às propostas dos porto-riquenhos e passaram a compor seus trabalhos segundo normas dos dois, que cagavam regras e patrocinavam viagens dos brasileiros a Porto Rico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Talinho, numa dessas viagens, embriagado pela gaiva dos estrangeiros, ao voltar à Bahia, cheio de ritmos antilhanos, passou a compor guarachas e rumbas, sempre obedecendo ordens dos patrocinadores. Por essa época, já havia escrito e publicado “&lt;i&gt;História da Música no Sertão Baiano&lt;/i&gt;”, que, mesmo com o prefácio de Maninha de Matos Sampaio não evitou que fosse vivamente malhado por Aristarco Vieira de Melo. Talinho, instigado por Dona Berenice, escreveu um novo livro: “&lt;i&gt;A Música em Porto Rico&lt;/i&gt;”, um trabalho sem consistência que, ao ver de Aristarco Vieira de Melo, “&lt;i&gt;estava além do ridículo&lt;/i&gt;”, passando a ser alvo das ferrenhas alfinetadas do jornalista. Isso fora a gota d’água que reacendeu ódios quase mortais dos porto-riquenhos contra o editorialista. Diziam as más línguas que chegaram a tramar um plano para matar Aristarco que, por sua vez, possuía muitos desafetos em toda a redondeza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Aristarco não se acovardou diante das ameaças e redobrou as críticas. Sempre que se referia a Talinho Malino de Menezes no seu jornal, não se esquecia de chamá-lo de “&lt;i&gt;o caribenho de Madame Berenice&lt;/i&gt;”, lançando semanalmente estocadas cruéis, tanto no compositor e sua música, como no seu livro, patrocinado pelos mecenas caribenhos, que redundou em verdadeiro fracasso. Nessas catilinárias o escriba de “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;” não se esquecia de alfinetar também Maninha de Matos Sampaio e seu novo livro, de “&lt;i&gt;estilo duvidoso, fina flor da mediocridade&lt;/i&gt;”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os insultos foram crescendo de ambos os lados. Os disse-que-me-disse corriam mundo. Aristarco levava sempre a melhor, por ser um excelente jornalista e saber dizer as coisas com graça e leveza, o que contaminava qualquer leitor, mesmo os admiradores mais ferrenhos de Talinho Malino de Menezes. “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;”, que saía aos sábados, era disputadíssimo, onde se lia as tiradas contra Talinho e sua “&lt;i&gt;turma caribenha&lt;/i&gt;”, que se reunia no Bar da Orgasmunda Pereira Cruvaldina, ali na Praça das Boiadas, em frente ao Bar do João Emílio Krauser, ninho dos simpatizantes de Aristarco Vieira de Melo. As coisas foram se azedando e num sábado, véspera de Natal, após Curiapeba se rir à bandeira despregada das tiradas estampadas em “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;”, contra Talinho Malino de Menezes e seus patrocinadores, os agredidos, não suportando a chalaça do jornalista, esperaram que esse desse as caras no Bar do João Emílio, o que aconteceu logo após o meio-dia, justamente no auge da feira, a fim de lhe darem um corretivo memorável. Os simpatizantes de Talinho Malino de Menezes, tendo à frente os famanazes João Cachorro, Virgolino Bodão, Tuntunca Muquirana, Felipe Cana Doce, Coreiro e mais alguns cabras marginais da região, agrediram o jornalista com pontapés e empurrões, até que o mesmo, após muito deixa-disso por parte dos presentes, evadiu-se já bastante machucado e refugiou-se numa sala dos fundos do bar. Mesmo assim, o furdunço não parou e as facções se esgoelavam, cada qual defendendo o seu líder. Muitos feirantes entraram na briga e foi um verdadeiro deus-nos-acuda, provocando um terrível corpo-a-corpo no meio da praça, que deixou braços fraturados, caras quebradas, barracas destroçadas, com bandas de porco e bode, sacos de farinha, fava, rapadura, potes, quartinhas, imagens do Senhor Bom-Jesus-da-Lapa, Padre Cícero, Senhora Sant’Ana e tantos outros objetos destroçados, que nem se por ali tivesse passado uma boiada. Talinho teve uma perna luxada, Maninha de Matos Sampaio, por querer apaziguar os ânimos, recebeu uma porrada tão grenada que lhe extraiu dois dentes superiores. Virgolino Bodão recebeu um tremendo cangapé nos quibas, que o deixou às portas da morte. A Praça das Boiadas virou um verdadeiro campo de guerra. O advogado Wasculatório Toneleiro Waluá, por ser um sujeito metido à besta, antipático, não entrou na briga, mas como ia passando pelo local na hora, acompanhado pelo pastor Genocídio Geronso Garrafino, que acabara de sair da “&lt;i&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;”, recebeu um vibrante trompaço, não sabendo nem mesmo de onde viera, que o deixou desacordado. Foi aí que o Cabo Faconeris de Oliveira, juntamente com seus soldados, entrou em cena, distribuindo cacetadas medonhas a torto e a direito, a fim de pôr um basta naquela baderna generalizada. A coisa, quase fora de controle, só teve fim quando o Coronel Benvindo dos Santos Arruda Real, da sacada do seu sobrado, deu alguns tiros de trabuco e fez com que os ânimos se arrefecessem. Quando a poeira baixou, deram por conta que havia dois mortos entre os feirantes e o jumento Marinheiro, do velho Corme Theobaldo Caçapeva, tinha sido esfaqueado e agonizava num canto da Praça dos Jatobás. Enfim, uma pequena arenga entre dois intelectuais de respeito da cidade provocou um tendepá dos diabos, só comparado aos furdunços homéricos, dos tempos dos Coronéis Dromedário Carmelinho e Quincas Boaventura Medrado e Silva, homens de cabelos nas ventas, capazes de matar e morrer em nome dos seus próprios interesses e das suas facções políticas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 24/09/2005 &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Inverno)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:8;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIwZVERVRI/AAAAAAAAAKc/7p6TqYT0Qho/s1600-h/Talinho,+Aristarco,+Maninha2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIwZVERVRI/AAAAAAAAAKc/7p6TqYT0Qho/s320/Talinho,+Aristarco,+Maninha2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125712537610966290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*     *    *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-2465022019953495714?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/2465022019953495714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=2465022019953495714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/2465022019953495714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/2465022019953495714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/talinho-malino-de-menezes-e-aristarco.html' title='TALINHO MALINO DE MENEZES E ARISTARCO...'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIwZVERVRI/AAAAAAAAAKc/7p6TqYT0Qho/s72-c/Talinho,+Aristarco,+Maninha2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-5590823838818307890</id><published>2007-10-26T11:12:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:18:33.433-07:00</updated><title type='text'>MANINHA DE MATOS SAMPAIO DIZ SIM A ZITO BORBOREMA...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; font-weight: bold;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;MANINHA DE MATOS SAMPAIO DIZ SIM A ZITO&lt;br /&gt; BORBOREMA&lt;br /&gt; NO PÉ DO ALTAR, DIANTE DO PADRE GIRACINO&lt;br /&gt; BEMBÉM DE ARRUDA REAL APÓS TANTOS ALTOS&lt;br /&gt; E BAIXOS E CHILIQUES AMOROSOS&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O namoro de Maninha de Matos Sampaio com Zito Borborema se arrastava há tempos, com altos e baixos, brigas monumentais, ameaças de suicídio por parte de Maninha. Términos ruidosos, com chiliques, reconciliações duvidosas e direito a &lt;i&gt;mea-culpa&lt;/i&gt;, de ambos os lados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Como podemos ver, duas personalidades tão diferentes como a água e o vinho, o dia e a noite. Zito Borborema, filho de senhor de engenho da Paraíba, alto, moreno, bonitão, com seu bigode negro, torcido, a Castro Alves, sempre fora um mulherengo incorrigível. Bom orador, poeta razoável, que impressionava muito bem com sua fleuma e um sorriso zombeteiro, porém cativante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Começou seus estudos universitários na Faculdade de Direito do Recife, por onde passou o Poeta dos Escravos e o seu rival. Tobias Barreto de Menezes. Como seus pais, após visitarem a Bahia, a convite de um contraparente, Erotildes Justiniano Martelete, se encantaram por Curiapeba, adquirindo fazendas na região. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Zito, por não gostar da capital pernambucana, transferiu os estudos para Salvador, onde tentou cursar medicina na velha Escola do Terreiro de Jesus. Tudo inutilmente, pois os estudos serviam apenas como álibi legal, a fim de tomar dinheiro dos pais e gastá-lo nos castelos de mulheres, em Salvador, em companhia de outros poetas doidivanas, filhos de fazendeiros do cacau do Sul da Bahia, que, como ele, levavam a vida na flauta, compondo seus primeiros poemas em mesas de bar. Daquele meio, saiu um tal de Petronílio Petrônio da Silva Xibiu, que mais tarde se tornou nome de destaque das letras nacionais, com obras traduzidas em todas as línguas do mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Já Maninha de Matos Sampaio, que, por parte da mãe, vinha de velhas cepas nortistas, de Parintins, no Amazonas e, por parte de pai, dos Matos, nome de destaque da Revolução de 1930, e dos Sampaio, ramo de portugueses espalhados por toda a Chapada Diamantina, especialmente nas margens do Paraguaçu, fez o primário em Curiapeba, o ginásio em Salvador e se diplomou em sociologia na USP, em São Paulo, quando cursava o último ano, numa festa acadêmica, conheceu Zito Borborema, que havia trocado Salvador por São Paulo. Para Maninha, foi amor à primeira vista. Ela, que até ali ainda não tivera namorado, apaixonou-se perdidamente pelo paraibano que, como ninguém, sabia fazer com que as mulheres ficassem, assim que o conheciam, apaixonadíssimas pela sua lábia de bom malandro. Maninha, moça bem comportada, estudiosa, que sabia muito bem onde queria chegar, não percebeu de início quem era Zito Borborema, que, por sua vez, só tinha em mente viver o aqui e agora, numa boa, às custas da família, torrando a fortuna em festanças, bebedeiras com mulheres, etc. Nunca se preocupara em ser alguém na vida. Pensava ele: “&lt;i&gt;Se o pai é dono das melhores terras e bois da Bahia, para que estudar?&lt;/i&gt;”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Maninha, desde o primeiro beijo, ficou siderada por Zito, que nunca levou aquilo a sério. Ainda mais que tinha outras pretendentes, ali mesmo, na USP, muito mais atraentes que Maninha, à sua espera e sem aquela de enrabichamento. Gostava um bocado de uma tal de Evany Vieira Sofrê, de Ribeirão Preto, um vulcão na cama, que não lhe cobrava fidelidade nenhuma, bem como da Ivetinha de Moraes Silveira, de Cantagalo, no Rio de Janeiro, que como ele cursava Direito e também se divertia à &lt;i&gt;la godaça&lt;/i&gt; com Zito, sem nenhum compromisso. Por que aquela baianinha ensimesmada, não tão bonita assim, queria lhe pegar no laço? – não e não – pensava Zito. Sou muito novo para me casar. Outra, o casamento é uma espécie de atraso de vida. Não nasci para tanto. Se posso ter todas as mulheres do mundo, por que ficar preso a uma só? E, diante disso, Maninha não passava de uma mulher a mais na sua vida. Se aceitasse assim, muito que bem, caso contrário, seria uma página virada. Afinal, não tinha quase nenhuma atração por ela. Se caíra na tentação de namorar-lhe naquela noite de festa foi unicamente por falta de opção, por não estarem presentes nenhuma das suas favoritas, e Maninha se imiscuir um tanto timidamente, porém carente, assim que lhe fora apresentada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Maninha não era tão desatraente como Zito a via. Alta, delgada como uma palmeira do carrasco, morena, olhos negros, seios não grandes, porém bem torneados, cabelos escorridos, puxando um tanto para o indígena que herdara da mãe. Dentes fornidos, boca carnuda e um português invejável, ainda que com um forte sotaque nordestino. Em suma, uma bela cabocla brasileira, dessas que enchem os olhos dos gringos que nos visitam. Como ninguém é perfeito, era um tanto geniosa, mandona, determinada e extremamente ciumenta. Quando bebia umas e outras se tornava insuportável, desacatando tudo e todos, mas tinha um ideal na vida: formar-se em sociologia. Afinal seu pai, o velho Cataclismo de Matos Sampaio, era um fiel leitor de Gilberto Freyre. Desde os seus primeiros contatos com a universidade, fora muito aplicada e elogiada por seus mestres, que viam naquela nordestina ensimesmada um futuro brilhante para a nação estremecida. Ainda estudante, fizera uma obra de relevo sobre “&lt;i&gt;As Religiões no Brasil&lt;/i&gt;”, que além de arrancar vivos elogios de mestres carrancudos, leitores comuns e críticos rombudos, como Aristarco Vieira de Melo, de “&lt;i&gt;Os Sertões”&lt;/i&gt;, fora traduzido para várias línguas. O livro fora resultado de pesquisas em Curiapeba, durante as férias, escarafunchando becos catingudos e descobrindo dados valiosos sobre Mesa Branca, Casa de Xangô, Centro Espírita e tradições católicas entre os padres e o povo em geral. Quanto aos dados referentes ao protestantismo, apanhara-os na imensa Biblioteca do pastor Genocídio Geronso Garrafino, majorengo supremo da “&lt;i&gt;Igreja Jesus Vira, Aleluia!...&lt;/i&gt;”, em Curiapeba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Após longo sofrimento, com várias internações em hospitais caríssimos de Salvador, São Paulo e até na Argentina, em procura de melhora para seus sofrimentos, morreu o velho Fustel Pessoa de Borborema, pai de Zito, e logo em seguida a mãe, Dona Ema do Amor Perfeito Arruda Botelho Couve-Flor e Borborema (que Deus a tenha), com diferença apenas de dezesseis dias um do outro. Foi aí que teve inicio o esfacelamento da família Borborema, composta de dez filhos, que procederam à partilha do pouco que lhes sobrara, com disputas jurídicas, em que os advogados Antonio Polissílabo Saraiva, Walcírio Toneleiros Waluá e Wasculatório Toneleiros Waluá se encarregaram do assunto. O certo é que Zito Borborema, depois de tudo dividido, ali, na ponta do lápis, tintim por tintim, amanheceu rico e deitou-se pobre, desiludido. Pois, no frigir dos ovos, não lhe sobrara quase nada e, por mal dos pecados, ainda havia contraído algumas dívidas, tudo por conta da herança. Diante disso, fez uma retrospectiva em sua vida: caminhava para os quarenta anos, início da velhice, não tinha dinheiro nem a menor vocação para advogar. E se pôs a maquinar um jeito de viver bem, sem ter que trabalhar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Por essa época, Maninha de Matos Sampaio acabara de publicar “&lt;i&gt;Sertão: Com Destaque ao Pássaro Sofrê e Outros Bichos Vertebrados e Invertebrados da Chapada Diamantina Baiana&lt;/i&gt;”, que fez da autora uma celebridade. O livro vendeu como água, com direito de traduções em mais de vinte línguas, filmes, uma adaptação para o teatro em Salvador e outra em São Paulo. Zito, que não era nenhum bobo, e como Maninha continuava a assediá-lo, oferecendo-lhe um exemplar do livro com uma dedicatória em forma de pedido de casamento, como um náufrago, agarrou-se à primeira tábua de segurança, pedindo a mão de Maninha, não por ela, isto não, porém de olho em seu dinheiro. E foi assim que, no dia do aniversário da escritora, 27 de março, ficaram noivos, com direito a festa de arromba no sobradão dos Sampaio, que fica ali, na Praça das Boiadas, ao lado do Bar do João Emílio Krauser, onde músicos, justamente os apaniguados de Maninha, compareceram, compostos por Talinho Malino de Menezes na sanfona, Zé Vicente no triângulo, Tuntunca Muquirana no ganzá, Galalau no violão, e João Cachorro, recém-chegado, se encarregou da arenga nos pratos: cheque, cheque, cheque, cheque!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os banhos correram normalmente, conforme os ditames religiosos. Aristarco Vieira de Melo publicou com destaque em “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;” os editais de proclamas, em letras gordas, de um preto lustroso. Zito, que se dizia ateu de carteirinha, foi obrigado (a pedido da família da noiva), a se curvar diante do padre. O certo é que o casamento fora marcado para as 17 horas do dia 27 de maio (Maninha gostava um bocado do número sete), na Igreja de Senhora Sant’Ana, com cerimônia ministrada pelo padre Giracino Bembém de Arruda Real, velho conselheiro da família, que a havia batizado a anos atrás. E foi assim que Maninha de Matos Sampaio, após muita perseverança, choros, pileques homéricos, chantagens e chiliques amorosos, conseguiu realizar seus sonhos de fêmea casadoura, segurando a volubilidade de Zito Borborema que, dali por diante, fingiria ser marido exemplar de Maninha de Matos Sampaio, a fim de melhor dilapidar toda a sua dinheirama, que por lei, após o enlace matrimonial, seria sua, afinal se casaram também no cartório e em comunhão de bens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;Toca Filosófica, 22/03/2005&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIujVERVQI/AAAAAAAAAKU/m3jRpeNCDIY/s1600-h/Os+Sert%C3%B5es+Maninha+Edital_2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIujVERVQI/AAAAAAAAAKU/m3jRpeNCDIY/s320/Os+Sert%C3%B5es+Maninha+Edital_2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125710510386402562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;*     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-5590823838818307890?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/5590823838818307890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=5590823838818307890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5590823838818307890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5590823838818307890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/maninha-de-matos-sampaio-diz-sim-zito.html' title='MANINHA DE MATOS SAMPAIO DIZ SIM A ZITO BORBOREMA...'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIujVERVQI/AAAAAAAAAKU/m3jRpeNCDIY/s72-c/Os+Sert%C3%B5es+Maninha+Edital_2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1652138768349954557</id><published>2007-10-26T11:06:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:11:57.781-07:00</updated><title type='text'>TUNTUNCA MUQUIRANA COMPÕE UM NOVO BAIÃO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-style: italic; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-style: italic; font-size: 100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                            *     *     *&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm;"&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;TUNTUNCA MUQUIRANA COMPÕE UM NOVO BAIÃO&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 3pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Para Valdecirio Teles Veras)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 28.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Tuntunca Muquirana, maior tocador de triângulo de Curiapeba, apaniguado de Maninha de Matos Sampaio e do prefeito Antonio Polissílabo Saraiva, naquela manhã ensolarada, cheirando a flores de umbu, manga e maracujá, após passar a noite em claro, ao lado da sua azeda esposa, Dozinha Ramahoje Adelatrove de Jesus Malhado, num zero a zero preocupante, que já vinha se arrastando há semanas, levantou-se meio entiriçado, com fortes dores no espinhaço, gosto de cabo de guarda-sol na boca, foi à privada, lavou o rosto, escovou os dentes, tomou uma xícara de café forte, sentou-se à mesa da sala e compôs o melhor baião de sua vida: “&lt;i&gt;Mulé Ingrata&lt;/i&gt;”. – “&lt;i&gt;Mulé, eu não suporto mais a tua ingratidão / Serpente venenosa do fundo do sertão&lt;/i&gt;”. Leu, releu, burilou algumas arestas e em seguida cantou toda a melodia, acompanhada pela batida do triângulo. Constatou que havia composto uma obra-prima e se aprontou, quase em êxtase, esperando que a noite descesse, a fim de ir ao Bar do João Emílio Krauser, ali na Praça das Boiadas, pertinho da “&lt;i style=""&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;”, onde Talinho Malino de Menezes fazia ponto, submeter a sua mais nova criação ao maior compositor e sanfoneiro da Chapada Diamantina baiana, autor de um livro intitulado “&lt;i&gt;História da Música no Sertão Baiano&lt;/i&gt;”. Que, diga-se de passagem, tinha endosso de Maninha de Matos Sampaio, em forma de prefácio (o que não evitou de ser rechaçado pela língua viperina do morfético Aristarco Vieira de Melo, majorengo insuportável, que assinava uma coluna em “&lt;i&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;”), lhe deitasse um arranjo que só ele sabia fazer.&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 31/05/2005&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                          *     *     *&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-style: italic; font-size: 100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1652138768349954557?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1652138768349954557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1652138768349954557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1652138768349954557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1652138768349954557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/tuntunca-muquirana-compe-um-novo-baio.html' title='TUNTUNCA MUQUIRANA COMPÕE UM NOVO BAIÃO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1893666897449580076</id><published>2007-10-26T10:57:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T11:04:57.730-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A MULATA QUE DE XISOTA GUNGUNOVA&lt;br /&gt;SE FEZ PASSAR POR ORORA DE ORBURQUERQUES&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Para meu irmão Juvenal Teodoro)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Xisota Gungunova (é isto mesmo, Xisota Gungunova), afinal os nomes esdrúxulos eram uma contínua em Curiapeba, onde quem não possuísse um destes nomes por certo não vinha de boa linhagem. Xisota Gungunova era o que, popularmente, se chama de &lt;i&gt;pé-de-valsa&lt;/i&gt;. Sim, pé-de-valsa, na acepção da palavra. Toda a Curiapeba a conhecia e admirava desde pequenina, quando freqüentava, com os pais, o velho Pissuído Pindoba e Sá Olga Katumbi, as festas juninas, natalinas e Folias de Reis, no início de janeiro, no pátio da Matriz. Foi aí que a menina começou a causar as primeiras invejas em muita gente grande, que, até hoje, mal sabe arrastar os pés num xote, num xaxado ou no baião. Xisota Gungunova, com seu corpinho esbelto, suas pernas finas, lisinhas e bem torneadas, era um verdadeiro azougue, um capetinha em forma de menina-moça, que quando dançava deixava os espectadores de queixo caído. A dança estava no seu sangue. Só que Xisota Gungunova foi além, quando estivera em Salvador, acompanhando, como empregada doméstica, Dona Dondon do Tabocão, esposa do coronel Gremivaldo Tanajura. Aperfeiçoou a sua dança na escola “&lt;i&gt;Perfeição &amp;amp; Arte&lt;/i&gt;”, do mestre Macaúbas Mascarenhas, que fica no segundo andar de um velho sobradão da Baixa dos Sapateiros, de onde Xisota saiu dançando um pouco de um tudo. Desde o tal do Jazz, rumba, samba, chácháchá e até tango, (isto foi antes da invasão caribenha haver dominado quase que por completo a velha cidade do Salvador da Bahia). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao voltar a Curiapeba, após a morte do coronel Gremivaldo Tanajura, em um hospital de Salvador, não perdia um baileco na periferia, onde os cavalheiros, soubessem ou não, queriam dançar uma parte com Xisota, que além de ser uma mulatinha chibante e possuidora dos dentes mais bonitos e brancos do Brasil, dançava feito o que diga. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Curiapeba possuía dois clubes dançantes: o Moreira César, da aristocracia local, que recebera este nome em homenagem ao herói de Canudos, muito freqüentado pelos filhos dos coronéis do sisal, nas férias e Folias de Reis, que fica na Rua Rumo ao Sertão Alto, num velho galpão de barro batido, encarapitado no cocuruto do Morro do Conselheiro, onde Xisota imperava com sua beleza e sua dança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Num fim de semana natalino, com a pequena Curiapeba estufada de gente de Salvador, Aracaju, Fortaleza, São Paulo, e mesmo de alguns turistas estrangeiros que vieram conhecer as belezas da Chapada Diamantina baiana, Xisota Gungunova, só de marra, neste dia se embonecou com seu melhor vestido branco, comprado em Salvador, e entrou de queixo empinado no Moreira César, a fim de mostrar a sua dança, a sua ginga e graça de mulher bonita. Logo que a festa começou, com Talinho Malino de Menezes na sanfona, Galalau no violão, Zé Vicente no triângulo e Tuntunca Muquirana no ganzá, os quais faziam os corações fremirem diante das canções:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;“Ê lampa, é lampa, é lampa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;é lampa, é Lampião &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;meu nome é Virgolino &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;cangaceiro do sertão”. &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Assim que os instrumentos começaram a roncar, um gringo alto, loirão (talvez um sueco ou holandês), com cara de pimentão maduro, pegou a mulata e saíram sassaricando pelo salão. O gringo era uma negação, não dançava nada e, todo desengonçado, tentava acertar o passo inutilmente, enquanto Xisota, com cara de sonsa, fazia de conta que nada percebia e enchia assim o galalau das estranjas de confiança e prazer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Lá pelas tantas, quando a mulata já tinha agradado a todos os presentes e passado por quase todos os braços masculinos, Zito Borborema, um quartanista de Direito, alto, moreno, espadaúdo, metido a poeta, orador de palavras fáceis e boêmio contumaz, que era contraparente dos Justiniano Martelete e namorava a socióloga Maninha de Matos Sampaio, subiu ao palco, fez parar a música e anunciou, com seu vozeirão de baixo profundo, que haviam encontrado um lencinho de linho branco nas dependências do salão, com as seguintes iniciais: O. O. Rogou que o dono subisse ao palco, se identificasse e recebesse a preciosidade de volta. Como ninguém se manifestou, a mulatinha estufou o peito de pomba trocaz, deu dois passos à frente, suspendeu o dedo fura-bolo e disse, com voz impostada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O lenço é meu... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Zito Borborema olha a mulatinha com olhos pidões de garanhão no cio e convida-a a subir ao palco, perguntando em seguida:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Qual seu nome? – abre um sorriso de orelha a orelha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Orora de Orburquerques – interveio Xisota, que só teve o trabalho de pegar o lenço das mãos do Zito e descer do palco, medida de cima a baixo pelo ciúme e o olhar reprovador de Maninha de Matos Sampaio, nas mãos de quem Zito Borborema cortava um doze.&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 28.4pt;" align="right"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;Toca Filosófica, 05/06/2002&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIq1lERVPI/AAAAAAAAAKM/-lSZCf_luoo/s1600-h/Xisota_2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIq1lERVPI/AAAAAAAAAKM/-lSZCf_luoo/s320/Xisota_2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125706425872504050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;...um capetinha em forma de menina-moça, que quando dançava deixava os espectadores de queixo caído.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;                                                               *     *     *&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 1cm;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman; font-style: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;Participe da Comunidade literária Estórias de CURIAPEBA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=40605150&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1893666897449580076?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1893666897449580076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1893666897449580076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1893666897449580076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1893666897449580076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/mulata-que-de-xisota-gungunova-se-fez.html' title=''/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIq1lERVPI/AAAAAAAAAKM/-lSZCf_luoo/s72-c/Xisota_2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-5038776756084924817</id><published>2007-10-26T10:39:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T10:41:05.685-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS NADA SENTIMENTAIS DE DUNGA...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;font-size:130%;" &gt;MEMÓRIAS NADA SENTIMENTAIS DE DUNGA  RINDIDUNGA POLISSÍLABO SARAIVA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 28.4pt;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Para o poeta Jorge de Barros Gonçalves)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Como sou desconhecido no mundo das letras nacionais, quero afirmar mais uma vez que sou Dunga Rindidunga Polissílabo Saraiva, nascido na Chapada Diamantina baiana. Sou um homem quase centenário, com muito vigor físico e vontade de viver. Lembro-me, como se fosse hoje, de um mar de pequeninas estórias, muitas delas presenciadas por mim nas minhas andanças sertanejas. Dias atrás, escrevi um relato ficcional sobre a passagem da Coluna Prestes pelo sertão baiano, que foi publicado num jornal do Sul, por intermédio do meu amigo Aristides Theodoro, que tem a péssima mania de andar estimulando aqueles que, &lt;span style="display: none;"&gt;no se &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;a seu ver, levam jeito para as letras. Pois bem, enviei cópias dessa estória medonha, a pedido do mesmo, para esses brasis afora e não tardou, para minha surpresa, choverem as cartas-elogios vindos dos quatro cantos do País, expedidos por gente da estampa do crítico literário cearense Dimas Macedo, do romancista andreense Antonio Possidonio Sampaio (diga-se de passagem, meu primo), do jornalista Zanoto, de Varginha, Eduardo Waack, de Matão, da resenhista literária Iracema M. Régis, dos poetas Zé Mendonça Teles e Alice Spíndola, ambos de Goiás, do memorialista potiguar Manoel Onofre Júnior, do velho diarista Ascendino Leite, da Paraíba, dos novelistas Nelson Hoffmann, do Rio Grande do Sul e Samuel Duarte, do Espírito Santo, do contista Hildebrando Pafundi, e tantos outros bichos sagrados do mundo das letras, pedindo-me para continuar jogando na alvura do papel novas memórias sertanejas, de preferência aquele xerém miúdo que não foi ainda registrado pelos historiadores coroados da USP, os coleguinhas da socióloga Maninha de Matos Sampaio, que ultimamente anda muito posuda, após o seu noivado com Zito Borborema e o sucesso estrondoso de seu novo livro: "&lt;i&gt;Sertão: Com Destaque ao Pássaro Sofrê e Outros Bichos Vertebrados e Invertebrados da Chapada Diamantina Baiana&lt;/i&gt;”. Maninha vive sempre acompanhada de uns tipinhos barbadinhos, temperamentais, de calças frouxas, sem banho e de óculos fundo-de-garrafa, sempre de gravadores em punho, escarafunchando tudo a respeito de flores do sertão, velhas minerações de diamantes e carbonatos, lagos, rios, cânions, locas de pedra e outros quetais, relativos a Canudos e sua guerra fratricida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Como eu queria dizer, desde o início desta estória, depois da passagem da Coluna Prestes, quando vicejava a saga do cangaceirismo no Nordeste Brasileiro, num sábado, dia de feira em Curiapeba, logo pela manhã, esbarrou na Praça das Boiadas, ali em frente à pensão de Sá Generosa, mãe da Negra Valei-me, ao lado da “&lt;i&gt;Igreja Jesus Virá, Aleluia!...&lt;/i&gt;”, e não muito distante do Bar do João Emílio Krauser, um Ford Cara Branca, que descia das funduras do sertão, conduzindo um cangaceiro morto, todo varado de balas, e sua mulher Ada, uma pardavasca valentona, metida a arroz com casca, que havia recebido um tiro na perna, quebrando-lhe a tíbia, que sustinha segura por um tampo de couro. Os dois capturados por um destacamento da Força Volante Baiana, comandada pelo sargento Maçarico. Como já dissemos, viajavam na carroceria do caminhão, toda gradeada de varas de marmeleiro, adaptada em forma de cadeia. Assim que o veículo parou, a negrada encostou-se ao mesmo para ver de perto os fora-da-lei. O prefeito Perfídio Brotoeja Codorniz, cria direta do Dr. Walcírio Toneleiros Waluá, juntamente com o delegado Medrado Clepaúva Adelatrove, acercaram-se do homem a fim de certificarem-se tratar-se de Gavião, ex-homem forte do Bando de Caboré (terror de todo o sertão). O delegado, ao subir ao caminhão, foi logo visto por Ada, sentada no lastro, esvaindo-se em sangue, que muito encolerizada franziu o couro da testa e perguntou a queima roupa:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O que é que estás olhando, cabra safado, fela-da-puta, tu nunca viste mulé, não?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Fez um esforço fora do comum, suspendeu a parte superior do corpo, escarrou e cuspiu na cara balofa do delegado, que pulou no chão, limpando uma meleca fétida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os presentes, por não simpatizarem-se com a autoridade, riram-se à bandeira despregada, alguns chegaram mesmo a assoviar com estridência, num vivo gesto de apreço ao ato da prisioneira. Afinal, o homem da lei, por não ter coragem para enfrentar os cangaceiros, se vingava de pobres sertanejos bêbados, em dia de feira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Após o caminhão abastecer-se de água e o motorista com os soldados fartarem-se na pensão de Sá Generosa, seguiram em frente, levantando um vendaval de poeira vermelha no ar e levando os cangaceiros para o desconhecido, quem sabe, para Jacobina ou Salvador. Como é que vou saber?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 16/02/2005&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-5038776756084924817?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/5038776756084924817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=5038776756084924817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5038776756084924817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/5038776756084924817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/memrias-nada-sentimentais-de-dunga.html' title='MEMÓRIAS NADA SENTIMENTAIS DE DUNGA...'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-1881081661355282568</id><published>2007-10-26T10:34:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T10:37:22.826-07:00</updated><title type='text'>DUNGA RINDIDUNGA POLISSÍLABO SARAIVA REMEMORA A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;DUNGA RINDIDUNGA POLISSÍLABO SARAIVA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; REMEMORA A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;PELA CHAPADA DIAMANTINA BAIANA&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-size: 13pt; font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A bem da verdade, sou Dunga Rindidunga Polissílabo Saraiva, de velha família dos sertões baianos, com fortes raízes fincadas entre Milagre, Utinga, Paraguaçu e Curiapeba, para onde nos mudamos em 1897, logo após as balas dos canhões do General Artur Oscar terem destruído o povoado de Canudos. Era eu na época um meninote, quando meu pai, o velho Pracídio Polissílabo Saraiva, adquiriu a fazenda Moquifo, às margens do Rio da Onça e da Estrada Real, no município de Curiapeba. Aí, iniciamos o plantio de sisal, vivíamos relativamente bem, com algumas vaquinhas de leite, mulas, cavalos e jumentos para as tarefas diárias. Posso dizer que conheço bem estes sertões, desde as lendas mais cabeludas sobre Antonio Conselheiro e seus beatos, as façanhas envolvendo a soldadesca do governo que se dispersou por estas brenhas, muitos deles morrendo de fome e de sede no meio destes carrascais medonhos. Mais tarde, quando o sertão nem bem havia se curado das chagas de Canudos, apareceu a Coluna Prestes, que levou o Coronel Horácio de Matos (que viria a ser avô da escritora, socióloga e pesquisadora Maninha de Matos Sampaio), a se levantar, a fim de defender a Chapada Diamantina baiana da tirania de um tal de Capitão Luís Carlos Prestes, proveniente do Rio Grande do Sul, um soldadinho enfezado, metido a arroz com casca, ávido de poderes, que se rebelou contra o governo de Artur Bernardes e, com outros malucos sedentos de aventuras, lançou-se numa marcha inconseqüente, brasis afora, incendiando, destruindo as aguadas, pilhando, roubando, matando, deflorando e deixando os lugares por onde passava em estado de terras arrasadas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Quem mais sofria na rota desses malucos eram justamente os mais pobres, aqueles a quem o Sr. Luís Carlos Prestes dizia querer ajudar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Foi em julho de 1926, quando a Coluna Prestes percorria a Chapada Diamantina, que o prefeito de Curiapeba, Trombagildo Abnegardo da Silveira, um homem bom, unicamente por fazer declarações favoráveis ao Coronel Horácio de Matos e sua gente, foi assassinado covardemente em uma emboscada. Dizem as más línguas que pelos seus inimigos, comandados pelo dentista Athanázio Valovelho Chepaúva, derrotado nas eleições passadas e no momento defendendo os ideais da Sr. Luís Carlos Prestes. Os homens deste acampavam nas fazendas da região e dizimavam todo o gado, cabras, porcos, deixando alguns fazendeiros sem uma só cabeça de criação e com um punhado de vales ou bônus de guerra, e onde os rebelados se comprometiam a saldar as dívidas após tomarem o poder à força. O pior é que abusavam das nossas filhas e mulheres. Uma vez, apareceu em nossa casa Prestes em pessoa, vinha na frente do grupo, bem me lembro, baixinho, barbado, de cara agasturada, usando chapéu de massa e lenço vermelho atado ao pescoço. Ao chegar, foi logo perguntando a meu pai:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– É você o Pracídio Polissílabo Saraiva? (Se vê cada uma!. . Isto é nome de gente?)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Sou. Sinsinhô! – disse meu pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Onde estão seus cavalos? – indagou Prestes, com ar de poucos amigos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Eu não tenho cavalos – disse meu pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Olha que tem – resmungou Prestes. Você tem um cavalo preto e um vermelho. Já estou informado disso. Não se faça de rogado, homem. Preciso dos cavalos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Meu pai encarou o homem e tornou a dizer: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Meu sinhô, eu não tenho cavalo nenhum. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Prestes, que tinha uma taca na mão, não vacilou e deu duas lambadas na cara do meu pai, que caiu se esvaindo em sangue. Em seguida, sem se condoer com a dor do velho, ordenou-lhe que se levantasse. Deu-lhe mais uma bordoada, e arrematou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Vamos!... Onde estão os cavalos? Olha que a coisa poderá ficar preta pro seu lado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Meu pai pediu que os acompanhassem a um capão de mato, onde os cavalos estavam escondidos. Prestes, ao ver os animais, encarou o vermelho brilhante, luzidio, bem tratado, e perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Esse cavalo é manso, meu velho?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– É sim. É manso – disse meu pai. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O baixinho ordenou que transferissem a cela para o vermelho e, em seguida, amarrou uma corda de sedenhos no pescoço do meu pai e a ponta da mesma à garupa da sela de um cabra mal-encarado e saíram trotando estrada afora, arrastando meu pai, como um cão danado, até a fazenda Sucurucu, onde o deixaram e seguiram em disparada rumo a Utinga e, no dia seguinte, assassinaram a sangue frio o coronel Papelote Canaverde Gonzaga, que não negava seu incondicional apoio ao Coronel Horácio de Matos. Meu pai, desse dia em diante, nunca mais foi o mesmo e, numa tarde, na feira de Curiapeba, ao presenciar um furdunço, atribuído aos cabras de Lampião, enquanto almoçava na barraca da Negra Vaiei-me, sofreu um ataque fulminante, entregando ali mesmo a alma ao Criador. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Conto essas tristes bramuras apenas para dar outra versão a essa aura de honestidade e heroísmo atribuídas à Coluna Prestes. Que, para quase todos os escritos consultados por mim sobre o assunto, com exceção feita ao imparcial jornalista Antão Calasans, do jornal &lt;i&gt;A Voz do Sertão&lt;/i&gt;, autor de livro homônimo, Prestes foi sempre pintado como um santo, um salvador da Pátria, “&lt;i&gt;O Cavaleiro da Esperança&lt;/i&gt;”. Entretanto, quem viveu de perto o drama sabe muito bem que não foi assim. Portanto, peço desculpas pelas minhas mofinas letras. Sei que não tenho jeito para a escrita. Sou apenas um bronco tabaréu do sertão e não entendo nada de sintaxe, vírgula, ponto e vírgula e tantos outros macetes de que só os literatos de verdade são capazes, a fim de produzir uma boa estória. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 5pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Toca Filosófica, 25/01/2005&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-1881081661355282568?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/1881081661355282568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=1881081661355282568' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1881081661355282568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/1881081661355282568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/dunga-rindidunga-polisslabo-saraiva.html' title='DUNGA RINDIDUNGA POLISSÍLABO SARAIVA REMEMORA A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-7199389538171197763</id><published>2007-10-26T09:59:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T10:04:35.905-07:00</updated><title type='text'>A VINGANÇA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13pt;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A VINGANÇA&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;“A mim pertence a vingança” - Deuteronômio, 32, 35&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Este caso aconteceu quando florescia em Curiapeba a febre do sisal. Casumba, velho vaqueiro da região, dono de uma fazendolinha ou, melhor dizendo, algumas tarefas de terras herdadas do pai, onde plantava anualmente a mandioca, o feijão, o aipim, a batata-doce, o jerimum, o cará e a melancia para o sustento da família, assim que os coronéis da região começaram a se interessar pelo sisal, cultivou um bom tampo de terras e nelas enterrou as mudinhas verde-cinzas da amarilidácea fibrosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Depois de alguns anos, quando o sisal já se achava maduro, em ponto de ser beneficiado, vendeu a folha preciosa a um certo usineiro da região, coronel João de Sousa Macaúbas, para que este colhesse a safra e lhe entregasse a terra o mais breve possível, a fim de ser devidamente capinada para o plantio de cereais, no tempo das águas que se aproximava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O coronel Macaúbas há muito vinha procurando um pretexto para apossar-se daquelas terras que divisavam com as suas. Após o fechamento do negócio, demorou uma eternidade, sem ligar a mínima importância, nem para o sisal, muito menos para o trato firmado com o roceiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Casumba, notando a aproximação das chuvas, num dia de sábado, na feira de Curiapeba, rogou a terra ao coronel mais o cedo possível, a fim de beneficiá-la. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O coronel, olhando o vaqueiro com ar afetado, disse do alto da sua empáfia, a sacudir um chicote pendurado numa das mãos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Que conversa doida é essa, Casumba? Você está ficando maluco?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Casumba, na sua ingenuidade roceira, pensando tratar-se de uma brincadeira de mau gosto por parte do ricaço, disse a sorrir:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Ta bom, Coronel, se algum dia resolver vender a fazendolinha, não me esquecerei do senhor, não. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Olha aqui, Casumba, acho bom você não se fazer de esquecido. Não gosto de brincadeira com essa gentinha da sua laia, ouviu?... Lembre-se de que lhe comprei as terras de porteira fechada, com tudo que lá está. Não foi assim o nosso negócio?... – Fez uma pausa, deu um passo à frente e disse concluindo o discurso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Para isso tenho escritura em meu poder!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Como escritura em seu poder, se não lhe passei nenhuma?... – Perguntou o caboclo surpreso: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Então você quer me chamar de mentiroso?... – indagou o coronel de cara amarrada. Negócio é negócio ou você está pensando ter feito negócio com um qualquer? Você está negociando é com o coronel João de Sousa Macaúbas. Homem de uma só palavra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Que tenho eu com isso?... – Perguntou o vaqueiro saindo do sério. – Um homem é para outro!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Isso veremos depois – disse o fazendeiro com ironia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Se o senhor quer tomar o que é meu, pode tomar, mas não sair dizendo por aí afora que lhe vendi isso e aquilo, como anda a dizer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Olha, Casumba, você agora me ofendeu. Será que tenho precisão de uma pinóia de terras como as suas, que não dão nem facheiro, sem o seu consentimento?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Não precisa e por que quer tomar?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Casumba, só me interessa no momento é o preto no branco e isso eu tenho pra lhe mostrar como sou dono absoluto de tudo aquilo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Admiro como você possa ter escritura, se não lhe passei nenhuma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Isso veremos depois... – disse o coronel, afastando-se. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O senhor não passa de um gatuno!... – rugiu o vaqueiro tremendo de raiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Basta, Casumba... – conversa comprida faz quem quer!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Fique sabendo que de cima do que é meu ninguém me tira, ouviu?... – disse o roceiro gago de raiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Se você não desocupar a casa até o fim da semana, mando meus homens lhe botar de porta afora, para você aprender a fazer negócio com homem e deixar de ser teimoso, seu besta!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Em seguida, tirou uma tragada do cigarro, cuspiu de banda e entrou na farmácia Hipócrates, de João Tolentino Clepaúva, ponto de palestra em companhia do padre Alfredo, Dr. Guilherme Monteiro Trindade (recém-chegado a Curiapeba), o vereador Walcírio Toneleiros Waluá, o dentista Athanázio Valovelho Clepaúva, Calcídio Sidônio Trombetas e outros coronéis do sisal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Por essa altura a feira chegou ao fim. Casumba, meio desorientado, entrou na venda de Olegário Doca. Bebeu um alentado trago de catilóia, comprou um litro de querosene, colocou-o dentro do alforje, juntamente com outros trens que havia comprado. Montou no seu cavalo baio e seguiu o caminho de casa, pensando uma infinidade de coisas, já sob o efeito do álcool. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Chegando à casa, contou o caso à sua negra Fite e ao moleque Resmulungo, que na época tinha doze anos, um negralhão musculoso, de olhos mansos e dentes brilhantes. Fite, ao se inteirar do assunto, procurou confortar seu homem, dizendo que o Bom-Jesus-da-Lapa era por eles e nada de mal haveria de atingi-los. À noitinha, após a janta, foram à casa do compadre Trança, homem sério, respeitado em toda a região, a fim de se informarem a respeito do assunto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Trança, após ouvir tudo, tirou uma tragada do cigarro, matutou um pouco, cuspiu de banda, coçou a barba e resolveu enviar Casumba à Jacobina, onde deveria se entender com o Dr. Délvio Francisco Pereira Castanho Manílio, advogado, a quem Trança havia dedicado seus préstimos como cabo eleitoral, quando o causídico disputou uma cadeira na Assembléia Legislativa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao encontrar-se com o advogado, Casumba narrou-lhe tudo, tintim por tintim, conforme orientações do compadre: o jurista, por sua vez, tratou-o com distinção, chegou mesmo a prometer o possível e até o impossível a seu favor. No final da entrevista, após certificar-se de tudo quanto possuía o tabaréu, marcou a primeira audiência (afinal o juiz era seu amigo) para dali a um mês, na qual deveria comparecer também o coronel Macaúbas. Em seguida, acompanhou o roceiro com toda prestatividade até a porta do escritório, dizendo ao despedir-se:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Pode ficar tranqüilo, seu Casumba, e voltar aqui no dia marcado. Sua causa, praticamente está ganha. Vou lutar a fim de mostrar a esse coronelzinho, como no Brasil ainda existem leis e homens que as façam cumprir. Urge acabarmos com essas injustiças do sertão, onde o dinheiro dita as leis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O vaqueiro não entendeu quase nada daquele caudal de palavras bem torneadas, mas apoiou tudo com um sorriso amável. Montou seu cavalo, que havia ficado numa cocheira na entrada da cidade, e seguiu rumo de casa, contente consigo mesmo. Sua causa era justa. Teve mesmo ímpetos de conversar com o animal e contar-lhe todo o ocorrido. Chegando a casa, espalhou por toda a redondeza a historia, conforme ouvira do advogado. Contou a seu modo, é claro, assim como havia entendido e os leva-e-traz se encarregaram de colher os fatos, juntamente com o nome do advogado, e transmitirem ao coronel. Este, por sua vez, rapidamente, com seu dinheiro e influência, cassou a argúcia do jurista e, quem sabe, do juiz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O coronel, às vésperas da audiência, sabendo da expectativa de ganho de causa por parte de Casumba, mandou um dos seus homens dizer ao matuto que desocupasse a casa até o dia seguinte, pois precisava dela para abrigar seus novos agregados. O matuto fez pouco caso das ordens e não arredou pé da vivenda, até que o coronel em pessoa foi, com seus jagunços, despejar a família, seus poucos trens, isso após um terrível bate-boca e promessa de vingança por parte de Casumba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Resmulungo, conforme já dissemos, era nessa época um molecão taludo, inteligente, e presenciou toda a cena; daí por diante, passou a odiar o coronel com toda a força do seu coração. Chegou a prometer a si mesmo cobrar, e com juros, toda a injustiça cometida contra seu pai. Casumba, com o coração a palpitar de raiva, apanhou os trens jogados na rua pelos cabras do coronel e foi para a casa do compadre e, posteriormente, à Jacobina, a fim de entender-se com o advogado. O jurista, ao ver o tabaréu, foi logo dizendo nada mais poder fazer em seu favor, uma vez que o coronel alegava ter comprado a fazenda, exibindo escritura devidamente legalizada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Como isso, doutor, se nunca vendi nada a ele?... – inquiriu o matuto, mal contendo a indignação, agora também contra o advogado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– É claro que vendeu!... – argumentou o jurista abrindo a gaveta de uma grande mesa, submetendo-lhe à apreciação de uma escritura devidamente legalizada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O matuto, reconhecendo a causa perdida, aproveitou a oportunidade para desabafar. A timidez desapareceu num instante, como se por milagre. O advogado, desapontado, teve de ouvir contra sua vontade muitas verdades pronunciadas por um rude curiboca de palavras trôpegas, inseguras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Seu Casumba, por favor, me entenda, eu não tenho culpa, uma vez que o coronel prova que o senhor vendeu a fazenda, passando o documento a seu favor. O senhor compreende?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Não tem culpa?... – inquiriu Casumba, franzindo a testa, de olhos vidrados na cara do advogado. A culpa é toda sua. Aposto como você foi comprado por aquele ladrão da peste, causador de toda essa desgraceira. Deu dois passos em direção ao advogado e disse concluindo o pensamento:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Não tem nada não. Deus é grande!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Em seguida, cuspiu no assoalho, próximo aos pós do advogado, enfiou na cabeça o seu endurecido chapéu de couro de mateiro, que segurava em uma das mãos, dizendo numa golfada de indignação final, ao deixar a sala do jurista:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– O sertão está carecido de outros cabras valentes, justiceiros como Lampião, Marimbondo e Tonho, para acabar com toda essa laia de cabras safados!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Saiu para a rua e procurou inutilmente por outros advogados, que lhes diziam da inutilidade da causa, por se tratar de um adversário poderoso, cheio de amigos influentes e dinheiro, que poderia contratar os melhores advogados da cidade, especialmente com o agravante de possuir uma escritura em seu favor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O matuto, após ouvir várias lorotas iguais a estas, desiludido com os homens, com as leis e consigo mesmo, deu tudo por acabado, retornando à casa do compadre Trança. Tinha o espírito cheio de revolta, chegou mesmo a maquinar uma vingança contra o coronel; se não a pôs em prática, foi devido a muitos conselhos da esposa e do compadre, pessoas a quem muito estimava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Após pensar, repensar, discutir o assunto com o compadre Trança e a esposa, resolveu deixar sua terra natal e ir aventurar a vida na cidade de Remanso, às margens do São Francisco, onde residia seu cunhado, Liberato, por sinal muito bem de vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A família fora bem recebida por Liberato, em Remanso. O cunhado, após lamentar a injustiça contra Casumba, providenciou-lhe casa às margens do grande rio de integração nacional, onde pudesse plantar e pescar à vontade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O matuto, no passado um campeão no trabalho, agora se deixava levar pelo desânimo. Envelhecera precocemente. Tinha o andar trôpego. Tornou-se indiferente a tudo, passando a conversar sozinho, apregoando o fim do mundo e a volta de Nosso-Senhor-Jesus-Cristo num carro de fogo, a fim de fazer justiça no sertão. Nessa época, nas horas de maior lucidez, queixava-se de fortes dores de cabeça, tonturas, falta de ar e contínuas palpitações no coração. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Num sábado à tarde, após relembrar com a mulher a pujança da feira de Curiapeba, que não saía dos seus pensamentos, sentiu uma pontada aguda no coração, curvou-se para frente e caiu morto aos pés da esposa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os familiares fizeram o enterro, lamentando a sua morte prematura e Resmulungo, já homem feito, resolveu vingar a morte do pai. Arquitetou alguns pacientes planos e, num domingo de Ramos, após depositar flores no túmulo do pai, despedira-se da mãe e do tio, com o pretexto de ir à Lapa do Bom Jesus, onde pretendia pagar uma promessa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao desembarcar do trem em Itiúba, seguiu em direção à Curiapeba a pé, revendo com muita emoção as terras que conhecera na infância; reviu com lágrimas nos olhos a casa que fora do pai, agora ligeiramente modificada, o pé de são-joão coberto de flores amarelas, o riacho seco, enfim, tudo aquilo que lhe era muito grato e por certo nunca mais haveria de voltar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Fazia o possível para evitar contato mais íntimo com os moradores da região. Chegou mesmo a não visitar o velho Trança, compadre do seu pai, temia ser reconhecido, não podendo assim cumprir o seu intento de forma anônima, como pretendia, embora estivesse totalmente diferente daquele molecote saído dali a alguns anos. Agora era um negralhão musculoso, simpático, possuidor de uma possante voz de baixo e uma abundante barba negra, que lhe davam uma aparência de príncipe africano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ao abandonar as terras que fora do pai, aproximou-se da fazenda Tuiuiú, onde pediu serviço ao fazendeiro, que de certa forma era seu conhecido e, não podendo atendê-lo, encaminhou-o à feira de Curiapeba, no dia seguinte, um sábado, onde poderia entrar em contato com alguns usineiros de sisal, que provavelmente estivessem precisando de mão-de-obra. Citou os nomes de Salustiano Montenegro Polissílabo Saraiva, Lúcio Butinove, Cirilo Trombetas Waluá, João Tolentino e os coronéis Dandinho e o indefectível João de Sousa Macaúbas, sobre quem acrescentou, à guisa de informação:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Esse último é um velho desgraçado, ruim como carne de pescoço!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Resmulungo se interessou mesmo assim pelo último e muito sutilmente procurou saber onde poderia encontrá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A par de tudo, escondeu-se no mato e esperou pacientemente pelo dia seguinte, um sábado, dia de feira, a fim de pôr em execução o seu diabólico plano. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Já era tardezinha, quando Resmulungo entrou na cidade, topando logo de cara com o velho coronel dando ordens aos seus agregados em frente à venda de Olegário Doca, onde estes faziam compras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O negro reconheceu o velho coronel, o mesmo homenzinho de alguns anos atrás. O tempo parecia não ter afetado em nada seus traços de maldade e estupidez estampados na face. Tinha as mesmas expressões duras, arrogantes, cruéis, de homem mau. A mesma voz gritada, estridente, agora apenas um pouco mais rouca, devido ao excessivo uso do tabaco. Os mesmos olhinhos vivos, brilhantes, de cascavel enfezada. Enfim, era o mesmo coronelzinho prepotente, arrogante, do passado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Logo a noite caiu, uma dessas noites cruelmente enluaradas do sertão. O coronel, após um lauto jantar, juntamente com a velha Maricota, sua esposa, e a nora Estelita, pôs a cadeira na calçada, segundo o hábito do lugar, para gozar em companhia das mulheres a fresca noturna. Resmulungo, que estava informado a respeito dos costumes do coronel, e ansiava por aquele momento oportuno. Caminhou em direção ao homem, com passos inseguros, imitando bêbado. Fingia-se bêbado propositalmente, a fim de não aguçar a desconfiança do velho e, assim, cumprir o seu intento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O poderoso, entretido em difamar seus inimigos, viu um bêbado se aproximando, mas não deu a mínima importância; estava muito empolgado com a narrativa, não tendo tempo a perder com um vagabundo qualquer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O negro, ao emparelhar-se com o velho coronel, nu da cintura para cima, recostado na espreguiçadeira, arrancou o punhal da bainha e num átimo o enterrou todo no rotundo abdome do homem, que, ao sentir o aço nas entranhas, deixou ecoar um horrível grito, tentando levantar-se inutilmente, enquanto o matuto, com rapidez de demônio, deu mais três terríveis estoca na barriga do coronel, que caíra na espreguiçadeira. O negro, em seguida, ao constatar a morte do infeliz, saiu a correr em direção a uma esquina, que dava para a caatinga próxima, previamente examinada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;As mulheres, após um breve atordoamento, como se despertassem de um sonho mau, deram o alarme. A velha Maricota estava pálida, trêmula, num verdadeiro estado de convulsão nervosa. Estelita chorava desesperadamente. Quando os vizinhos perceberam já era tarde e o homem acabara da morrer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O delegado Febrônio Ausônio Manílio com seus subordinados do distrito não demoraram a chegar. Após algumas poucas e desfibradas informações, embrenharam-se caatinga adentro, em busca de um assassino misterioso, sobre quem quase nada sabiam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A notícia, como praga, se espalhou por toda a redondeza e o povo, ao saber do ocorrido, inclusive os agregados e mesmo parentes do assassinado, diziam por uma só boca, como a se vingarem de injustiças passadas, cometidas pelo morto:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Bem feito, aquele miserável já devia ter morrido há mais tempo!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Outros mais afoitos diziam com sentido de dupla vingança:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;– Agora esse desgraçado vai pagar no inferno tudo de ruim que aqui fez!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 28.4pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;E assim foi que se findou a lendária façanha do arbitrário coronel João de Sousa Macaúbas, para alegria de todos seus inimigos que, diga-se de passagem, não eram poucos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 11.5pt;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 28.4pt; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 7pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIdTlERVNI/AAAAAAAAAJw/wsImDkuODvA/s1600-h/Advogado.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 369px; height: 270px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIdTlERVNI/AAAAAAAAAJw/wsImDkuODvA/s320/Advogado.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125691548105790674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 8pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 7pt;"&gt;...abrindo a gaveta de uma grande mesa, submetendo-lhe à apreciação de uma escritura &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;devidamente&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;legalizada&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-7199389538171197763?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/7199389538171197763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=7199389538171197763' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7199389538171197763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7199389538171197763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/vingana.html' title='A VINGANÇA'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIdTlERVNI/AAAAAAAAAJw/wsImDkuODvA/s72-c/Advogado.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5442133583682911320.post-7491936362370180125</id><published>2007-10-26T09:38:00.001-07:00</published><updated>2007-10-30T04:52:32.261-07:00</updated><title type='text'>O CANGACEIRO</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size:13;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O CANGACEIRO&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;Nós que somos do sertão é que sentimos isso de verdade&lt;br /&gt;                                                                                        Jorge Amado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Jagunços?...  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deus dê ao Brasil muitos desses homens, quando perigar a liberdade   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou se houver de medir com o inimigo.                     &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;                                                 Rui Barbosa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 63pt;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho, após a seca periódica ter lambido seu roçado, resolveu deixar sua terra natal, Curiapeba, em busca de dias melhores, para as bandas das Lavras Diamantinas, onde diziam as línguas privilegiadas que se juntava a preciosa pedra com as mãos. Num sábado à tarde, comprou na feira carne seca, rapadura, farinha, e plantou os pés na estrada, rumo à terra da promissão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O sol já tombava no poente, quando Tonho, coração pesado, deixou o seu sertão querido. Tinha um nó na garganta e um incômodo fardo a lhe apertar o peito. Triste, seguiu olhando a caatinga vermelha, desolada, quase morta, onde as cabras se penduravam nos galhos, a fim de comer uma ou outra folha morta, ainda não apanhada pelo vendaval da miséria. O sertão todo parecia um esqueleto em estado de decomposição. Só aqui ou acolá apareciam altas copas de juazeiros e baraúnas, que lembravam espantalhos verdes a desafiar a inclemência do sol. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os jegues roíam a casca amargosa das catingueiras; as vacas morrinhentas disputavam, aos trambelhões, com risco das próprias vidas, os raros pés de faxeiros encontrados no meio da caatinga; enfim, todo o sertão, como uma paisagem lunar, clamava por Deus, água e alimento. Até os pássaros haviam fugido, com exceção dos urubus, alegres, festivos, girando em torno das carniças. As juritis emitiam um canto triste, longínquo, saudoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho estava tão desesperado com a paisagem, que não percebeu quando as sombras da noite desceram sobre a caatinga. Após o escurecimento total, ainda viajou légua e meia até chegar à Vila do Araújo, onde passou a noite em casa de um certo Zé Latão. Este, a princípio, negou-lhe pousada, por ser o sertanejo um desconhecido com um saco às costas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;No dia seguinte, ao anoitecer, após furar muito sertão, chegou ao Ventura, logo arrumando uma colocação no Garimpo de Leonídio Aragão, para iniciar, no dia seguinte, a lavagem de cascalhos, em companhia de outros alugados. Entre eles, um logo se fez amigo de Tonho: chamava-se Cícero Romão, também conhecido por cearense Ciuçu, natural do Crato, devoto ferrenho do taumaturgo nordestino. Mais tarde, ficou a conhecer um tal de Marroás, sujeito moreno, avantajado de corpo, que não se apartava de uma peixeira e se blasonava de haver matado dois homens na sua terra e fugido da cadeia alguns pares de vezes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho, um rapagão de vinte anos, pacífico, ordeiro, procurou desviar-se daquele brutamontes; não por temê-lo, isto não, mas a fim de evitar aborrecimentos posteriores, pois se conhecia dono de um gênio cordato, humilde, quando bem tratado, porém o próprio diengue em pessoa, quando provocado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A má reputação de Marroás corria todo o garimpo; chegavam mesmo a dizer que o subdelegado Ornélio Bramante Brumado, bem como o sargento Raimundo Nonato, mijavam-se de medo só de ouvir o nome do desordeiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marroás tinha por costume acabar com os forrós e cabarés a tiros e pescoções, quando não inventava de dormir com a cabrocha mais bonita do prostíbulo. Após saciar os seus instintos bestiais, aplicava-lhe alentosas tundas e saía cantando de galo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Certo sábado à tarde, após abandonar o serviço, Tonho foi dar umas voltas a fim de visitar as meninas do distrito pois se havia enrabichado por uma delas. Uma mulata de olhos enviesados, uma tentação em forma de mulher, dessas que tem bossa no andar e fogo de sete vulcões no xibiu. Haviam ficado embeiçados um pelo outro, pretendendo matar a saudade represada durante a semana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho ao chegar ao prostíbulo, topou-se com Marroás, que lhe perguntou à queima-roupa:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Menino, o qu’istás fazendo aqui, não sabes que quem manda nesta bilosca sou eu, não?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O sertanejo procurou desviar-se do arruaceiro sem responder-lhe a pergunta; acendeu um cigarro, começou a fumar, quando aproximou-se a cabrocha, dizendo com um sorriso regateiro:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Você por aqui!... – Como tem passado?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Bem. – disse o rapaz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Já estava com saudade de você. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Verdade? – perguntou Tonho a sorrir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Sim... – disse a moça, olhando nos olhos do rapaz. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho puxou a rameira para si, perguntando enquanto a bolinava, beijando-lhe o rosto e a boca larga de lábios carnudos, sensuais:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Como passou a semana?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Assim, assim... - fez a moça com um gesto de mão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sorriram os dois e a mulher mirando os olhos do rapaz, perguntou-lhe com cinismo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Como é, vamos fazer um beibe?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Vamos... – disse Tonho bolinando a fêmea, que se contorcia numa simulação de prazer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Tinha saudades de mim?... – perguntou a rameira a sorrir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Muitas – disse Tonho a beijar-lhe a boca e os seios volumosos e redondos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Coração de homem é terra que ninguém vai... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sorriram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nisso, uma noite quente, pegajenta, desceu sobre a vila, enchendo os becos de escuridade e mistério, quando um mestiço magro, de nariz chato, surgiu porta adentro, carregando um pandeiro na mão, acompanhado de um negro de meia idade, alto, magrelão, caolho, trazendo uma sanfoninha oito baixos a tiracolo. Após tomarem uns tragos de catilóia e muitas solicitações por parte dos presentes, começaram a cantar músicas de repertório sertanejo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;“Lá vem Sabino&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;mais Lampião&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;chapéu quebrado&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;e o fuzi na mão.”&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma negra velha esmolambada, morrinhenta, que estava em pé ao lado do balcão, gritou numa voz esganiçada, pastosa, de cachaceira inveterada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Eita forró da peste!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O sanfoneiro voltou ao balcão, bebeu o resto da cachaça e continuou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;“Sá dona entre pra dentro&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;só saia quando eu mandá&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;que levem a Força Volante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i&gt;que é danada pra brigá!...”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A velha, num desengonçado passo que lhe sacudia a bunda flácida, após alguns volteios desconexos, parou, a revolver coisas do fundo da memória; encarou os presentes, dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Ah minha mocidade, ah meus dezoito anos!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Riram todos. Marroás, que havia saído minutos antes, entrou porta adentro. Vendo Tonho abraçado à rameira foi logo dizendo com certo rompante de valentão:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Não me cheira bem essa bandalheira de vocês aqui não. Vê lá, seu menino, como se porta, ouviu?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em seguida, aproximou-se de Tonho, bateu-lhe no ombro, dizendo com ironia:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– É melhor você dar o fora daqui o mais rápido possível. O seu lugar é no cascalho do Aragão, aqui mando eu, ouviu?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– O que você tem a ver com minha vida?... – perguntou Tonho – devo-lhe alguma coisa?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marroás, com um sorriso desdenhoso de valentão, nada respondeu; voltou ao balcão, pediu mais uma dose de catilóia, bebeu a metade do conteúdo, cuspiu de banda, limpou os beiços grossos com as costas da mão e, num átimo, virou-se para Tonho, atirando-lhe o restante da cachaça na cara. O rapaz ficou estático, imóvel, pois não esperava uma agressão de tamanho calibre. Após cair em si, passou a mão no rosto, tomou de uma tranca de porta que estava encostada à parede e partiu, como um louco, de encontro ao agressor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A mulher, temendo a represália do arruaceiro, abraçou-se a Tonho, pedindo-lhe em nome de todos os santos, que o deixasse em paz. O sertanejo deu um safanão na rameira, rematando num ímpeto de ira:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Me larga, me larga, condenada; vou desabusar esse sacana!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao desembaraçar-se da rapariga, tropeçou nuns tamboretes, dando assim, vez à Marroás, que o agarrou com violência, aplicando-lhe vários murros na cara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Vai-te embora, cabra safado, urubu bosteiro! Nunca mais bote os pés aqui, ouviu?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A mulher havia desaparecido. Tonho, moído de pancadas, pondo sangue pela boca, pelo nariz, deixou o prostíbulo, morto de vergonha. Tinha tanta raiva, que parecia ver luzes de vaga-lumes em todas as direções. No auge da angústia, quando já havia pensado em pôr termo à vida, a fim de dar cabo à tamanha humilhação, lembrou-se do cearense, seu colega de quarto. Sem mais delongas, correu à enxerga, tomou da mão-de-égua que estava na mala do amigo e voltou imediatamente em direção ao prostíbulo, onde Marroás continuava desafiando tudo e todos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– O que tu ainda vem fazer aqui, excomungado? – perguntou o arruaceiro com maus pressentimentos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho, por sua vez, apalpou a pistola debaixo do paletó sujo de sangue coagulado e disse, aproximando-se de Marroás:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Vim acertar minha conta contigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marroás, que não tinha visto a arma, continuou com sua arrogância, a desafiar o sertanejo, quando este, cego de raiva, após ouvir um impropério contra sua progenitora, sacou a pistola, disparando o primeiro tiro, que em vez de atingir o valentão, cravou-se no bucho da negra velha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Marroás, tomando de um pedaço de pau quebrado de uma cerca, investiu contra o rapaz, que desfechou um balaço certeiro no peito do desordeiro. Este, botando a mão sobre a fissura borbulhante de sangue, soltou um doloroso grito:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Covarde, tu me mataste!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O povo aglomerou-se e torno do morto e Tonho, aproveitando a oportunidade, capou o gato, deixando o palco da briga com dois mortos em cena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Sargento Raimundo Nonato, policial sádico, terror do povoado, ao saber do ocorrido, juntamente com seus esbirros, tomou as providências necessárias. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho desapareceu sem deixar pistas, escondendo-se no sopé da serra, fugindo assim das primeiras batidas policiais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sargento Raimundo, após se informar da procedência do criminoso, interditou todas as estradas que saíam da vila, em especial, na direção de Curiapeba, onde por certo, dia mais, dia menos, o rapaz deveria passar. Os soldados, com ansiedade, aguardavam o momento, no qual o nordestino, acossado pela fome, desse as caras na estrada, a fim de ser cruelmente torturado, trancafiado num cubículo imundo de uma penitenciária, onde deveria pagar por todos os hediondos crimes do sertão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era meio dia mais ou menos, quando Tonho deixou a zona fértil da mata, começando a penetrar nas chapadas ralas, carrasquentas do sertão. Um sol inclemente, aos poucos, fazia sentir seus efeitos sobre a terra comburida. O sertanejo tinha sede, aproximou-se de uma casinha à beira da estrada e pediu água, quando foi cercado pela polícia, que apareceu tão de repente, como se tivesse brotado do chão. Tonho, que era um perfeito catingueiro, conhecedor profundo dos mistérios do sertão, evadiu-se instantaneamente, deixando os soldados abobalhados e ao mesmo tempo possessos com a vivacidade sua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sargento Raimundo, meio vencido, envergonhado, não se deu por isso, ordenando aos seus homens seguirem as pegadas quase invisíveis do foragido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A caatinga estalejava seus ramos esturricados; uma ou outra juriti cantava ao longe; as rolinhas ariscas, velozes, arrrulhavam e os periquitos, vivazes, inquietos, revoavam em magotes, à procura de alimento. Uma acauã piou a chamar a seca para o sertão. Uma vaca morrinhenta arquejou a barriga descamada, olhou para céu de um azul profundo e, como a dirigir uma prece agoniada a “Deus-Nosso-Senhor-Jesus-Cristo”, berrou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Mooon!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Outra rês responde ao longe num mugido triste, não menos atormentado, enchendo o sertão de angústia e pavor:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Moooong! Moooong!... Humm!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Sargento Raimundo, que se mostrava um dos mais entusiastas na perseguição ao foragido, ao ver-se em contato direto com a agressividade do ambiente, vacilou, confessando a impressão de ter visto mil olhos vingativos a espreitarem por trás de cada pé de pau. A mesma paisagem que metia medo aos militares, infundia ânimo ao sertanejo, que, ao sentir-se no seu ambiente natural, recebia alento, quem sabe, vindo dos juazeiros, das baraúnas ou das juremeiras em volta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Era dia alto, o nordeste soprava um bafo quente, poento, tingindo os galhos de vermelho. O homem que havia viajado toda noite, sentiu sede e pé-ante-pé, aproximou-se de uma cacimba, onde algumas mulheres desgrenhadas enchiam seus potes e quartinhas de uma água terrosa, extremamente salobra. O rapaz pediu água e, ao entabular uma rápida conversa com as tabaroas, fora informado de que o bando de Marimbondo havia dormido ali naquela noite. Mostraram-lhe os tições ainda fumegantes do fogo que os cabras acenderam. O matuto depressa se despediu segundo as pegadas catingueiras, com o firme propósito de fazer-se aceito no bando, custasse o que custasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ao pôr do sol, deparou-se com a cabroeira acampada no alpendre de um casarão abandonado. Estavam todos alegres, bulhentos, a engolirem com voracidade pedaços enormes de carne-de-sol, farinha e rapadura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho, a princípio recebido com hostilidade, contou a sua história e rogou ao chefe que o aceitasse no bando. Marimbondo, mestiço baixote, corpulento, de dura gaforinha, olhos frios, enormes ventas de bueiro, deu uma risadinha comedida; olhou o rapaz de maneira misteriosa, a sondar-lhe a alma, dizendo num tom solene, respeitoso:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– De onde sois, meu filho?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– De Curiapeba... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Conheço – disse o chefe do bando – terra de mulé bonita t’ali, não?... – riram todos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Pois bem – continuou Marimbondo, demonstrando afeição pelo rapaz, logo de início – vida de cangaceiro não é tão fácil assim como tu está pensando – sabes?... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Sei sim, Capitão – disse Tonho olhando no rosto do homem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Pois então depende de tu, se queres arriscar, eu aceito; estou mesmo carecendo de cabras decididos, só não te prometo nenhuma recompensa. É bom tu pensar em tudo isso antes de dar o primeiro passo. Se te convém, muito bom, se não, somos os mesmos amigos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tonho, encarando o rebelado, disse com voz firme:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Quero ficar para o que der e vier. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Cabra sarado!... É de homem assim que estou precisando – disse o cangaceiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em seguida, comeu da carne com farinha, rapadura, e bebeu água. Dormiram uns, enquanto outros se revezavam na vigília até o romper da madrugada, quando arribaram em direção à fazenda Cajuí, do Coronel Dandinho Aderbal, onde pretendiam descansar, se abastecerem de munição, armas, cavalos e alimentos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os jagunços, montados em seus cavalos, cortavam veredas sertanejas, em direção ao ponto almejado. Já haviam viajado algumas léguas, os cavalos começavam a resfolegar, diminuindo gradativamente o passo, num visível sinal de enfado, forçando os cavaleiros a dirigirem-se às sombras acolhedoras de um juazeiro frondoso à beira do cainho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Súbito, ao afrouxarem os arreios dos animais, um dos cabras avistou a pouca distância, debaixo de uma árvore, um soldado de farda amarela, arrastando-se igual à cobra, tentando distanciar-se dos cangaceiros. Nisto, olhando mais além, descobriram o temido Sargento Raimundo Nonato, com outros policiais, que não puderam fugir a tempo. Estavam imóveis, trêmulos, parafusados ao chão. Marimbondo, percebendo que seus cabras estavam melhor armados, sendo duas vezes mais numerosos, gritou em voz de comando:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Cabroeira, os macacos estão em nossas mãos, vamos mostrar a eles como se faz justiça no sertão!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em seguida, cercaram os milicos e se prepararam para a chacina final, quando foram advertidos por Marimbondo, que gritou feito um possesso&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;– Quero o graduado vivo, tenho muitas contas a acertar com esse corno!... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um soldado vermelho, grandalhão, de olhos azuis, ao ouvir estas palavras, abandonou a arma, abrindo unha em direção ao cerrado, sendo interditado por uma bala mortífera do fuzil de Frango D’água, que o imobilizou no meio da jornada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fora os que tiveram morte instantânea, ficaram o Sargento Raimundo Nonato e o soldado Macário, pegos abobalhados, sem oferecerem resistência, depois submetidos às mais terríveis torturas que se possa imaginar. O sol, inclinando-se em direção ao poente, presenciou naquele dia uma das mais macabras cenas cometidas debaixo do céu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O Sargento Raimundo Nonato, após ser submetido a penosas torturas e interrogatórios, foi imobilizado, castrado e crucificado ao solo, com enormes chuchos de madeira cravados nas palmas da mão e dos pés, onde ficou esperando o momento de ser devorado, provavelmente ainda vivo, pelos urubus esfaimados, que começaram a rondar o sítio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;Um curiango cantou ao longe, um rodamoinho passou levantando poeira do chão; uma noite  enorme, mormacenta começou a descer sobre o vale, juncado de cadáveres e cangaceiros.&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIYcFERVMI/AAAAAAAAAJo/azfTf1tItig/s1600-h/Cangaceiros+-_2.JPG"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 374px; height: 343px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIYcFERVMI/AAAAAAAAAJo/azfTf1tItig/s320/Cangaceiros+-_2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125686196576539842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A mesma paisagem que metia medo aos militares, infundia ânimo ao sertanejo, que ao sentir-se no seu ambiente natural, recebia alento, quem sabe, vindo dos juazeiros, das baraúnas ou das juremeiras em volta.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5442133583682911320-7491936362370180125?l=estoriasdecuriapeba.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/feeds/7491936362370180125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5442133583682911320&amp;postID=7491936362370180125' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7491936362370180125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5442133583682911320/posts/default/7491936362370180125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estoriasdecuriapeba.blogspot.com/2007/10/o-cangaceiro-ns-que-somos-do-serto-que.html' title='O CANGACEIRO'/><author><name>Poetas de Mauá &amp;amp; Cia</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09802873742157589863</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_ZWVXxc4S6n0/RyIYcFERVMI/AAAAAAAAAJo/azfTf1tItig/s72-c/Cangaceiros+-_2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
